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domingo, 18 de março de 2012

1477 - Manuel Alegre

Ontem foi mesmo um dia para "guardar na caixa das memórias".

O Manuel Alegre foi à Escola Secundária Emídio Navarro, em Almada, a convite do DN, devido ao facto de um grupo de alunos ter ganho um concurso promovido pelo jornal e que versava sobre fazer um editorial para esse mesmo jornal.

O tema escolhido pelos alunos foi a guerra na Síria... Daqui surgiu o contexto da visita do Manuel Alegre.

Confesso que adorei! e por vários motivos: um deles foi ouvir o pensamento de Manuel Alegre e o outro foi perceber que os miúdos até não eram tolos de todo e que foram capazes de colocar questões relevantes e organizar a sessão. Isto foi de tal ordem que o próprio Manuel Alegre, a páginas tantas, se entusiasmou.

A sessão começou com um enquadramento da obra do poeta e um dos miúdos disse:

Nambuangongo Meu Amor
 
Em Nambuangongo tu não viste nada
não viste nada nesse dia longo longo
a cabeça cortada
e a flor bombardeada
não tu não viste nada em Nambuangongo

Falavas de Hiroxima tu que nunca viste
em cada homem um morto que não morre.
Sim nós sabemos Hiroxima é triste
mas ouve em Nambuangongo existe
em cada homem um rio que não corre.

Em Nambuangongo o tempo cabe num minuto
em Nambuangongo a gente lembra a gente esquece
em Nambuangongo olhei a morte e fiquei nu. Tu
não sabes mas eu digo-te: dói muito.
Em Nambuangongo há gente que apodrece.

Em Nambuangongo a gente pensa que não volta
cada carta é um adeus em cada carta se morre
cada carta é um silêncio e uma revolta.
Em Lisboa na mesma isto é a vida corre.
E em Nambuangongo a gente pensa que não volta.

É justo que me fales de Hiroxima.
Porém tu nada sabes deste tempo longo longo
tempo exactamente em cima
do nosso tempo. Ai tempo onde a palavra vida rima
com a palavra morte em Nambuangongo.


Não tenho vergonha em dizer que me emocionei e sei que o Manuel Alegre também... Daqui surgiu uma intervenção muito bonita sobre a história de vida do poeta. Vida de estudante, tropa, regresso a Portugal, exílio, ... confessou a dificuldade em falar da guerra e dos sonhos que ainda tem recorrentemente  (como muitos ex-militares têm) sobre certos episódios da guerra. Daqui surgiu o contexto que torna este poema com ainda mais sentido para mim

 Metralhadoras cantam

Acenderam-se as armas pela noite dentro.
Quem rebenta? Quem morre? Quem vive? Quem berra?
Há um vento de lamentos nos lamentos do vento...

Metralhadoras cantam a canção da guerra.
Cantam granadas a canção da morte.
E há uma rosa de sangue à flor da pele.
Morrer ou não morrer é uma questão de sorte!

Metralhadoras cantam a canção da guerra.
Cantam bazucas e morteiros e estilhaços...
Cantam esta canção do aço que não erra
no espaço do seu fogo.
O espaço entre dois braços.

Cantam metralhadoras a canção da guerra.
Há um tiro que parte, há um corpo que tomba.
Desta boca fechada há um morto que berra:
Quem estoira no meu peito? O coração? Uma bomba?

Metralhadoras cantam a canção da guerra.
Todo o tempo é uma batalha.
Ataque. Fuga. Fuga. Ataque.
Silêncio. Um silêncio que aterra.
Que marca o rosto com seu peso ruga a ruga.
Um silêncio que canta na canção da guerra.
Mina. Emboscada. Pó. Pólvora. Sangue. Fogo!
Acerta. Não acerta. Erra. Não erra.
Perdeu todo o sentido dizer se galope.

Metralhadoras cantam a canção da guerra.
Cada segundo pode ser o último segundo.
Como enterrar os mortos que a memória desenterra?
Há um poço tão fundo... tão fundo... tão fundo...

