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quinta-feira, 1 de junho de 2017

1846 (do espanto de existir) Pára-me de repente o Pensamento ...

SONETO

Pára-me de repente o Pensamento ...
- Como que de repente refreado 
Na Douda Correria em que levado ...
- Anda em busca da paz, do esquecimento... 

Pára Surpreso... Escrutador... Atento
Como pára... um Cavalo Alucinado 
Ante um Abismo... ante seus pés rasgado...
Pára... e Fica... e Demora-se um Momento...

Vem trazido na Douda Correria
Pára à beira do Abismo e se demora 

E Mergulha na Noite, Escura e Fria 
Um olhar d'Aço que na Noute explora... 

- Mas a Espora da dor seu flanco estria...

- E Ele Galga... e Prossegue... sob a Espora!

Ângelo de Lima
"Poesias Completas, Assírio e Alvim, 1991, p. 55

terça-feira, 27 de março de 2012

1482 - Da janela do meu quarto

O tempo está maravilhoso. Parece que estou em Portugal.Da janela do meu quarto tive o privilégio de assistir a um maravilhoso nascer do sol!
Os dias têm sido de grande partilha e de aprendizagem!

A cidade é pequena e bucólica... O rio dá-lhe uma atmosfera fora do comum...

Se sou um homem de sorte? sim, muitos poderão dizer isso. Tenho tido muitas oportunidades, mas também muito tenho lutado pelo meu lugar e sem nunca desistir, embora, por vezes, apeteça (e muito).

"If you do not step forward, you'll always be in the same place".
É isso mesmo

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

1440 - Ainda em tempo de festas

"Estes" tipos já me conseguiram tirar mais um pequeno "prazer". Não é que eu valorize muito festas com dias muito marcados e convencionais como o Carnaval (em que se vê a malta meio despida, a tremer de frio, a querer imitar uma mais genuína festa tropical) ou a passagem do ano pois torna-se esquisito acompanhar os noticiários de dia 31 de Dezembro e ver que de leste para oeste já muito celebraram o novo ano, fruto de uma convenção relativa à marcação das horas e dias.

Mesmo assim, o Ano Novo sempre era alguma coisa que marcava algo com os tais votos/decisões/balanços de perdas e ganhos e a tentativa de acertar alguns passos...

Pois, até a ideia de que o que estava para vir podia ser melhor do que o que já existia nos foi roubada! temos a promessa da emigração para nós e para os nossos filhos e a certeza de que o próximo vai ser pior do que este. Onde já se viu o iva da electricidade a 23%? como se ter luz em casa fosse um luxo!!! É o tal regresso ao passado e ao empobrecimento que querem que assumamos!

Regresso ao passado? só aquela das boas memórias de Natais longínquos em que nós, as crianças, comíamos na cozinha antes do "grandes" e era uma diversão o resto da noite enquanto os adultos jantavam sossegados e conversavam pachorrentamente.
Lembro-me bem da primeira vez que me sentei à mesa na ceia de Natal e tive direito a estar com os adultos a jantar! O avô, a avó, os tios e tias, os pais, os primos, os irmãos!
De tudo o resto, de alguns que abandonavam a escola precocemente, da guerra que nos chegava a casa pela TV, dos embarques do avô, da emigração, das cartas que chegavam lidas, não quero regresso!
Regresso que aceito é o da esperança, na noite da passagem do ano, em que desejávamos, em cima de uma cadeira, como num toque de magia o concretizar de todas as esperanças, mesmo as impossíveis!

Dão-nos um lírio e um canivete...


Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo

Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

1390 - Mudança de rumo III

1 - Acabaram as pinturas (UFFF!). Ao fim destes anos já só fica por pintar a cozinha e as casas de banho (temo que só de pronunciar o que não devia pronunciar a ideia se transmita por telepatia e estou desgraçado!) e ainda o escritório (que é o meu refúgio!). Nem concebo pintá-lo! só o trabalho de desarrumar milhares de livros para poder chegar às paredes desanima qualquer um...

2 - Ainda não houve muitos dias assim, mas lá chegarão!Que se lixe tudo resto!


















3 - Hora de ir a banhos e desligar...

segunda-feira, 25 de julho de 2011

1381 - Mudança de rumo!



















Pois! Já suspeitava que tal viesse a acontecer e a meio da semana tive a confirmação. Fim de um ciclo de já alguns anos!

Chateado?

Bom, hoje só me apetecem estas palavras: (inventarei novos caminhos)

Obrigado, 
pelo sol e pelo vento
pelo azul do firmamento
e pela estrela que há em mim.

