Esta foi a minha leitura (por acaso é uma releitura) nos últimos dias. "Se não sabe porque é que pergunta?" é um dos dois livros que passaram a escrito os diálogos de João dos Santos com João Sousa Monteiro num programa de rádio que passou na rádio comercial nos anos 80 do século passado.
São conversas interessantíssimas sobre educação, psicologia do desenvolvimento, entrada na escola, dificuldades na leitura, relações entre pais e filhos.
É extraordinária a forma simples como são debatidas estas temáticas e criam alguma sensibilidade no leitor para abordar questões muito comuns quando se é professor ou se tem filhos.
Não, não é eduquês! é muito bom senso aliado a uma grande experiência pessoal e profissional. É sobretudo muita atenção ao outro!
Sinto-me muito mais rico
Mostrar mensagens com a etiqueta João dos Santos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta João dos Santos. Mostrar todas as mensagens
terça-feira, 1 de março de 2011
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Ensaios sobre educação II - O falar das letras
Esta foi a minha leitura durante uns dias.
É um livro de pequenos textos soltos que foram saindo no Jornal da Educação pelos idos 1979 (Ano Internacional da Criança) e 1980
É um gosto (?- infelizmente) perceber que as suas reflexões continuam profundamente actuais na sociedade portuguesa!
A maior parte das crónicas dizem respeito aos problemas da iniciação escolar, outras dizem respeito à angústia de existir e outras ainda dizem respeito a tantas burocracias da administração e falta de um olhar mais atento de pais e educadores...
Deixei marcadores em mais de uma dezena de páginas. Parece tudo tão simples e fazemos tudo tão complicado...
Num dos post anteriores deixei um dos textos que marquei. Ver aqui
domingo, 16 de maio de 2010
Como libertar a escrita...
A propósito de um livro de João dos Santos que ando a ler
Textos citados de SANTOS, J. (1983). Ensaios sobre Educação II. O falar das letras. Livros Horizonte: Lisboa.
“ (…) Fui a férias a Londres e levei o meu neto Miguel, com quem passeei e conversei. Aproveitei para ir visitar o meu filho Luís, para falarmos - e falámos. Falámos de tudo e de nada.
Ele contou-me, a propósito de aprender a escrever: «Lembro-me daquela época do meu 4.° ano do liceu, quando eu não conseguia ter mais de 7 ou 8 de classificação, em Português. Num dia de ponto falei nisso ao pai e o pai foi a conversar comigo até ao liceu. Explicou-me que não se escrevia com a caneta e a mão, mas com as ideias e a imaginação. Que para a coisa sair certa era preciso a pessoa viver urna situação imaginária ou real e só então passa-la ao papel. No caminho, fomos fazendo exercícios escritos a falar!... «Cheguei lá e fiz o ponto que foi uma limpeza»!
Ele contou-me, a propósito de aprender a escrever: «Lembro-me daquela época do meu 4.° ano do liceu, quando eu não conseguia ter mais de 7 ou 8 de classificação, em Português. Num dia de ponto falei nisso ao pai e o pai foi a conversar comigo até ao liceu. Explicou-me que não se escrevia com a caneta e a mão, mas com as ideias e a imaginação. Que para a coisa sair certa era preciso a pessoa viver urna situação imaginária ou real e só então passa-la ao papel. No caminho, fomos fazendo exercícios escritos a falar!... «Cheguei lá e fiz o ponto que foi uma limpeza»!
Textos citados de SANTOS, J. (1983). Ensaios sobre Educação II. O falar das letras. Livros Horizonte: Lisboa.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
921 - A verdadeira educação consiste em fazer falhar a educação que recebemos...

A verdadeira educação consiste em fazer falhar a educação que recebemos...
Pois significará que pensamos pela nossa cabeça. Apenas isso! (não tem outro sentido)
---
O ESCARAVELHO DAS ROSEIRAS
Era criança pequena quando me mostraram
que havia pessoas más e pessoas boas
e eu senti qeu se deveriam matar todas as pessoas más.
Era menino crescido quando me disseram
que havia homens bons e homens maus
e eu achei que se deveriam matar todos os homens maus.
Era já grande quando me explicaram que havia os prevertidos e os outros
e eu achei que se deveria matar todos os prevertidos.
Era já homem quando me ensinaram
que se deviam matar todos os descrentes, mas ...
Não cheguei a perceber de que descrentes se tratava.
Ouvi dizer mal dos brancos e dos pretos,dos vermelhos e dos amarelos,
dos sábios e dos ignorantes
dos inteligentes e dos estúpidos.
Por pouco não matei toda a gente para ficar só com: os bons, os sábios e os inteligentes!
Cansado de procurar a verdade, acabei por matar em mim o desejo de matar o medo de ser morto.
Espero que os homens se não matem uns aos outros
só por eu ter deixado de estar alerta e de vigia
aos maus, aos estúpidos, aos mentecapto e aos pervertidos.