Metralhadoras cantam a canção da guerra.
Há um soldado que grita: “Eu não quero morrer!”
E o sangue corre gota a gota sobre a terra.
Vai morrer gritando: “Eu não quero morrer!”

Metralhadoras cantam a canção da guerra.
Houve um que se deitou e disse: “Até amanhã!”
Mas amanhã é o dia em que se enterra
O soldado que disse: “Até amanhã!”

Metralhadoras cantam a canção da guerra.
E um jipe corre pela noite dentro.
Avança. Não avança. Emperra. Não emperra.
Passam balas de chumbo nas balas do vento.

Metralhadoras cantam a canção da guerra.
E há duzentos quilómetros de morte
Em duzentos quilómetros de terra.
Neste caminho de Luanda para o norte
Metralhadoras cantam a canção da guerra.

   
Depois... apenas registei algumas frases soltas que disse aos miúdos:
"Nunca nada está adquirido. Lutemos pela liberdade" ; "aprendam a ser livres"; "Não tenho alma de lacaio" ; "se não lutarem para ser livres, vão ser lacaios"; "Se não lutam para ser cidadãos, vão ser súbditos" ; "têm que ganhar a guerra do primeiro emprego"

"A constituição consagra o direito à desobediência em certas circunstâncias"

"A palavra [do poeta] é uma arma"; "não há poeta português que se preze que não tenha passado pela cadeia""; "A poesia e´o dom da música que está dentro da palavra"; "eu acredito no efeito mágico da palavra". 

Comovi-me diversas vezes... histórias de Coimbra ... já é uma vida sempre acompanhado, nos bons e maus momentos, com a poesia de Manuel Alegre.

No fim pedi-lhe dois autógrafos... Um na "praça da canção", já velhinho mas que me tem acompanhado sempre, sempre... e outro  "no miúdo que pregava pregos..." com que me identifico por eu próprio, já muitas vezes, me perceber em fazer introspecção sobre episódios da minha infância, já a fazer um balanço de percas e ganhos...

Que momentos fantásticos!

sábado, 14 de janeiro de 2012

1445 - Rema, rema

















Têm sido dias muito intensos, cheios de trabalho e sempre numa corrida de cá para lá e de lá para cá...

Felizmente que a baía do Seixal e o sempre lindo rio Tejo nos servem de refrigero nesta lufa, lufa...

Ontem tive a oportunidade de almoçar com um grupo de colegas após uma reunião de trabalho. O reflexo das casas do Seixal na água do Tejo estava fabuloso. Infelizmente não tinha a máquina e quem foi tirar fotos não apanhou  o enquadramento que fixei na minha caixa de recordações.
Cada vez me convenço mais que a vida deve ser vivida no gozo de pequenos momentos que tornamos eternos, se guardados na memória. Nessas alturas é... saborear
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Ah, havia por lá uma barquinha a chegar...
"Coitado de quem rema, rema que rema na lancha alheia todo o dia rema, rema e à noite fica sem ceia"

 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

1347 - Querido diário

Querido diário:

Dia muito "bonito" hoje, sol, natureza e rodeado de gente muito boa.
Dia de viagem a uma escola a sul de Lisboa para reflectir sobre as implicações da web 2.0 para a escola.
Gostei mesmo muito da conserva, da partilha e dos momentos de conversa franca e aberta!

Do dia fica o refrão desta fabulosa música do Sérgio Godinho: "lá em baixo" a propósito de tanto se ter falado do desencontro entre educadores e alunos. Os primeiros usam ainda meios tradicionais para fazer passar a sua mensagem e os segundos aguardam-na mas noutro suporte onde eles se mexer muito melhor

"Como à espera do comboio na paragem do autocarro"

Fossem todos os dias assim ou fossem todos os dias momento belos e...

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Artículo 2
Queda decretado que todos los días de la semana, inclusive los martes más grises, tienen derecho a convertirse en mañanas de domingo.

