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domingo, 29 de novembro de 2009

965 - Onde se fala de um fim de semana que o foi verdadeiramente



Deve ser do buraco do Ozono e das alterações climáticas...
Já há muitos anos que, em tempo de aulas, não tinha dois fins de semana consequtivos sem tarefas a cumprir. Quero isto dizer que tenho tido,excepcionalmente, a possibilidade de gozar o fim de semana como a maoiria das pessoas o têm! para usufruir e descansar (na medida do possível, pois há sempre tarefas domésticas a desempenhar)

O meu começou na 6ª à tarde com um passeio pela baixa que se vai tornando rotineiro. Voltei para o pé do meu amigo Fernando e comecei a ler "o Processo" de Franz Kafka. Tem-me prendido a atenção desde a primeira página parecendo-me, infelizmente, (até agora) um argumento muito plausível.

Mais tarde foi tempo de ir até à escola receber uma formação sobre quadros interactivos!

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O sábado e domingo passaram-se a saborear a casa e a tratar de pequenitas coisas: jardim, arrumos, limpesas...
Apesar de todo o esforço feito na conquista da jovem da fotografia esta mantém-se fiel ao ditado: "Os cães têm donos, os gatos escolhem quem os sirva..."
Enquando desbastava as roseiras ela esteve sempre de olho em mim (qual vizinha bisbolheteira que recolhe informações para depois as contar).
Agora deixar-se tocar é que não... acede a passar todo o dia por aqui, a dar as suas voltas mas mantendo a distância que considera de segurança. Nem oquentinho da casa a demove (e logo agora que as noites estão frias e a lareira aberta pela primeira vez no sábado é uma tentação)

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Merece registo a visita do meu sobrinho no sábado. O rapaz deliciou-se com os novos livros do tio (e este ficou maravilhado com os olhos brilhantes do sobrinho ao saborear as histórias, as ilustrações, ... dos livros). Valeu a pena a compra! (os livros infantis estão muito melhores mesmo! Tornam tão simples a abordagem dos temas copmuns e incomuns da vida)

refiro-me a:
1 - "Onda" é apenas ilustrado. A Autora é Suzy Lee e narra esta ou outras histórias

Um dia cheio de sol
Uma menina curiosa
Uma onda brincalhona

(por acaso, quando o desfolhei, ouvi outra história e no sábado ainda outra diferente. Porque será?)

















2 - O principezinho em versão Pop-Up (que até levou os adultos a esquecerem o futebol durante 5 minutos...)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

944 - De volta a Lisboa

Após dois meses de trabalho intenssíssimo as coisas voltam lentamente às rotinas. Continua um ritmo louco mas, pelo menos, já há paciência e lucidez para conceber um pause, ainda que pequena.

Retomei os passeios de sexta à tarde.

A tarde começou com a saída na estação do metro do terreiro do paço e com uma bica no Martinho da Arcada


Depois foi começar a subir a Mouraria. A próxima paragem foi na Sé e com o espanto da descoberta dos claustros da Sé. Simplesmente fabuloso! aquelas escavações que pôem a descoberto a Lisboa medieval, A Lisboa árabe, a Lisboa romana é, simplemente, impressionante. A quantidade de civilizações e gentes de aqui veveram antes de mim. Quantos sonhos e vidas por aqui passaram.



Depois, pela primeira, vez uma visita ao teatro romano! Conceber como teria sido a Lisboa de outras era é uma tarefa intressantíssima. Que surpresas nos reservará ainda a Lisboa subterrânea?


A paragem seguinte foi à porta da casa onde viveu Ary dos Santos. Daqui se entende todo o seu amor por Lisboa e a poesia que escreveu sobre ela. Como poderia ser outra coisa com a poesia a entrar pela janela dentro?



Por fim a chegada ao castelo e a maravilha das vistas e dos telhados vermelhos.



Dei de caras com o Ricardo Reis a abrir a janela de sua casa no Miradouro de Santa Catarina: " Ricardo Reis aproximou-se duma janela, através da vidraça sem cortina viu as palmeiras do largo, o Adamastor, os velhos sentados no banco, e o rio sujo de barro lá adiante, os barcos de guerra com a proa virada para terra, por eles não se sabe se a maré está a encher ou a vazar, demorando aqui um pouco logo veremos,[...] Ricardo Reis percorreu de novo toda a casa, não pensava, olhava apenas, depois foi à janela, a proa dos barcos estava virada para cima, para montante, sinal de que a maré descia. Os velhos continuavam sentados no mesmo banco."
(José Saramago: O ano da Morte de Ricardo Reis)

Então meu caro Ricardo Reis... Com que então fugiste do Hotel Bragança? Arranjaste-a bonita! algo andaste a tramar... Sim, vejo-te à janela da tua nova casa e imagino-te... não tens fuga. Razão tinha o Pimenta... Chamado à PVDE, boa rez não podes ser...
Eu vejo-te daqui, aceno-te. Será que me estás a ver?

