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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

900 - Não, não quero carregar o mundo



Não tenho a pretensão de ser um novo Atlas ou de imaginar que posso mudar ou carregar o mundo sozinho.
O facto é que ando numa azáfama tremenda que nem me dá tempo para escrever neste meu "díario". (como se antes não andasse também! enfim...)

Bom, o interessante é que um destes dias a esposa queixava-se que já estava estourada e que precisava de descansar. Rematou o diálogo com um: "pensas que eu tenho o teu ritmo de trabalho?"

Tomei a frase como um elogio!

No entanto, há que saber dosear o esforço. Num dos post abaixo escrevi sobre uma bela lição de vida.

Deitar cedo e cedo erguer
dásaúde e faz crescer...
Diz o gigante contente!

Mas cedo se deita e levanta
muita gente.

A razão para ser GIGANTE
deve ser bem diferente

Teresa Marques

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

249 - propósitos de um novo ano















(com a devida vénia à Teresa M. Blog Tempo de teia)
Promessa(s)...

Hoje que o ano começa
e p´ra que comece bem
vou fazer uma promessa
ao meu pai e à minha mãe...

Prometo, que eu sou boazinha,
rigorosa obediência
aos decretos, circulares
regras, leis e invenções
que o novo ano me traga
que nas férias fiquei zen
treinei minha paciência
até nem quis ser titular
e resisto a qualquer praga.

Prometo também, todavia,
nunca ficar calada
e dizer a qualquer hora
quando o juízo indicar
que não concordo com lei
que faça a já pobre escola
transformada em caranguejo
só para trás caminhar.

Prometo, ainda, abraçar
o melhor que posso e sei
tudo o que faz sentido
e mantém a chama acesa
mas ser só à superfície
corpo a boiar sem entrega
na montanha de papéis
da estéril burocracia
que em cada ano nos chega.

Prometo (oh se prometo!)
continuar a tecer
sonhos, asas, fantasias
vestir a minha armadura
levantar bem alto a espada
e combater os dragões
os piratas, os ladrões
para salvar sem temor
sem medalhas, nem louvor
aquela que é minha amada.

Hoje que o ano começa
e p´ra que comece bem
vou fazer uma promessa
ao meu pai e à minha mãe...

Prometo que não prometo
prometer o que não posso
(ser chão, tapete, alcatifa)
nunca a ninguém prometer
que promessas dessas sabemos
é no vento que se montam
e partem depressa a correr
levadas p'ra não sei onde
lá onde o escuro se esconde
e eu nem quero saber.


A todos vocês: um bom regresso de olhos sempre mais além.


(o "refrão"... quadra de partida, retirei-o da memória de um qualquer poema que me lembro de recitar mas não sei de quem é... alguém sabe?)


ADENDA 1: A esta pergunta respondeu a bell... Obrigada! Lembrava-me das duas primeiras quadras de cor... mas depois... "a coisa" perdia-se lá para os lados da infância...

O poema é de Maria Isabel Mendonça Soares:

"Hoje, que o ano começa,
e para que comece bem,
vou fazer uma promessa
ao meu pai e à minha mãe.

E para não a esquecer
e que ninguém me desminta,
nesta folha de papel
aqui fica escrita a tinta.

Prometo solenemente
não brigar com o meu irmão,
repartir com toda a gente
brinquedos, bolos ou pão;

ter sempre tanto juízo
quer de dia, quer de noite,
que nunca há-de ser preciso
apanhar nenhum açoite.

Se assim fizer, hei-de ter
muitos amigos e amigas
porque a amizade se pega
mais que o sarampo e as bexigas."

segunda-feira, 26 de março de 2007

174 - Parabéns Teresa Marques
















Redacção sobre a Primavera
Teresa Marques


Eu gosto da Primavera.
Gosto do gosto a flores que tem por dentro. Sempre gostei.

Quando recebemos os alunos pela primeira vez é assim uma espécie de Inverno escuro, um desconhecido à espeas cores de que se faz a luz de cada um de nós. Quanto mais nos entrelaçamos, mais botões prometidos se abrem, mais aromas se distinguem, mais percebemos os cuidados a ter com cada um.

Eles depressa ficam a saber ra de se iluminar. À medida que o ano avança, a transparência aumenta e é bom ir descobrindo que fruto oferece cada professor, nós demoramos mais tempo a entender o sabor que tem cada aluno.

Nunca gostei muito de multidões. Gosto de conhecer rostos, nomes. Adivinhar olhos. Gosto de saber que borboleta sigo, que flor cheiro. Gosto de um ensino artesanal. A Primavera faz sentido tocada, percebida, sentida, conhecida. É na essência desse mútuo cativar que todas as flores desejam abrir-se ao novo e experimentar voar.
Mas a escola é campo a querer dispersar-se. A querer deixar-se caminhar sem tempo para ver, escutar, cheirar a rosa.

Acrescentam-se muitos nomes temporários à lista habitual dos seres que nos são confiados (quantas vezes já longa) e espera-se o milagre. Um qualquer. Acredita-se que bom. Mas essa crença sem sentido só revela o desconhecimento profundo da essência deste fértil terreno. É crença de quem ignora o pulsar da escola. E crença assim nada planta. É semente morta.

Cuidar de muitas flores alheias rouba algo ao jardim que é o nosso. Há um limite para a água que sai de nós, para o alimento paciente que partilhamos e podemos receber em troca. A escola não é indústria, máquina acelerada, baixo custo, padrão repetido, cadeia de montagem, produção sem fim, números sem rosto. Ela é agricultura biológica, campo de sementes onde o tempo tem de ter o seu tempo, cada fruto seu tamanho e seu nome, onde a mão toca e sente, os olhos se cruzam, o risco se arrisca, a paciência é virtude e conhecer, plantar, saber, esperar, colher, amar, cuidar, está no centro, na margem, no fim de cada gesto preciso e lento, que acompanha o ritmo das estações sem estufas enganando a vida.
Eu gosto da Primavera. Sempre gostei.

Porque lembra o Amor em gestação que me/nos colocou neste caminho. Amor que se renova em cada ano, que constrói, que acolhe, que floresce.

Não quero acreditar que a escola passe a viver de Inverno em Inverno, cheia de pressa, sem florescer a meio. Não quero.

Não quero ter saudades da Primavera e depois não a ver chegar.

Parabéns Teresa Marques

1908 (da consciência da existir) - 25 anos de trabalho em bibliotecas

Faz hoje, dia 1 de setembro, 25 anos que comecei a trabalhar no mundo das bibliotecas escolares. Tudo começou a 1 de setembro de 2001, por a...