Artículo 3
Queda decretado que, a partir de este instante, habrá girasoles en todas las ventanas, que los girasoles tendrán derecho a abrirse dentro de la sombra; y que las ventanas deben permanecer el día entero abiertas para el verde donde crece la esperanza."
Thiago de Melo - Estatutos do Homem

domingo, 15 de maio de 2011

1342 - momentos de prazer II


Um dia rico e muito intenso... O congresso em que participo teve comunicações bem interessantes que fizeram valer a pena o dinheiro gasto. À noite, no jantar de gala, tivemos o prazer de ser surpreendidos com a presença de um grupo (I pum) que faz a recolha de músicas tradicionais tocadas com bombos, tambores e gaitas de foles. Foi um momento muito emotivo que me fez tocar a minha veia da cultura portuguesa e das nossas origens comuns. claro que adorei!


A noite terminou, numa esplanada a beber uma imperial pois a noite era de Verão (e muito melhor que muitas noites de Verão em que acaba por soprar algum vento...) Felizmente que a vida nos vai recarregando as baterias de vez em quando!)

domingo, 8 de maio de 2011

1338 - IX Encontro de Literatura Infanto-Juvenil

Mais uma vez tive o privilégio de ter estado em Pombal para participar nos Encontros de Literatura Infanto Juvenil dos quais participo pela 3ª vez embora esta iniciativa já vá na IX edição.
Confesso que à semelhança dos anos anteriores gostei muito.
Desta vez o encontro estava organizado da seguintes forma: durante a manhã e até às 16h, existiam workshops e só depois se passavam às sessões em plenário.
Participeinum workshop dinamizado por Javier Sáez Castán (ilustrador e criador) que nos mostrou diversas técnicas que se podem usar a propósito da leitura de um conto com os miúdos. construímos personagens, ilustrámos personagens, inventámos personagens, descobrimos os seus traços característicos,...  explorámos várias ideias de ilustração de um livro, os esboços feitos e as possibilidades existentes. Um bom livro deve dar mesmo outras hipóteses de leitura.

confesso que saí de lá muito mais rico e com mais bagagem teórica e prática para trabalhar livros com meninos...

Seguiu-se uma sessão com o Jorge Serafim, Manuel Sevillano (Es) e Thomas Bakk (Br) em que a brincar, a brincar se denunciaram coisas muito sérias e se reflectiu sobre o papel dos contadores de histórias e a promoção da leitura. A questão era se estes fazem ou não leitores? foi mesmo muito interessante!

Pena foi não ter podido ficar mais tempo!

Valeu muito e vim de lá um pouco mais capaz de trabalhar com os alunos para aquilo que verdadeiramente interessa: fazer leitores!

sexta-feira, 11 de março de 2011

1298 - Que momento fantástico!



Este post era para ser sobre os momento zen do Carnaval, mas... há sortes que se fazem e esta noite foi uma delas. Que fantástico! há de facto, momentos inesquecíveis que devem ser guardados com muito cuidado para nos aquecerem naquelas alturas em que nada faz sentido

de facto a vida é um continuo de momentos, mas há, de facto, momentos qualitativos no meio de outros que os preparam

I met my old lover
On the street last night
She seemed so glad to see me
I just smiled
And we talked about some old times
And we drank ourselves some beers
Still crazy afler all these years
Oh, still crazy after all these years

I'm not the kind of man
Who tends to socialize
I seem to lean on
Old familiar ways
And I ain't no fool for love songs
That whisper in my ears
Still crazy afler all these years
Oh, still crazy after all these years

Four in the morning
Crapped out, yawning
Longing my life a--way
I'll never worry
Why should i?
It's all gonna fade

Now I sit by my window
And I watch the cars
I fear I'll do some damage
One fine day
But I would not be convicted
By a jury of my peers
Still crazy after all these years
Oh, still crazy
Still crazy
Still crazy after all these years


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

1288 - Dia(s) de sol


O dia de hoje foi bem bonito e soalheiro

Acto 1 - A amendoeira gostou da mudança (para o lugar do damasqueiro que se partiu na invernia) e pela primeira vez (é o terceiro Inverno que passa) teve uma flor! vou ter UMA amêndoa! Boa!!!!