Mais tarde, dei de caras com a Sophia num banco...

LISBOA

Digo:
"Lisboa"
Quando atravesso - vinda do sul - o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do meu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas -
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
- Digo para ver

E não é que, mais tarde, na rádio se falava do nonagésimo aniversário de Sophia e se a ouvia em gravações antigas?

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

936 - já há muito que me apetecia isto...



Pois, Já há muito que me apetecia retomar as 6ª feiras à tarde... (e se eu preciso delas!)

Retomei hoje...
Não saí tão cedo como desejava pois ainda havia muito que fazer...
Não me apetecia grande coisa...

Apenas parar um pouco...

Peguei no meu Saramago (O ano da morte de Ricardo Reis) e fui para uma esplanada em Belém. Isso bastou-me por hoje.

Depois, foi seguir o pensamento

(Engraçado que já ontem o António Lobo Antunes - post 935 também falava que ele tinha vários eus, não é ele que escreve os livros, há um ALA que é médico, há um que é veternano de guerra, há o homem e há o sobrevivente...
Quem escreve?
não sou eu, foi um impostor... alguém que dita...)


Tenho Mais Almas que Uma

Vivem em nós inúmeros;
Se penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente.
Sou somente o lugar
Onde se sente ou pensa.

Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos.
Faço-os calar: eu falo.

Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam
A quem me sei: eu 'screvo.

Ricardo Reis, in "Odes"

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(Também eu os tenho)

sábado, 16 de maio de 2009

809 - relato de uma tarde




De volta a uma certa "rotina" pude deliciar me com mais uma tarde em Lisboa!
Como estava sem carro, o metro foi o meu apoio.

Optei pela ida ao Museu da Cidade. Não ia lá há muitíssimos anos e não dei o tempo por mal empregue, embora a sala referente à primeira República esteja fechada devido à preparação do Centenário.
É engraçado a dimensão que as coisas têm quando somos pequenos e agora. A minha atenção centrou-se em muitíssimos pormenores que me passaram completamente ao lado na altura!

Claro que a maqueta de Lisboa antes do Terramoto nos enche as medidas mas a decoração do palácio/convento é extraordinária. A cozinha e as salas decoradas à época, os jardins, as janelas, o sol!
Depois um retrato interessante de figuras polémicas. Ex: o Marquês em que se mostra o seu papel na reconstrução da cidade mas também o processo dos Távora...

Aproveitei o resto da tarde para uma volta pelo Rossio. Adorei os Jacarandás (lindos!), o sol e a arquitectura. Pudera! depois de ver a história de Lisboa apetece desfrutá-la por inteiro!

Foi também digno de nota o tempo de leitura que me permitiu avançar bastante no meu novo livro de cabeceira: História do cerco de Lisboa" - Lisboa está mesmo na berra por estes dias!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

801 - Caminhos de leitura





Hoje estive em Pombal para participar no VII Encontro de Literatura Infanto-Juvenil -"Caminhos de Leitura", promovido pela Biblioteca Municipal de Pombal.

A agenda de hoje era a seguinte:

10h00 - Caminhando na leitura...
Presidente e Vereador da Educação da Câmara Municipal de Pombal,
Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas

10h30 - ... do Carreirinho aos Caminhos...
Biblioteca Municipal de Pombal

11h30 - La lectura agomboladora o la lectura que agombola
Mercé Escardó i Bas (Espanha)

13h00 - A arte de bem comer... hora das migas...

14h30 - El arte de la lectura, un concepto estético
Samuel Alonso Omeñaca (Espanha)

15h30 - Escrever para os olhos
João Paulo Cotrim

16h30 - Diálogo de silencio con el espacio y el objeto..., después la palabra.
José António Portillo (Espanha)

17h30 - Caminhos que nos levam à arte de ler... siga as coordenadas...
Visita à exposição "Artefactos para contar e criar histórias"
Biblioteca Municipal e Centro Cultural


Não dei o tempo por mal entregue! Encheu-me as medidas a apresentação de Mercé Escardó i Bas (ver também aqui)

A sua apresentação andou à volta da importância do tempo do conto para as crianças e do uso dos livros ilustrados. Durante a apresentação contou-nos (à maneira de uma contadora de histórias) 12 contos infantis explorando os respectivos livros.