Porque, entretanto, nesta Primavera florida, vou passando semanas inteiras a imaginar com prazer, como hei-de matar ao domingo, os piolhos e os escaravelhos das minhas roseiras.
SANTOS,João dos.Ensaios sobre a educação II, O falar das letras. Lisboa:Livros Horizonte,1991
terça-feira, 13 de outubro de 2009
919 - Já estava com saudades

Sim, já estava com saudades de deixar o carro em casa e ir de transportes. Foi hoje.
(paradoxalmente sai-me mais caro! )
Saí cedinho e fui de transportes. Já há um mês que andava com um livro para trás e para a frente e nada... Hoje acabei-o.
Devia fazer isto mais vezes.
Deste modo, despachei para aí as últimas 70 folhas do livro "eu agora quero ir-me embora" que é a passagem a papel de um programa de rádio dos anos 80, da Comercial, no qual João dos Santos e João Sousa Monteiro convesavam sobre... A vida, acho eu...
Já o tinha lido há uns bons 15 anos atrás. Reli-o com gosto
Retive, como muito relevante e merecedora de uma maior reflexão, a passagem abaixo
(ah, e até deu para começar o Ano da Morte de Ricardo Reis de José Saramago)
---
"J.S.M. - E são justamente os sonhos, os sonhos acordados e os sonhos a dormir que é o que há de mais importante na vida interior de qualquer pessoa, é justamente isso que não tem o mínimo significado para a escola.
É pena que tudo quanto a professora desse menino encontrou para dizer acerca de ele andar sempre na lua foi que ele não tinha aproveitamento. Como se o aproveitamento pudesse interessar a alguém que está absorvido por coisas bem mais importantes, como era o caso desse menino. O único exame sério que esse menino tinha que fazer durante o seu ano escolar, durante o seu ano lectivo, era o tal sonho das «contas». E se a escola não serve para ajudar as crianças a passarem nesses «exames», que são os únicos exames importantes da vida, não serve para nada.
Esse menino passou nesse «exame», e pelos vistos bem, mas foi com a sua ajuda, não foi com a ajuda da escola. E felizmente que há uns meninos que conseguem, apesar de tudo, resistir às pressões da escola, e continuam a sonhar, continuam a procurar resolver os seus sonhos das «contas», mesmo que o aproveitamento seja uma miséria. Mas são poucos. A maioria, mais tarde ou mais cedo, acaba por ceder à febre do aproveitamento. E é por isso, entre outras razões, que há tantos doutores tão deprimidos. Passaram nos exames da escola, mas chumbaram nos «exames» da vida, o que é uma pena.
Lembro-me agora daquele físico... como é que ele se chama?... daquele físico que dirige um centro de investigação em Física das Partículas, associado àquele que é, creio eu, o maior acelerador de partículas do mundo... não me lembro... como é que ele se chama, um tipo com os cabelos todos brancos mas com uma cara engraçadíssima, de miúdo pequeno, um físico polaco, que dizia que as crianças é que põem as perguntas mais interessantes. É quando se pergunta: «Porque é que o ar é azul?», «como é que as aves voam?», «porque é que a lua não cai?»... «Mas os pais podem estar descansados», dizia ele, «porque logo que as crianças entram para a escola, ensinam-lhes a não fazerem perguntas, a deixarem-se disso, e quando elas aprendem a não perguntar, a sociedade faz delas bons polícias, bons advogados, bons comerciantes, bons cidadãos. Há no entanto alguns, poucos, muito poucos, que continuam a teimar em fazer perguntas.» «Esses, concluía o físico, são talvez os poetas.» E é verdade. É uma catástrofe, creio eu, que a escola seja quase sempre um enorme armazém de professores que há muito tempo deixaram de fazer perguntas. Ensinam os miúdos a dar respostas a perguntas que nunca fizeram, e essa é uma das melhores maneiras de fazer deles bons «polícias», em todo o sentido do termo, como dizia aquele físico. É pena, por exemplo, que essa professora nunca se tenha perguntado porque é que aquele miúdo andava sempre na lua. A escola não está lá para isso, já sei, mas é pena que não esteja."
Pag 129
Subscrever:
Mensagens (Atom)
1908 (da consciência da existir) - 25 anos de trabalho em bibliotecas
Faz hoje, dia 1 de setembro, 25 anos que comecei a trabalhar no mundo das bibliotecas escolares. Tudo começou a 1 de setembro de 2001, por a...
-
Creio que já publiquei "isto" aqui. Não interessa! Hoje, dei de novo de caras com o vídeo e, novamente, me deliciei a vê-lo. Claro...
-
Mais outro livro que se lê num só fôlego tal a forma como nos embrenhamos nela (até ia ficando fechado no metro, na última estação, por não ...
-
Bom... narcisismo também não será... Mas com eles duram não mais que três semanas e estão tão lindos aqui no jardim que resolvi fotografa-lo...