Acto 2 - Dia de sol quentinho! calor, conforto, bem estar! excelente! Adeus dias cinzentos e depressivos

Acto 3 - Na escola - Um rancho de pequenas quer entrar na sala de professores. Uma delas quer comprar bolachas na máquina da nossa sala. Proíbo-a! não que ache que esse é um lugar interdito ou que não fosse possível lá entrar para matar a fome. Foi a atitude em si... elas achavam tudo normal. Todo o espaço poderia ser delas. Não havia interditos!
Foi essa a minha intenção. Fazer-lhes perceber que não se tem todo o mundo ao alcance da mão e que tudo é possível e realizável. Cada um de nós tem de aprender os seus limites físicos e mentais sob pena de não conseguir gerir o seu espaço interior.
Apenas lhes disse que não. O acesso seria para quando crescessem e chegassem a professoras. Estudassem que alcançariam.
Gosto de perceber a escoa como lugar educativo. Há o lugar dos alunos e dos adultos. Cada um tem um papel a desempenhar. Eu posso ser muito próximo deles, mas não me posso esquecer que eu sou o educador e o adulto e logo eu que até passo as aulas a tocar-lhes e a ser afectuoso.
Há um espaço para o 1º ciclo que é deles. eles têm que perceber que crescem e poderão ter acesso ao lugar dos mais crescidos (2º e 3º Ciclo). Crescem e poderão ter acesso ao mundo dos professores

(pausa para me lembrar do espanto de uma miúda há muitos anos atrás, no início da minha carreira, em que ao ver e ouvir, numa visita de estudo, os professores a cantar e dançar, dizia que: Se não fossem tão crescidos parecia serem como nós!)

Ser educador é fazer-lhes perceber que têm que por limites à sua forma de estar. Não poder ter tudo aqui e agora, sob pena de serem uns eternos frustrados. (benditas as horas que passo a ler o João dos Santos)

Acto 4 - na escola e na sala de professores - A malta desabafa e descomprime. Fala-se de sol, de férias, do maldito Carnaval que nunca mais chega, planificam-se actividades para o dia de... descansa-se... E o sol que vem lá de fora tão quentinho... e eu reparo que há anos que partilho este espaço com muitos dos colegas e que estamos todos mais maduros e melhores como professores e pessoas! mais tolerantes, mais experientes, ... Ah sim, nos outros países já tinham havido dias de pausa para ganhar energias... pois... ainda falta uma semana e meia para o carnaval? eh...

Acto 5- Os miúdos estiverem bem e colaboraram. Que lindo foi ouvir a explicação que já não sei reproduzir, que uma das minhas alunas deu à frase: "quando um velho morre é uma biblioteca que arde"

Há dias de sol! (há horas de sorte!)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

1287- O milagre da existência


Ontem fui tio outra vez (tenho agora quatro sobrinhos). É uma ela, a L.
É quase tão bonita como o tio baboso.

Que bom! após ver desaparecer, nestes últimos tempos, três ou quatro pessoas que conhecia de há anos é bom juntar a família para ver esta preciosidade!
Já me tinha esquecido de como eram frágeis e pequeninos os recém-nascidos! pega-los ao colo é algo indizível!

Que tenhas uma vida longa e feliz minha pequena L.


"Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido."

Fernando Pessoa

domingo, 12 de setembro de 2010

1174 - O meu 11 de Setembro


Todos apresentámos os nossos trabalhos finais e o curso acabou à hora de almoço e tivemos a oportunidade de ter todo o resto do dia livre.
Da minha parte optei por ir a Valleta para ver o museu da Guerra (1ª e 2ª).

(gostos...
sou muito sincero. Tenho lido imensos livros e filmes sobre o assunto e gosto de História. Malta sofreu tremendos bombardeamentos e a coisa foi de tal ordem que o país tem na bandeira a cruz de S. Jorge recebida pela bravura na defesa da ilha). Após ter visto a casa de Anne Frank, foi a primeira vez que vi algo deste tipo.