Obrigado,
pelo tempo que passou, 
pelos passos pelos voos
e pela estrela que há em mim.

Obrigado,
por esse brilho no olhar
por essa chama que me queima
e pela estrela que há em mim.

Obrigado,
pela estrada percorrida
por esse dom por essa vida
e pela estrela que há em mim.

domingo, 3 de julho de 2011

1372 - Final de ano

Sempre que acabo as aulas e chego a Julho (embora ainda me faltem uns dias cheios de trabalho antes de entrar de férias), dá-me uma vontade irreprimível de arrumar e por em ordem o que foi ficando desarrumado ao longo do ano.

Ainda não cheguei aos meus papéis, até porque ainda preciso deles, para realizar as tarefas em curso, mas hoje foi dia da garagem que já não era arrumada há muito tempo.
Enchi um contentor da rua com lixo. É impressionante o conjunto de coisas que guardamos só porque se coloca a ideia que podem vir a fazer falta. Qual o quê? passam-se meses e anos e nunca se voltou a usar e fica só a ocupar espaço: sapatos, tapetes do carro, eu sei lá que mais.

Fiquei todo partido mas a garagem ficou arrumadinha. Será a forma de exorcizar as nossas  dores e males? (arrumar/arquivar; deitar fora)

domingo, 15 de maio de 2011

1341 - Momentos de um dia



















1 - Semana artística na minha escola - Francamente achei a exposição com muita qualidade. Os alunos articularam com a História e explicaram através da pintura as principais correntes artísticas. Excelente


















2 - No comboio a caminho de um congresso. O rio Tejo é excelente companhia. O rio que corre na minha aldeia não vai dar a lado nenhum... O Tejo...
Bela a viagem ao longo do rio. No tempo cronológico e psicológico; belo o entardecer, belos os rebanhos, as manadas e as pastagens...

















3 - Oportunidade para rever a minha tese. Finalmente tive um tempo adequado para ler de uma ponta à outra. Deu para fazer uma série de anotações. Bendito comboio.

4- oportunidade para ouvir vários discos do Madredeus. Não sei se há céu, mas que há momentos de eternidade e pura beleza, isso há

sexta-feira, 29 de abril de 2011

1331 - (suspiro)

Hum... (suspiro)

Melhores dias virão ou então resta-me ficar aqui a comtemplar este momento que não passa pois é bem melhor do que o "outro" que passa

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

1290 - Dia(s) de sol II
































Cena 1 - Como em cerca de três semanas as cores da minha Lisboa mudaram tanto. Um dia concretizarei o sonho de ser pintor de palavras/momentos/cores. No fim de contas, escritor e pintor são duas formas de expressão similares. Cada um retrata o vivido da sua forma.

Cena 2 - (Ao acordar) - A laranjeira tem flores!!! finalmente!!! já tive quase para a arrancar pois, ao fim de três anos em que nada acontecia mantendo-se a árvore quase do mesmo tamanho minorca, já me estava a fartar...
Bendito borda d'agua que me mandou "botar" calda bordalesa para além do adubo que lhe fui dando ao longo de todo o ano passado a acrescer alguns tratamentos contra algumas pragas...

Cena 3 - À saída para o almoço deparei com alunos de uma escola, a desenhar fachadas à vista! só não os fotografei por vergonha! Cada um deles dava o seu melhor: Olhavam, interiorizavam, expressavam-se... a maior parte deles concentrados na tarefa.

Cena 4 - Passava na rádio e não pude deixar de cantarolar

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

1285 - Nem sei que nome dar a isto...



















Bom... narcisismo também não será...
Mas com eles duram não mais que três semanas e estão tão lindos aqui no jardim que resolvi fotografa-los para guardar o momento

Adiante...

1ª reflexão - Há uma coisa que considero inexplicável e até acho injusta. há pessoas que parece serem bafejadas pela sorte (ou será que a conquistam?) e há outras que parece que puxam o azar, havendo ainda outras que pura e simplesmente estão na hora errada no local errado.

Olhando para trás parece-me que me incluo nas do primeiro grupo... já vi muitas portas se fecharem atrás de mim e já passei por momentos em que não vislumbrava saída válida e tudo parecia sem saída... Depois dessas portas se fecharem, isso foi sempre ocasião de outras se abrirem parecendo-me a mim que a mudança até foi para melhor. Aqui parece que o ditado se deveria reescrever para: "não há mal que sempre dure e não se acabe". O que não nos mata, torna-nos mais fortes

2ª reflexão: Sempre procurei ser profissional e competente naquilo em que me meto. Por vezes acho até que esse é o mal (já sei, tenho a mania que sou bom... tenho que comprar uns óculos de diminuir o ego) e muitas vezes achei que fui posto fora exactamente por isso. Por poder fazer frente a interesses ou situações instituídas. É a vida como dizia o nosso ex 1º ministro

3ª reflexão: Este ano fui "promovido" a professor de base deixando de ser coordenador de departamento. Não me interessam agora os pormenores nem estava agarrado ao cargo...
Apenas se punha agora uma questão de consciência em relação à avaliação de desempenho

Sempre fui contra! avaliei colegas porque estes assim o pediram. Eram meus pares e desejaram-no. Quem era eu para lhes negar esse direito?