Confesso que me vieram as lágrimas aos olhos por 2 ou 3 vezes. Quem disse que as histórias para crianças eram só para crianças? Se forem boas histórias são histórias de pessoas, de afectos, de sentimentos, da vida. Essas, as boas, são para nós todos. Foi BELO... apenas isso!

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Isto veio confirmar o que postei ontem e antes de ontem: Apesar de tudo o que fizeram aos professores, de facto, estes continuam a dar o litro para educar os nossos e os filhos dos outros.
Uma sociedade que maltrate os professores, irá sofrer muito no futuro!

sábado, 4 de abril de 2009

765 - Memórias de uma infância já muito longínqua



A tarde de hoje foi dedicada à ida ao Aquário Vasco da Gama. Há imensos anos que não ia lá...

Foi dia de relembrar outros tempos....

A primeira fez que lá fui (que me recorde) foi pela mão dos meus pais e lembro-me bem de me ter apavorado com a visão de um peixe (terá sido a enguia eléctrica que já não existe? terá sido pela visão de outros peixes que me pareceram enormes na altura?). Devia ser bem pequeno.
Voltei lá algumas vezes com a escola e durante a adolescência. Quantos e quantos miúdos como eu se maravilharam com as focas (ou otárias) e com as tartarugas? Elas (ou outras novas) continuam lá a fazer as delícias dos pequenos (e maiores).
Hoje fixei a atenção também na parte museológica e com a actividade científica do Rei D. Carlos. Claro que hoje exageros por parte da Monarquia ao viver com luxos e opulência numa altura em que grande parte da população se "matava" para sobreviver,mas há que lhe reconhecer o mérito de ter posto Portugal na rota diplomática e de promover a ciência neste país...
Gostei de ver a preocupação ambiental do Aquário. Parar era morrer e o Aquário não parou (apesar da grande concorrência do oceanário). Vêm-se lá painéis e salas novas (as dos anfíbios, o auditório...)Parabéns pelo dinamismo.
Mas o que gostei mais de ver foram os avós e netos a saborearem o aquário... Nesta pausa de Páscoa, foi muito enternecedor ver crianças pelas mãos dos avós a visitarem o aquário e a verem um espaço que lhes deve parecer enooooorme, com peixes enooormes e a escutarem todas as explicações que os avós (pacientemente)lhes dão... Abençoadas pausas que permitem estes tempos de qualidade.
Foi também muito bonito ver os trabalhos das escolas expostos no auditório
Outras crianças como eu fui se deslumbram com as focas e as tartarugas e descrevem a seu modo toda a aprendizagem de um dia de visita... É fantástico observar os desenhos e a forma como as crianças descrevem os peixes e os tamanhos que lhes dão. Também não é de desprezar a forma como elas representam os adultos que lhes são significativos...
Como diziaa canção: "são os putos deste povo a aprenderem a ser gente"

A visita terminou no café do Aquário (com vista para o Tejo) e com um tempo de leitura da "ética para um jovem" do Savater .
Obrigado A.V.G. por ainda existires

sexta-feira, 27 de março de 2009

757 - Relato de uma 6ª feira



Desta vez nada impediu a tranquilidade de uma tarde de 6ª, após duas semanas meio complicadas. Precido mesmo destes momentos.

Desta vez não quis arriscar e escolhi algo que sabia não me ir desapontar. Completei o círculo Gulbenkian indo ao Centro de Arte Moderna.

(Claro que aproveitei para após o almoço por algumas leituras em dia naquele anfiteatro fantástico.)

Gostei de comtemplar os autores comtemporâneos e os futuristas: Nadir Afonso, José de Almada Negreiros, Stuart de Carvalhais, Mário Cesariny, Abel Manta, Amadeo de Souza-Cardoso, Arpad Szenes, e claro Maria Helena Vieira da Silva!

Claro que me ficaram no olho os Fernado Pessoa do Almada mas gostei de ver também a Maria Helena e o Arpad Szenes...

Tive pena foi de não ter tido o "descaramento" de me juntar a grupo de estudantes de arquitetura que estavam a ter uma aula sobre o modernismo... Bem estive à escuta mas achei que era demais...
Afinal os males da 1ª Guerra trouxeram por bem a renovação da nossa arte através de pintores que saíram de Paris e aqui se foram fixando / renovando e inovando

1908 (da consciência da existir) - 25 anos de trabalho em bibliotecas

Faz hoje, dia 1 de setembro, 25 anos que comecei a trabalhar no mundo das bibliotecas escolares. Tudo começou a 1 de setembro de 2001, por a...