Confesso que me comovi lá dentro. Perceber que milhões de homens dos dois lados foram carne para canhão de meia dúzia de loucos paranóicos. Perceber o sacrifício de milhões para que fosse possível manter a liberdade no mundo. Perceber que um spitfire (tal como os outros aviões da guerra era um avião tão frágil que mete impressão como é que aqueles homens se metiam lá dentro. Perceber que enormes passos foram dados na Europa na tentativa de manter a paz. A este propósito não me deixou de comover ver um casal de meia idade de lágrimas no olhos.... Suponho que seria(m) filho(s) de alguém que teria morrido na guerra. Estas feridas custam muito a sarar. Ter construído uma ideia de Europa em paz é qualquer coisa que faz muito sentido apesar da concretização económica não ser minimamente a ideal...


Após esta visita, e eis outra incoerência após o post de ontem, juntei-me ao grupo (italiana e Sueca) que foi para a praia no lado oeste da ilha. (as viagens no autocarro público são indescritíveis). Por ali ficámos até ao entardecer. Foi uma tarde fantástica!
Se a isso juntarmos que a vila estava virada para o por do sol e que a luz do sol poente se reflectia nas fachadas das casas tal como em Lisboa, foi a cereja em cima do bolo.

Por sorte, após o banho no hotel, encontrei um grupo participantes: Polacas, Búlgara, Sueca e a conversa acabou por cair na questão: antes e depois da cortina de ferro...
(talvez fruto do meu relato sobre a visita ao museu da guerra)
Tentei ouvir mais do que falar, pois é uma questão muito sensível ter opinião sobre a vida na Polónia na presença de polacos.
Foi uma noite fantástica e um 11 de Setembro inolvidável
---
Ah! percebi a importância de haver neve no Inverno Sueco. Os dias que são sempre noite ficam mais claros pois a pouca luz reflecte-se...

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

1167 - Alta filosofia


Não existe A felicidade, mas há momentos felizes

(que há se saborear e viver até ao tutano)

P.S - A desenvolver...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

1129 - Últimos dias de aulas




Estamos mesmo no fim do ano lectivo... Os alunos e professores almoçam em conjunto e os miúdos preparam um texto e oferecem um caderno embelezado à D.T.

No fim, comovido, digo-lhes qualquer coisa que não consigo reproduzir mas que tinha esta ideia: "São estes momentos que nos fazem sentir que vale a pena ser professor e ter abraçado esta profissão. Obrigado"

Fica aqui o texto dito por eles

Almoço final de ano

28Conhecemos os nossos professores
Eles são os nossos saberes e sabores
É com eles que aprendemos
E conhecemos

27Obrigado por fazerem da aprendizagem,não um trabalho, mas um contentamento.
Por fazerem com que nos sentíssemos pessoas de valor; por nos ajudarem a descobrir o que fazer de melhor e assim, fazê-lo cada vez melhor.
Obrigado por afastarem o medo das coisas que pudéssemos não compreender; levando-nos, por fim, a compreendê-las...Por resolverem o que achávamos complicados...
Por serem pessoas dignas de nossa total confiança e a quem podemos recorrer quando a vida se mostrar difícil...
Obrigado por nos convencerem de que éramos melhores do que suspeitávamos.
21Obrigada por me terem ajudado a ultrapassar todas as dificuldades que senti ao longo do ano. Tiveram um papel muito importante na minha vida!
25 Vocês ensinaram-me muitas coisas(inglês, a escrever sem erros, matemática a fazer cálculos, HGP, a história do nosso país e muito mais) sem vocês não sei o que seria. foram severos(as) comigo quando foi preciso, mas hoje, para vos agradecer estamos juntos neste delicioso almoço!

24" Obrigada por tudo o que fizeram por nós. Foram todos vocês que nos ensinaram muita coisa"
7Obrigada pelas vossas colaborações durante o ano lectivo.
Aprendi muito com o ensino que me proporcionaram
23 Quando nos ensinavam , era com prazer e nós ouvíamos, por vezes distraídos
4Neste ano aprendi muitos novos conhecimentos e conheci novos professores e amigos.
Cresci um pouco e vivi emoções fantásticas não só com os amigos mas também com os professores.
Rimos, trabalhámos e sorrimos todos juntos
Queria agradecer a todos os professores por terem puxado por mim e passarem horas de muito trabalho só para nos darem uma aula em várias.
Foi o fim do ano lectivo e estou muito contente por estar ainda uns momentos convosco e ainda continuar a vê – los para o ano.

