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domingo, 22 de maio de 2011

1348 - Caravelas















CARAVELAS

Cheguei a meio da vida já cansada
De tanto caminhar! Já me perdi!
De um estranho país que nunca vi
Sou neste mundo imenso a exilada.

Tanto tenho aprendido e não sei nada.
E as torres de marfim que construí
Em trágica loucura as destruí
Por minhas próprias mãos de malfadada!

Se eu sempre fui assim este Mar morto:
Mar sem marés, sem vagas e sem porto
Onde velas de sonhos se rasgaram!

Caravelas doiradas a bailar...
Ai quem me dera as que eu deitei ao Mar!
As que eu lancei à vida, e não voltaram!...

Florbela Espanca

sábado, 4 de setembro de 2010

1165 - Estou a aprender a ser feliz (é mentira mas fica bem)


Depois do choque de Julho e de ter ficado meio "desasado", finalmente começo a "recalcar" a "coisa".

Por agora sinto-me bem feliz de ter "agarrado" uma vaga para a natação, coisa que já não conseguia há 10 anos.

Serão duas vezes por semana ao fim da tarde. Comecei hoje e soube-me muito bem!

Bom, só nadei 400 metros (com professor), bem longe dos 1000 que fazia há 10 anos. Mas que importa?

Nunca gostei do poema abaixo (e acho que nunca vou gostar) mas hoje, faz algum sentido!

Canção grata

Por tudo o que me deste
inquietação cuidado
um pouco de ternura
é certo mas tão pouca

Noites de insónia
Pelas ruas como louca
Obrigada, obrigada
Por aquela tão doce

e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui

Sem ironia aceita
A minha gratidão
Que bem que me faz agora
o mal que me fizeste

Mais forte e mais serena
E livre e descuidada
Sem ironia amor obrigada
Obrigada por tudo o que me deste

Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita

Eu volte a ser quem fui
Sem ironia aceita
A minha gratidão

Florbela Espanca

(1894-1930)

sábado, 3 de outubro de 2009

905 - Missão cumprida



Por estes dias andei envolvido num projecto internacional. Recebi cerca de 40 professores de toda a Europa e América na "minha" (nossa) casa.

Foi duro gerir sozinho toda a logística de um evento destes.

Não me queixo!

fi-lo por gosto! (também se fosse apenas trabalho nunca me meteria numa coisa destas!)

O pessoal ficou maravilhado com a nossa cultura, as nossas belezas naturais e o nosso profissionalismo.

Não pude deixar passar a ocasião para lhes passar alguns dos nossos maiores poetas (havia sempre ocasião para tal). Claro que as traduções, são sempre traições (e isso nota-se bem neste vídeo), claro que traduzir poesia é de loucos, claro que tentar passar a alma do poeta não faz sentido. O poeta é ele próprio e ninguém pode viver a sua vida, nem sentir o que ele sente.

No entanto...
Tenho a sensação de dever cumprido!

P.S. - O fantástico nestas coisas é perceber que as fronteiras são linhas desenhadas a régua e esquadiro em gabinetes e que as aves não as têm. Deixem-nos ser aves e voar

Poetas

Aí as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.

Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!

Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas

E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma para sentir
A dos poetas também!

Florbela Espanca

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

899 - Poetas



À procura de milhentas coisas e desbravando milhentos papeis descubro isto.

Fiquei parado a lê-lo durante uns bons minutos:


Poetas

Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.

Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!

Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas

E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma para sentir
A dos poetas também!


Florbela Espanca

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

284 - Definição de saudade II















Saudades

Saudades! Sim... talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão!

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!

Florbela Espanca

segunda-feira, 2 de abril de 2007

179 - À memória das almas dos poetas














Poetas


Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.

Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!

Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas

E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma pra sentir
A dos poetas também!

1908 (da consciência da existir) - 25 anos de trabalho em bibliotecas

Faz hoje, dia 1 de setembro, 25 anos que comecei a trabalhar no mundo das bibliotecas escolares. Tudo começou a 1 de setembro de 2001, por a...