Mostrar mensagens com a etiqueta poesia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta poesia. Mostrar todas as mensagens

domingo, 14 de outubro de 2018

1879 (da poesia) - Eu sou desta língua

"O sentido do poema é o próprio poema. Mas ninguém está de fora da história. Muitas vezes me perguntam porque é que , sendo poeta, eu me envolvi na política. E eu respondo: por isso mesmo."

Manuel Alegre 2018

quinta-feira, 29 de junho de 2017

1489 (do que somos feitos) Acontecer

Acontecer

Rasgo as ondas
risco o vento
trago um mar revolto
um rombo
no meu peito.

Raspo as asas no lençol de estrelas
de uma noite branca.

Sei que um dia destes
hei
de acontecer.

José Fanha

sexta-feira, 31 de março de 2017

1837 (do espanto de existir) - Outro Ulisses regressa a casa

Outro Ulisses regressa a casa

Cidades que nunca atravessei, nomes que ressoam da infância,
Samarcanda, Trebizonda, cidades que nunca vi,
promessas por cumprir de um atlas folheado na infância, 
noutro século, num outro século.

Cidades como casas desfeitas,
caixotes abertos no chão, gavetas por esvaziar,
livros que sempre sobram.
É fácil resumir uma vida.O que dela ficará, não sabemos. Mais certamente 
nada.

Ficam as palavras encontradas num velho atlas:
Samarcanda, Trebizonda. 
Um dia. Um dia estarei lá.

Luis Filipe Castro Mendes

quinta-feira, 23 de março de 2017

1835 - (do espanto de viver) Cinco lembretes

Cinco lembretes


Pôr o Pólo Norte a descongelar.

Inventar uma máquina de fazer amanheceres.

Segurar o fio resplandecente da beleza, seja isso o que for.

Pintar de azul o Mar Vermelho (e de vermelho o Monte Branco).

De manhã, pôr o braço que falta na Vénus de Milo (não gosto nada de ver, assim, aquilo). à tarde, endireitar a torre de Pisa e, se der tempo, corrigir o sorriso da Mona Lisa.

Álvaro Magalhães 

sábado, 26 de novembro de 2016

1820 (das palavras) - Quando, um dia

Quando, um dia.

Quando eu souber escrever,
Dir-te-ei dos meus silêncios.
Quando um dia souber calar,
Falar-te-ei dos meus diálogos.
Quando um dia souber dizer,
Calarei a minha voz.

O escrito,
O silenciado,
O não dito,
As palavras.

Quando um dia souber dizer,
Então dir-te-ei,
Quando um dia souber escrever,
Então falar-te-ei.  

E me compreenderás?
E me compreenderei?  

Usaremos as palavras,
Sem receios,
Isso me e nos bastará.

João P.

Nov 2016 

terça-feira, 6 de setembro de 2016

1332 (do indizível) - à noite, num beco sem saída

Noturno

Eu sentado
...
Estou sentado à porta de casa
à noite
existe um beco sem saída.

Ouço
Observo

No beco sem saída
ladram cães,
camufla-se um gato nas roseiras.

No beco sem saída
e à noite
chegam carros.
A vizinha chegou tarde
saiu de novo
Irá aonde?

Existe um beco sem saída,
é noite,
estou sentado à porta de casa.

Passam carros
(não sabia que havia tanto movimento aqui)
Ouvem-se outros mais ao longe.

Passam quinze aviões,
a maioria vai para norte
(E que curvas apertadas fazem alguns!)
dois, certamente para sul,
Um para oeste, Espanha?
De um outro perdi-lhe o rasto.

É noite
Estou sentado à porta de casa
Existe um beco sem saída.

Um cão passeia o dono...

É noite  

...