6Os meus professores
Que muito amei,
Ensinaram-me tanto
Do que agora eu sei!

22 Nestes períodos
Estivemos a aprender
Com estes professores
Tornámo-nos crianças a valer!

Brincadeira
É o que não falta,
No intervalo
Estamos na ribalta

Nas aulas
Aprendemos coisas importantes
Tivemos que estudar muito,
Não era como antes!!!

10Matemática e Português
São as disciplinas mais importantes,
Mas é na de Inglês
Que os meus progressos são constantes.

Agora que vamos de férias
Partimos para a brincadeira
Para estarmos uns com os outros
Havemos de arranjar maneira

1Mas ,com tudo isto, queremos dizer que foram muito importantes para nós neste ano lectivo , ensinaram-nos, repreenderam-nos, enfim marcaram-nos na nossa vida …
É por isso , que não há outra palavra para vos dizer sem ser um grande OBRIGADA .

16 de Junho de 2010

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

956 - Soube bem



Hoje tirei um tempinho para almoçar com a ... (desculpa ... por publicar aqui a nossa conversa mas, só nós os dois é que sabemos que eras tu e eu, por isso o anonimato está garantido!)

Disseste-me uma coisa que me soube a elogio e isso fez-me muito bem! obrigado
Dizias então que eu devia ser um coordenador muito chaaaato! mas que entendias que só assim é que se podia progredir pessoal e profissionalmente e não ficar estagnado. Não havia outra forma que obrigasse alguém a sair de algum marasmo... (ou dito de outro modo, para se alargar horizontes é preciso ter alguém nos nos faça sair da cómoda situação de estar parado a ver o que acontece...)

Se assim é, ainda bem que sou chato!


Uma nêspera estava na cama
deitada, muito calada, a ver o que acontecia.

Chegou a Velha e disse:
olha uma nêspera e zás comeu-a !

É o que acontece às nêsperas
que ficam deitadas, caladas, a esperar o que acontece!

Adaptado de Mário Henrique Leiria, "Novos contos do Gin Tonic", 1974

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

949 - Acabadinho de comprar. Principezinho em três D.





Fabuloso! Mal o vi, nem hesitei! O principezinho em três dimensões!

Este é, sem sombra de dúvida um dos livros da minha vida. Recebi-o, ainda adolescente, das mãos do meu pai. Sei que ele não o leu e deve-o ter recebido de oferta de alguém lá da escola. como terá achado, pela capa, que seria algo infantil, escolheu o filho mais novo para a oferta!
O facto é que o comecei a ler logo de seguida e... e... Fiquei deslumbrado. Ainda o tenho (o que o meu pai me deu!)

Depois, ofereci um à rapariga que veio a ser minha mulher

Depois, comecei uma pequena colecção com versões deste livro (em espanhol, em inglês, com encadernação de luxo, ...) Faltava esta edição...

Ah, o meu rapaz que está no 9º, pediu-me esta semana o livro para o ler no âmbito da disciplina de L.P. Está a adorar.

Mais logo, vou-lhe mostrar esta preciosidade e permitir-lhe-ei que a leve para a escola. Penso que a professora irá gostar de o mostrar à turma!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

934 - Completou-se um ciclo (psicológico)



Uns destes dias recebi um convite para falar hoje aos colegas da minha escola. Não pude(nem quis)recusar esse convite. Não costumo "cuspir" na sopa onde comi (excepto se for maltratado)
Foi ali que, há uns anos atrás, comecei uma nova etapa profissional e, se cheguei onde cheguei, a muitos devo. Fomos fazendo caminho e aprendendo uns com os outros.

Não, não desejo voltar mas também não se cumpriu (?) a sentença da canção "não voltes a um lugar onde foste feliz"

Fiz questão de dar o meu melhor a quem tanta estima tem por mim. Sempre que não for impecilho e sempre que me desejarem direi: "sabem que podem contar comigo" ; como dizia o outro "contem comigo para isto e para o resto". Tudo o mais são apenas detalhes.