Agora colocava-se uma questão de coerência. Já tenho caminho de muitos anos feitos com os os meus pares. Avaliei-os e como me decidir agora? manter uma posição coerente e estar contra esta avaliação de desempenho ou manter uma posição de coerência e, pelos meus pares, sujeitar-me ao que eles se sujeitaram de modo a que estes percebessem que eu não tive só teorias baratas para eles e que estava no mesmo barco em perfeita solidariedade: PROFESSOR com muito gosto e orgulho? Que porra... fazemos caminho há tantos anos e qando chegava a minha vez não me atrevia a mostrar os meus pontos fracos parecendo ter medo de me expor perante eles?

Escolhi o mais difícil. Escolhi ter aulas observadas (não porque concorde mas por pura solidariedade pelos meus pares).
Tive a sorte de a minha avaliadora (que já foi minha avaliada - ridículo sistema este) ser mesmo uma pessoa honesta e profissional que tem procurado fazer caminho comigo e percebeu que já tenho 23 anos de carreira e que não estou em estágio e não sou miúdo...

Hoje entrou na minha sala com avaliadora e não como colega... confesso que me senti meio humilhado de início (coisa que ela e outros há dois anos terão sentido de mim- nada como passar por elas para se perceber como é a vida). No entanto tudo foi esquecido e o debate pós aula foi riquíssimo!

Riquíssimo mesmo. Falámos do orgulho em ser professor. Falámos que o avaliador não trabalha com o professor apenas na sala de aula. Ele tem que apreender o modo como o professor se envolve com os seus alunos numa situação de classe, mas também como este se implica junto da comunidade escolar e na sociedade que envolve a escola. Porque trabalha com ele como profissional, mas também enquanto pessoa.
Falámos que o avaliador tenta responder às seguintes questões: Onde ensina? O que é que ele ensina? Como é que ensina? O que aprendem os seus alunos? Como se auto avalia? Que capacidade tem para reformular a sua actuação? Com que profundidade domina as matérias que pretende ensinar? Falámos que, por outras palavras o avaliador avalia o professor em vertentes tão diferenciadas quanto o são o seu ser, o seu saber e o seu saber fazer. Logo, o avaliador tem que estar atento a um grande número de variáveis que intervêm na função docente: variáveis de produto, de processo, de presságio, de carácter pessoal e profissional...

Depois disse-me coisas que eu intuía mas nunca tinha consciencializado nem nunca ninguém me dita dito: Tu sorriste para os alunos a aula toda! isso é muito positivo! Tu fizeste-os pensar! Tu deixaste-os falar de si e com ordem...

E é verdade. Quase sempre sou de muito afecto (excepto naqueles dias negros em que o actor não consegue desligar do papel que representa fora da escola ou um dos miúdos descarrega com o primeiro adulto que lhe aparece em frente e a desconsideração não é para mim mas para o adulto que lhe apareceu à frente (embora isso só se perceba após a aula)
Sei bem que um professor tem que aprender o que ensina, o modo de ensinar e tudo (mesmo tudo) sobre os alunos que vão ser sujeitos à sua actividade profissional. Mas não se iludam: depois de tudo isso um professor nunca está formado. Tem que aprender sempre. Um professor carrega para toda a vida o fardo de ter que ser aluno de si próprio. De se cuidar, de estar sempre atento, ter os pés bem postos no presente e os olhos bem focados no futuro.
Por tudo isso o professor é obra permanentemente inacabada. É contentor onde cabe sempre mais alguma coisa. O professor é um intelectual, mas também é um artesão; é um teórico, mas que tem que viver na e com a prática; é um sábio, mas que tem de aprender todos os dias; é um cientista que tem que traduzir a sua experimentação para mil linguagens; é um aprendente que ensina; é um fazedor dos seres e do saberes; mas é também um homem, ou uma mulher, como todos nós, frágil, expectante e sujeito às mais vulgares vulnerabilidades.