João P
2016

domingo, 28 de junho de 2015

Quando uma música é uma leitura

O meu amor tem lábios de silêncio
E mão de bailarina
E voa como o vento

O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela

Jorge Palma

sábado, 21 de fevereiro de 2015

O Sol nas noites e o luar nos dias

Porque hoje tive o privilégio de ouvir o poema e de o ver reinterpretado
---

O sol nas noites e o luar nos dias

De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.



Natália Correia

terça-feira, 28 de outubro de 2014

375 - A casa da Poesia de Setúbal foi de visita à escola

 











Hoje presenciei uma atividade fantástica na Escola Secundária de Bocage. Na Biblioteca realizou-se uma sessão de poesia com a presença da Casa da Poesia de Setúbal e alunos da escola. Foi ocasião para se lembrarem os poetas de Setúbal, se lerem poemas, alguns deles inéditos, ditos por alunos e convidados. 

Sabe tão bem ouvir jovens dizerem ( viverem e saborearem) bem a poesia.    

Tenho Tanto Sentimento

Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa,

sábado, 13 de setembro de 2014

372 - O Mar na poesia portuguesa (tradução em inglês)

Sea!
And it is an open poem that echoes
in the conch of the shore...
Ah, if we could only hear it without more lines!
So pure,
So blue,
So salty...
Horizontal miracle
Universal,
Realised in a single word.

Miguel Torga
Diário XV 

sábado, 10 de maio de 2014

Quando um poema nos toca a alma

Há dias de sorte, um deles foi hoje no III Ciclo de conferências convento dos Capuchos, pois tive o privilégio de  ouvir este soberbo poema que desconhecia de Daniel Keene. Vale a pena saboreá-lo.


Ser é ser visto.
Ver é trazer à existência.
Eu sou como sou visto. Olhas-me e eu
sou criado por ti.
Olho para ti e criei-te.
Sou o reflexo na superfície
dos teus olhos .
Estou ali para que me possas ver.
Vejo os meus olhos no espelho dos teus olhos. Vejo-me a
ver-te veres-me.
“The Mediations of Joseph C. Merrick” – The Elephant People, Daniel Keene

domingo, 28 de abril de 2013

Cinco razões pelas quais precisamos da poesia nas Escolas

Retirado daqui

 

Five Reasons Why We Need Poetry in Schools

 Elena Aguilar
 
Let me start with this: We need poetry. We really do. Poetry promotes literacy, builds community, and fosters emotional resilience. It can cross boundaries that little else can. April is National Poetry Month. Bring some poetry into your hearts, homes, classrooms and schools. Here are five reasons why we need poetry in our schools.