"Vai olhar outra vez as rosas. Compreenderás que a tua é única no mundo. Voltarás para me dizer adeus e eu faço-te presente de um segredo.
O principezinho foi ver outra vez as rosas.
- Não são de modo nenhum parecidas com a minha rosa, ainda não são nada, disse-lhes ele. Ninguém vos cativou e vocês não cativaram ninguém. São como era a minha raposa. Era uma raposa parecida com cem mil outras. Mas fiz dela minha amiga e agora ela é única no mundo.
E as rosas ficaram muito incomodadas.
- São belas, mas vazias, disse-lhes ele ainda. Não se pode morrer por vocês. É certo que um vulgar viandante pensaria que ela se parece convosco. Mas por si é mais importante que vocês todas pois foi ela que eu reguei. Foi ela que eu coloquei sob uma redoma. Foi ela que eu abriguei com o guarda-vento. Foi a ela que matei as lagartas. Foi ela que eu ouvi queixar-se ou gabar-se, ou por vezes calar-se. Ela é a minha rosa.
E voltou para junto da raposa:
- Adeus, disse...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se pode ver bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
- O essencial é invisível aos olhos, repetiu o principezinho de modo a poder recordar-se.
- É o tempo que perdeste com a tua rosa que torna a tua rosa tão importante.
- É o tempo que eu perdi com a minha rosa... disse o principezinho para se recordar.
Os homens esqueceram esta verdade, disse a raposa, mas tu não deves esquecer-te. Tornaste-te para sempre responsável por aquilo que cativaste. Tu és responsável pela tua rosa...
- Sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, para se recordar
.”

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Também hoje senti a necessidade de enviar o poema do Alberto Caeiro a uma amiga que muito considero e que anda feita uma barata tonta sem tempo para gerir as 999 tarefas que tem em mãos. Lembrei-me do meu post 650 - Propósito para o novo ano II que publiquei a 2 de Janeiro. Concluí que me tenho mantido fiel ao norte!

Ah, malandro! já quase que cumpriste uma promessa de ano novo. Brilhante!

Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que ha para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.

(Alberto Caeiro)

sábado, 24 de outubro de 2009

929 - que caminho tão longo (três cantos)







Estive lá! Porra, estive lá!

Claro que adorei

Claro que foram 2 horas intenssíssimas que me fizeram pensar que o tempo passa e já percorremos um caminho muito longo

Cada canção tem já uma história tão longa e tão cheia de recordações



Claro que me emocionei e até me vieram lágrimas ao olhos pois cada uma destas canções também já é minha e conta um bocado da minha história pessoal de tanto terem sido ouvidas

Claro que me soube a pouco, me soube a tanto



Gostei sobremaneira de ter ouvido no final os da minha casa dizerem que a "inquitação" era a minha canção. Ainda argumentei que o "só estou bem onde eu não estou" também dava só para não me dar por vencido mas, afinal, a minha gente já me conhece bem...



Foi lindo...

Foi inesquecível



Contai cim isto de mim para isto e para o resto...

A cantiga é, de facto, uma arma contra alguns charlatões, casimiros, xerifes que pensam que é tudo deles, e outros que tais e, sobretudo, contra a nossa acomodação.












Travessia do Deserto



Que caminho tão longo!

Que viagem tão comprida!

Que deserto tão grande grande

Sem fronteira nem medida!



Águas do pensamento

Vinde regar o sustento

Da minha vida



Este peso calado

Queima o sol por trás do monte

Queima o tempo parado

Queima o rio com a ponte



Águas dos meus cansaços

Semeai os meus passos

Como uma fonte



Ai que sede tão funda!

Ai que fome tão antiga!

Quantas noites se perdem

No amor de cada espiga!



Ventre calmo da terra

Leva-me na tua guerra

Se és minha amiga



José Mário Branco

1908 (da consciência da existir) - 25 anos de trabalho em bibliotecas

Faz hoje, dia 1 de setembro, 25 anos que comecei a trabalhar no mundo das bibliotecas escolares. Tudo começou a 1 de setembro de 2001, por a...