Por tudo isto senti-me hoje um homem cheio de sorte. Tive à minha frente uma colega que soube desempenhar o seu papel com mestria e me soube potenciar como professor ao mostrar-me o que eu não vejo por estar do outro lado

A avaliação de desempenho poderia ser tão diferente se...
Quer isto dizer que concordo com este modelo de avaliação de desempenho? Não, não, nunca! Quer dizer que tenho muita sorte com os ambientes onde me movo e faço amizade com excelentes profissionais que sabem fazer ouro onde só existe mer...
Felizmente que apesar de todas as políticas de educação que considero erradas quem têm saído o meu departamento ainda é capaz de fazer um almoço do fim de ano num restaurante ao pé da praia e somos capazes de nos olhar todos "olhos nos olhos"

---

(sim... relendo tudo isto reconheço poder ser profundamente incoerente e estar a alinhar numa farsa sem sentido que só alimentará o ego de alguns decisores políticos. pode ser. Neste tribunal da minha consciência continuo a argumentar que quis por a mão na massa e passar pelo que os meus pares passaram, sobretudo porque fui eu que tive de assumir o papel de avaliador antes e terei sido tão bom que tiveram que me me apear não fosse... É que isto de pensar num meio em que muitos não pensam é perigoso... Ganhei com isto a minha face e a possibilidade de os olhar olhos nos olhos... Vejam não tive teorias baratas só para vocês e quando chegou a minha vez fugi... aqui estou eu, para isto e para o que vier a seguir

Irei para a rua seguramente um destes dias para exigir uma avaliação que nos faça crescer a todos como profissionais e não esta em que se procura através do preenchimento de papeis impedir a progressão

sábado, 15 de janeiro de 2011

1258 - Intuições... Feed-backs... Desilusões II

























Ainda esta dialéctica razão/coração...

Não é de fácil gestão a vida de quem se deixa guiar assim...

Amar ou odiar ou tudo ou nada. É um raio de um feitio que não permite meios termos. Sol ou tempestade, o que é isso de brisa? não sei, só conheço a calmaria e o vendaval!

---

Eu queria que o Amor estivesse realmente no coração,
e também a Bondade,
e a Sinceridade,
e tudo, e tudo o mais, tudo estivesse realmente no coração
Então poderia dizer-vos:
"Meus amados irmãos,
falo-vos do coração",
ou então:
"com o coração nas mãos".

Mas o meu coração é como o dos compêndios
Tem duas válvulas ( a tricúspide e a mitral)
e os seus compartimentos (duas aurículas e dois ventrículos).
O sangue a circular contrai-os e distende-os
segundo a obrigação das leis dos movimentos.

Por vezes acontece
ver-se um homem, sem querer, com os lábios apertados
e uma lâmina baça e agreste, que endurece
a luz nos olhos em bisel cortados.
Parece então que o coração estremece.
Mas não.
Sabe-se, e muito bem, com fundamento prático,
que esse vento que sopra e ateia os incêndios,
é coisa do simpático.
Vem tudo nos compêndios.

Então meninos!
Vamos à lição!
Em quantas partes se divide o coração?

António Gedeão

---
Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz
Manso ou feroz
Eu caçador de mim

Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu, caçador de mim

Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim

Milton Nascimento

1257 - Intuições... Feed-backs... Desilusões


Este início do ano tem sido muito intenso e chegado ao 2º fim de semana do ano já parece que se passaram anos desde a pausa de Natal.

Por agora olho pela perspectiva de achar que a minha intuição estava certa quando combati há tempos atrás determinadas opções/medidas que não me pareceram bem.

(não, não me considero nenhum herói e falta-me muito para atingir os calcanhares de gente muito lutadora e coerente)

No entanto, tomei algumas atitudes que me custaram caro (fruto de impulso?, teimosia?, defeito?) ou como forma de não ceder a princípios e poder-me olhar ao espelho de manhã.

Vejo agora que a maior parte dos colegas que comigo partilham a desbravar de caminhos e a vivência quotidiana de procurar realizar-se pessoal e profissionalmente ganhando ainda o pão de cada dia me acolhem com amizade e comigo têm conversas mais ou menos longas/mais ou menos íntimas

Afinal, não estava errado (nem foi erro de percepção). Este meu coração tem a mania de mandar em mim e põe-se a caminho expondo-me a consequências mais ou menos imprevisíveis. Paciência!

(Podia ser mais sensato? podia
Sou ainda muito ingénuo e por vezes D. Quixote? (sim, mas também acho que com 40 e muitos já me vejo mais sabido e muito menos ingénuo. Será bom, será mau? Acho que é uma aprendizagem e uma adequação a uma vida em sociedade - doutro modo seria um inadaptado)

Por estes dias as conversas versam o tema da desilusão e desencanto... Como foi possível que determinados ambientes e pessoas mudassem tanto?

