Joana Francesa
Tu ris, tu mens trop
Tu pleures, tu meurs trop
Tu as le tropique
Dans le sang et sur la peau
Je me dit loucura e de torpor
Já é madrugada
D'accord d'accord d'accord d'accord
Mata-me de rir
Fala-me de amor
Songes et mensonges
Sei de longe e sei de cor
Je me dit prazer e de pavor
Já é madrugada
D'accord d'accord d'accord d'accord
Vem molhar meu colo
Vou te consolar
Vem, mulato mole
Dançar dans mes bras
Vem, moleque me dizer
Onde é que está
Ton soleil, ta braise
Quem me enfeitiçou
O mar, marée, bateau
Tu as le parfum
De la cachaça e de suor
Je me dit preguiça e de calor
Já é madrugada
D'accord d'accord d'accord d'accord
Chico Buarque
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quinta-feira, 27 de julho de 2017
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
1827 (do belo) - A beleza da arte
"A
arte é, provavelmente, uma experiência inútil; como a «paixão inútil» em que
cristaliza o homem. Mas inútil apenas como tragédia de que a humanidade
beneficie; porque a arte é a menos trágica das ocupações, porque isso não
envolve uma moral objectiva. Mas se todos os artistas da terra parassem durante
umas horas, deixassem de produzir uma ideia, um quadro, uma nota de música,
fazia-se um deserto extraordinário. Acreditem que os teares paravam, também, e
as fábricas; as gares ficavam estranhamente vazias, as mulheres emudeciam. A
arte é, no entanto, uma coisa explosiva. […]. Se os poetas se calassem
subitamente e só ficasse no ar o ruído dos motores, porque até o vento se
calava no fundo dos vales, penso que até as guerras se iam extinguindo, sem
derrota e sem vitória, com a mansidão das coisas estéreis. O laço da ficção,
que gera a expectativa, é mais forte do que todas as realidades acumuláveis. Se
ele se quebra, o equilíbrio entre os seres sofre grave prejuízo. "
Augustina Bessa Luís
domingo, 3 de julho de 2016
1323 - (do belo) As fontes
As Fontes
"Um dia quebrarei todas as pontes
Que ligam o meu ser, vivo e total,
À agitação do mundo do irreal,
E calma subirei até às fontes.
Irei até às fontes onde mora
A plenitude, o límpido esplendor
Que me foi prometido em cada hora,
E na face incompleta do amor.
Irei beber a luz e o amanhecer,
Irei beber a voz dessa promessa
Que às vezes como um voo me atravessa,
E nela cumprirei todo o meu ser."
Sophia de Mello Breyner Andresen
"Um dia quebrarei todas as pontes
Que ligam o meu ser, vivo e total,
À agitação do mundo do irreal,
E calma subirei até às fontes.
Irei até às fontes onde mora
A plenitude, o límpido esplendor
Que me foi prometido em cada hora,
E na face incompleta do amor.
Irei beber a luz e o amanhecer,
Irei beber a voz dessa promessa
Que às vezes como um voo me atravessa,
E nela cumprirei todo o meu ser."
Sophia de Mello Breyner Andresen
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