Reason #1: Poetry helps us know each other and - ler mais aqui

terça-feira, 30 de agosto de 2011

1394 - Chuva Distante

















Alguma vez pensaste no destino de todos os poemas que são escritos? Mas que nunca se deixa os outros lerem?
Talvez sejam demasiado íntimos e pessoais.
Talvez sejam apenas maus demais
Talvez o receio de uma emoção tão sincera poder ser considerada tosca, superficial, ridícula, pretensiosa, melosa, obsoleta, patética, trivial, enfadonha, rebuscada, incompreensível, inútil ou simplesmente embaraçosa seja razão suficiente para o aspirante a poeta resolver esconder o seu trabalho da vista do público para sempre.
Naturalmente muitos poemas são imediatamente destruídos, queimados, rasgados, lançados à sanita.
Alguns são dobrados em quadradinhos a fazer de calço sob uma peça de mobília instável (o que prova a sua utilidade!)
Outros são escondidos atrás dum tijolo solto ou dum cano de esgoto ou fechados na caixa dum despertador velho ou metidos entre páginas dum livro obscuro com poucas hipóteses de voltar a ser aberto.
É possível que um dia alguém os encontre, mas é pouco provável. A verdade é que a poesia que não se lê fica quase sempre perdida, condenada a juntar-se a um grande e invisível rio de lixo que corre para fora dos subúrbios. Enfim quase sempre.
Em raras ocasiões, alguns papéis escritos mais obstinados conseguem fugir para um quintal ou ruela são levados pelo vento ao longo dos muros e, finalmente, vão parar ao parque de estacionamento dum centro comercial como tantas outras coisas. E é ai que um caso espantoso se dá. Dois ou mais farrapinhos de poesia são atraídos uns para os outros por um estranho magnetismo ignorado pela física e, muito devagar, vão-se unindo e formando uma bola grande e informe.
Se ninguém lhe mexer, essa bola vai-se aos poucos tornando maior e mais redonda, e mais versos livres, confissões, segredos, devaneios, votos e cartas de amor não enviadas se prendem uns aos outros um a um.
Essa bola corre rasteirinha pelas ruas como um carro corredor durante meses ou anos. Se sair só à noite, pode sobreviver ao trânsito e às crianças e sempre rolando devagar sobre si mesma, escapar aos caracóis (seus maiores predadores). Mais crescida, abriga-se instintivamente do mau tempo sem ninguém dar por ela mas, fora isso, vagueia pelas ruas à procura dos restos de ideias e emoções esquecidas.
Com sorte e paciência a bola da poesia torna-se grande, gigante, enorme: uma imensa acumulação de papelinhos que acaba por se erguer e levitar movida pela simples força de tanta emoção silenciada. Vai pairando docemente sobre os telhados dos subúrbios quando toda a gente dorme e os cães solitários ladram-lhe a meio da noite.
Infelizmente uma bola de papel por maior e mais leve que seja contínua a ser muito frágil. Mais tarde ou mais cedo será apanhada por uma súbita rajada de vento, fustigada pela chuva torrencial e reduzida em poucos minutos a um milhão de papelinhos ensopados.
Uma manhã toda a gente ao acordar vai encontrar uma pasta esponjosa a cobrir os jardins, a entupir as sarjetas, a colar-se aos pára-brisas dos carros. O trânsito vai ficar interrompido, as crianças encantadas, os adultos perplexos sem conseguirem perceber a origem do fenómeno. Ainda mais estranho será descobrirem que cada pedaço de papel molhado que contém algumas palavras desbotadas reunidas num verso acidental quase ilegível mas inegavelmente presente.
A cada leitor os versos murmuram mensagens diferentes, mensagens alegres, mensagens tristes, verdadeiras, absurdas, hilariantes, profundas e perfeitas. Ninguém será capaz de explicar a estranha sensação de leveza ou o sorriso secreto que perdura muito depois de os varredores acabarem o seu trabalho.
  
Shaun tan

sábado, 30 de outubro de 2010

Desafio para adultos "muito sérios"

Regresso a este "cantinho da leitura" com um poema que descobri há uns tempos e me deixou maravilhada... (Pesquisei o autor, falecido recentemente, e verifiquei que não está traduzido em português. Que pena!)

Usted

Usted
que es una persona adulta
-y por lo tanto sensata,
madura, razonable,
con una gran experiencia
y que sabe muchas cosas,
¿qué quiere ser cuando sea
n i ñ o ?


Jairo Aníbal Niño

domingo, 6 de dezembro de 2009

Querem ver estrelas?


Descobri esta e estou fascinada! (Conheço outros textos do autor e recomendo.)

Uma pérola com potencial para convencer mesmo alguns adolescentes mais arredados da poesia...


Partilho.


P.S. Deixem brilhar as vossas estrelas!


Mizaar


Há dentro de ti uma estrela

Porque não a deixas brilhar?

Não receies cegar os outros

nem que estes te possam cegar


Há dentro de ti uma estrela

Mesmo que a luz seja fria

brilha tanto como as outras

e brilha de noite e de dia


Jorge Sousa Braga


1908 (da consciência da existir) - 25 anos de trabalho em bibliotecas

Faz hoje, dia 1 de setembro, 25 anos que comecei a trabalhar no mundo das bibliotecas escolares. Tudo começou a 1 de setembro de 2001, por a...