Que bom sentir que a minha intuição funciona e que não se podia estar de bem com Deus e com o Diabo? que bom perceber que tinha razão, que bom perceber que a frontalidade merece reconhecimento e que muitas amizades ficaram... e que me são cobradas as ausências e que esperam um bocadinho de atenção da minha parte...

---

Também foi bom ter participado numa visita de estudo a meio da semana. Os miúdos foram super bem comportados. Souberam estar uns com os outros e com os professores com muita simplicidade, doação e alegria tão própria deles. Gostei de perceber que cada vez sou melhor professor a nível dos afectos. E o dia de Sol que esteve (!) fantástico

(lembro-me bem que com os meus 19, 20, 21, 22, e mais alguns anos me centrava muito em mim com medo de perder o controle e com dúvidas na minha capacidade)

Vejo-me agora sem grandes problemas de fazer entender aos miúdos sem necessidade de gritar e de me impor que há momentos para rir e há momentos para trabalhar e aprender. Há ainda todos os momentos para ser afectuoso sem que isso me levar a perder o pé com eles ao nível de estes perceberem que há um professor e há alunos.
Gostei muito dos "toques" que dei e que recebi nesse dia.
Estes cabelos brancos e alguma serenidade e postura fazem milagres e os miúdos gostam de se sentir seguros e de saber que são ouvidos com atenção!

Este meu coração não tem mesmo cura! Razão/Coração. Este equilíbrio tão difícil de alcançar mas a consolação de poder dizer se morresse hoje que procurei sempre ser verdadeiro (ou quase sempre pois não sou nenhum modelo de perfeição) com tudo de bom e de mau que isso possa ter

Talvez deva aprender ainda mais a não ainda tão ingénuo mas...
Quem deixa coração voar tem que se habituar a momentos de exaltação, de desilusão e de paz. Confiar nas pessoas até ao limite tem estas consequências. Ganha-se tudo ou perde-se tudo. Não há cá meios termos


A côr do meu batuque
Tem o toque, tem o som
Da minha voz
Vermelho, vermelhaço
Vermelhusco, vermelhante
Vermelhão...


O brilho do meu canto tem o tom
E a expressão da minha côr
Vermelho!...

A côr do meu batuque
Tem o toque, tem o som
Da minha voz
Vermelho, vermelhaço
Vermelhusco, vermelhante
Vermelhão...

Meu coração é vermelho
Hei! Hei! Hei!
De vermelho vive o coração
He Ho! He Ho!
Tudo é garantido
Após a rosa vermelhar
Tudo é garantido
Após o sol vermelhecer...

Vermelhou o curral
A ideologia do folclore
Avermelhou!
Vermelhou a paixão
O fogo de artifício
Da vitória vermelhou...(2x)

A côr do meu batuque
Tem o toque, tem o som
Da minha voz
Vermelho, vermelhaço
Vermelhusco, vermelhante
Vermelhão...

O velho comunista se aliançou
Ao rubro do rubor do meu amor
O brilho do meu canto tem o tom
E a expressão da minha côr
Vermelho!...

A côr do meu batuque
Tem o toque, tem o som
Da minha voz
Vermelho, vermelhaço
Vermelhusco, vermelhante
Vermelhão...

domingo, 9 de janeiro de 2011

1252 - Que semana tão compriiida



















Parece que passou um mês desde 2ª feira!
Que semana tão longa

---

É engraçado, este é um pensamento que já há muito tempo não tinha. Lembro-me das idas e vindas de comboio de Lisboa para Coimbra enquanto estudante. Parecia que eram viagens no tempo e que entrava noutra dimensão

Esta semana pareceu-me igual. De tão cheia e multifacetada já nem reconheço o João de dia 2 de Janeiro. Quem era esse que agora me parece tão estranho?


E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

1251 - O Amor e a loucura


A Loucura resolveu convidar os amigos para tomar um café em sua casa.
Todos os convidados foram. Após tomarem café a Loucura propôs:
- Vamos brincar de esconde-esconde?
Todos aceitaram, menos o Medo e a Preguiça.
- 1, 2, 3, ... - a Loucura começou a contar.
A Pressa escondeu-se primeiro, num lugar qualquer.
A Timidez, tímida como sempre, escondeu-se na copa de uma árvore.
A Alegria correu para o meio do jardim.
Já a Tristeza começou a chorar, pois não achava um local apropriado para se esconder.
A Inveja acompanhou o Triunfo e escondeu-se perto dele, debaixo de uma pedra.
O Desespero ficou desesperado ao ver que a Loucura já estava no noventa e nove ...
- Cem, gritou a Loucura. Vou começar a procurar.
A primeira a aparecer foi a Curiosidade, que já não aguentava mais.
Ao olhar para o lado, a Loucura viu a Dúvida em cima de uma cerca sem saber em qual dos lados iria se esconder.
E assim foram aparecendo a Alegria, a Tristeza, a Timidez...
Quando estavam todos reunidos, a Curiosidade perguntou: - Onde está o Amor?
Ninguém o tinha visto.
A Loucura começou a procurá-lo. Procurou em cima da montanha, nos rios, debaixo das pedras e nada do Amor aparecer.
Procurando por todos os lados a Loucura viu uma roseira, pegou um pauzinho e começou a vasculhar entre os galhos, quando de repente ouviu um grito.
Era o Amor, que havia furado o olho com espinho. A Loucura não sabia o que fazer. Pediu desculpas, implorou pelo perdão do Amor e até prometeu seguir-lhe para sempre.
O Amor aceitou as desculpas.
Desde então, o Amor é cego e a Loucura sempre o acompanha...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

1204 - Mais sereno...

Após um início de Outono passado com alguma falta de serenidade parece que alguma tranquilidade regressou.

A consciencialização de que há gente que se mantém sempre ao lado e que me dão provas de assim se manterem apenas porque sim.

A consciencialização de que faço algumas coisas bem e que isso faz sentido para os outros e para mim.

A consciencialização de que consigo acabar bem as tarefas a que me vou propondo

A consciencialização de que há muitos outros iguais a mim e que as questões não podem ser pessoalizadas

A consciencialização que este desejo de infinito e de tudo abarcar é inerente à condição humana e é mola e motor do agir e da não acomodação

A consciencialização de que há coração e que há cérebro sempre numa dupla tensão

A consciencialização de que há dias felizes que devem servir para nos aquecer as mãos nas noites de inverno como dizia ontem o António Lobo Antunes (ver post anterior)

Se Eu Pudesse Trincar a Terra Toda

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento ...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva ...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja ...

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXI"
Heterónimo de Fernando Pessoa

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

1201 - Vivaldi as 4 estações



Felizmente que de vez em quando há a possibilidade de um momento "zen" da semana (era bom que fosse do dia)...

Após um dia de trabalho e uma formação, eis que entro no carro pelas 9 da noite e começo a conduzir pela estrada deserta, num caminho de mais de uma hora até casa...
Coloco Vivaldi no leitor de CD e a magia acontece!

Aumento o volume ao limite possível e...
...
Deixo-me guiar
pela magia
Belo, simplesmente belo
...

Chego outro a casa

(seria tão bom morrer assim... a beleza, um embate... o silêncio... tudo muito rápido)

domingo, 12 de setembro de 2010

1174 - O meu 11 de Setembro


Todos apresentámos os nossos trabalhos finais e o curso acabou à hora de almoço e tivemos a oportunidade de ter todo o resto do dia livre.
Da minha parte optei por ir a Valleta para ver o museu da Guerra (1ª e 2ª).

(gostos...
sou muito sincero. Tenho lido imensos livros e filmes sobre o assunto e gosto de História. Malta sofreu tremendos bombardeamentos e a coisa foi de tal ordem que o país tem na bandeira a cruz de S. Jorge recebida pela bravura na defesa da ilha). Após ter visto a casa de Anne Frank, foi a primeira vez que vi algo deste tipo.

Confesso que me comovi lá dentro. Perceber que milhões de homens dos dois lados foram carne para canhão de meia dúzia de loucos paranóicos. Perceber o sacrifício de milhões para que fosse possível manter a liberdade no mundo. Perceber que um spitfire (tal como os outros aviões da guerra era um avião tão frágil que mete impressão como é que aqueles homens se metiam lá dentro. Perceber que enormes passos foram dados na Europa na tentativa de manter a paz. A este propósito não me deixou de comover ver um casal de meia idade de lágrimas no olhos.... Suponho que seria(m) filho(s) de alguém que teria morrido na guerra. Estas feridas custam muito a sarar. Ter construído uma ideia de Europa em paz é qualquer coisa que faz muito sentido apesar da concretização económica não ser minimamente a ideal...


Após esta visita, e eis outra incoerência após o post de ontem, juntei-me ao grupo (italiana e Sueca) que foi para a praia no lado oeste da ilha. (as viagens no autocarro público são indescritíveis). Por ali ficámos até ao entardecer. Foi uma tarde fantástica!
Se a isso juntarmos que a vila estava virada para o por do sol e que a luz do sol poente se reflectia nas fachadas das casas tal como em Lisboa, foi a cereja em cima do bolo.

Por sorte, após o banho no hotel, encontrei um grupo participantes: Polacas, Búlgara, Sueca e a conversa acabou por cair na questão: antes e depois da cortina de ferro...
(talvez fruto do meu relato sobre a visita ao museu da guerra)
Tentei ouvir mais do que falar, pois é uma questão muito sensível ter opinião sobre a vida na Polónia na presença de polacos.
Foi uma noite fantástica e um 11 de Setembro inolvidável
---
Ah! percebi a importância de haver neve no Inverno Sueco. Os dias que são sempre noite ficam mais claros pois a pouca luz reflecte-se...

domingo, 20 de junho de 2010

1132 - A minha terra



Até há alguns anos tinha uma certa inveja das pessoas que tinham uma "terra" ou que iam à "terra". Eu, como filho da margem sul e vivendo sempre nela (excepto durante um ano de estudos em Coimbra) sentia-me sem terra.

Esses tinham identidade. Eu tinha uma cidade de casas e mais casas com um ou outro espaço com alguma beleza.

De há uns tempos para cá, sobretudo a partir das comemorações do 25 de Abril comecei a sentir-me identificado com a minha terra, embora essa identificação ainda não fosse racionalizada ou tivesse consciencializado isso.

Ao ver este vídeo que a Teresa me enviou consciencializei e verbalizei que tenho, de facto, uma terra.
Sinto orgulho dela! sinto-me identificado com alguma marginalidade, com uma certa urbanidade, com um viver de outra forma, identificado com o mundo do trabalho e do operariado.
Gosto da poesia urbana dos UHF, Da Wiesel, oquestrada...

Não pensem que me ofendem com certos estereótipos, antes pelo contrário. Identifico-me com eles

Eu sou português
aqui
em terra e fome talhado
feito de barro e carvão
rasgado pelo vento norte
amante certo da morte
no silêncio da agressão.

Eu sou português
aqui
mas nascido deste lado
do lado de cá da vida
do lado do sofrimento
da miséria repetida
do pé descalço
do vento.

Nasci
deste lado da cidade
nesta margem
no meio da tempestade
durante o reino do medo.
Sempre a apostar na viagem
quando os frutos amargavam
e o luar sabia a azedo.

Eu sou português
aqui
no teatro mentiroso
mas afinal verdadeiro
na finta fácil
no gozo
no sorriso doloroso
no gingar dum marinheiro.

Nasci
deste lado da ternura
do coração esfarrapado
eu sou filho da aventura
da anedota
do acaso
campeão do improviso,
trago as mão sujas do sangue
que empapa a terra que piso.

Eu sou português
aqui
na brilhantina em que embrulho,
do alto da minha esquina
a conversa e a borrasca
eu sou filho do sarilho
do gesto desmesurado
nos cordéis do desenrasca.

Nasci
aqui
no mês de Abril
quando esqueci toda a saudade
e comecei a inventar
em cada gesto
a liberdade.

Nasci
aqui
ao pé do mar
duma garganta magoada no cantar.
Eu sou a festa
inacabada
quase ausente
eu sou a briga
a luta antiga
renovada
ainda urgente.

Eu sou português
aqui
o português sem mestre
mas com jeito.
Eu sou português
aqui
e trago o mês de Abril
a voar
dentro do peito.

Et voilá!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

1124 - Não ainda não cheguei a um estado zen

Não ainda não cheguei a um estado Zen (ver texto abaixo), mas também não quero chegar a um estado de absoluta paranóia, fechado num mundo do diz-que-diz e numa análise do significado de pequenas coisas que podem querer dizer isto ou aquilo.

Definitivamente não quero isto para mim!
Paranóia... Nunca!


De há uns meses para cá fui percebendo que um ciclo se fechou e que estava à espera de algo que NUNCA (N u n c a ) viria.
Como dizia o outro, ninguém se banha duas vezes na mesma água de um rio e eu esperava que a água viesse de novo de modo a poder nela banhar-me.

Basta!

Quero partir para outra... Estou a partir para outra!

Investi muito? Sonhei grande? paciência. Como costumava dizer a muitos: não olhes para o que perdeste nem para as opções que não fizeste... Lembra-te que o melhor ainda está para vir e que quem sabe faz a hora

Novos projectos, novas metas, novos desafios e um mestrado que retomei!
Não sei para onde vou! mas sei que nenhum vento é favorável para quem não sabe para onde vai e, sobretudo, para quem está amarrado a terra. O caminho faz-se, fazendo e partindo

Partirei pois (aliás, já parti!) não esperarei mais


Quanto à fúria da história abaixo, se calhar, foi o que tentei fazer durante alguns tempo. Confesso que perdi a paciência!


"A Lição da Paciência


Um mandarim que se preparava para desempenhar um importante cargo oficial recebeu a visita de um amigo que lhe foi apresentar as despedidas. Abraçaram-se e o amigo recomendou-lhe:
— Acima de tudo, no desempenho das tuas importantes funções, nunca percas a paciência.

Prometeu o mandarim que nunca esqueceria este precioso conselho.
Três vezes repetiu o amigo a mesma recomendação, provocando o enfado do mandarim. Quando se preparava para o fazer pela quarta vez, o mandarim exaltou-se e gritou:
— Basta, eu não sou surdo e muito menos sou um imbecil!

Então o amigo, acalmando-o com a mão posta sobre o seu ombro, fez este comentário:
— Podes assim ver como é importante ser paciente. Três vezes ouviste o meu conselho, já não conseguindo dissimular o enfado. À quarta vez não conseguiste controlar a fúria. O que acontecerá quando, no desempenho do teu cargo, tiveres de ser verdadeiramente paciente?

O amigo baixou os olhos para o chão e limitou-se a suspirar.


J. J. Letria
Contos da China antiga
Porto, Ambar, 2002"

domingo, 25 de outubro de 2009

930- que caminho tão longo (três cantos) II



Memórias de uma 6ª feira:

1 - Alinhamento do concerto - Três cantos

Do José Mário Branco:
1 - Inquitação
2 - Eu vi este povo a lutar (confederação)
3 - Ser solidário
4 - Onofre
5 - Canção dos torna viagem
6 - Mariazinha
7 - Mudam-se os tempos mudam-se as vontades
8 - Travessia do deserto
9 - Emigrantes de 4ª dimensão

Do Fausto:
10 - Foi por ela
11 - Rosalinda
12 - Como um sonho acordado
13 - Lembra-me um sonho lindo
14 - Quando às vezes ponho diante dos olhos
15 - ???
16 - ???
17 - ???


Do Sérgio Godinho:
18 - Cuidado com as imitações
19 - A barca dos amantes
20 - O primeiro dia
21 - A liberdade está a passar por aqui
22 - Que forma é essa?
23 - Quatro quadras soltas
24 - Era uma vez um rapaz
25 - ???

Comum:
26 - Charlatão

Inédito:
27 - Tem que ser...

Faltam-me aqui umas músicas. Quem me ajuda?

Já quanto ao alinhamento, consegui reconstruir:

23, 8, 11?, 9, 4, 23,... ... 11, 5, 6, 19, 18, 25, 20, 26, ... 22, 3, 1, 2, 7, 25 - Quem me ajuda?

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2 - Ainda na 6ª, no metro, tive oportunidade de continuar a leitura de: "O ano da morte de Ricardo Reis" de José Saramago... ainda vou muito no início mas confesso que me está a encher as medidas... Aquela descrição da arrumaçãodas bagagens no quarto de Hotel em que se alinham os poemas do Ricardo Reis está cinco estrelas:

Vivem em nós inúmeros;
Se penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente.
Sou somente o lugar
Onde se sente ou pensa.

Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos.
Faço-os calar: eu falo.

Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam
A quem me sei: eu 'screvo.


Continua Saramago: "e, não acabando aqui, é como se acabasse, uma vez que para além de pensar e sentir não há mais nada. Se somente isto sou, pensa Ricardo Reis depois de ler, estará pensando agora o que eu penso, ou penso que estou pensando no lugar que sou de pensar, quem estará sentindo o que sinto, ou sinto que estou sentindo no lugar que sou de sentir, quem se serve de mim para sentir e pensar, e, de quantos inúmeros que em mim vivem, eu sou qual [...] Juntou os papéis, vinte anos dia sobre dia, folha após folha, guardou-os numa gaveta da pequena secretária, fechou as janelas..."

3 - Já fiz as pazes com ela...

Vem agora todas as tardes e, guardando as distâncias (como lhe convém a ela mas não a mim) por aqui se detém até ao entardecer, altura em que se some para dormir não sei onde...
É tão insegura e desconfiada... coisas da vida. Não é a única nem será a última decerto.

1908 (da consciência da existir) - 25 anos de trabalho em bibliotecas

Faz hoje, dia 1 de setembro, 25 anos que comecei a trabalhar no mundo das bibliotecas escolares. Tudo começou a 1 de setembro de 2001, por a...