Soube ontem pela Maria que fez "30 anos que Adriano nos deixou fisicamente.
Ficou a sua voz, a voz da ternura, para o sentirmos por perto..."
Passaram já 30 anos!!!
Lembro-me bem do dia em que a anunciaram. Era estudante universitário em Coimbra e estava no 1º Ano. Até essa altura, ouvia o Adriano mas não lhe dava especial atenção. Com Coimbra e ao ouvir o fado comecei a ouvi-lo com mais e mais atenção, tendo ainda o privilégio de o ouvir às refeições através da rádio Universidade (era mesmo um privilégio e eram bons tempos aqueles, os do associativismo). Arranjei ainda umas cassetes com a música dele. Por uns tempos tive um pseudónimo chamado "Adriano" que usava para escrever uns textos sobre determinadas temáticas.
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Passaram-se 30 anos. Dos meus sonhos de universitário, penso que não cumpri nenhum! (daqueles que me lembro), nasceram outros. Como dizia uma canção do Lennon "A vida é tudo o que te acontece apesar de poderes ter outros projetos"
Não faz mal! penso que mantive aquela ideia de acertar, de viver uma vida cheia, de procurar realizar-me. Tem sido difícil, mas tenho que reconhecer que fiz caminho.
30 Anos!
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quarta-feira, 17 de outubro de 2012
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
1536 - Tejo que levas as águas
Tejo que levas as águas
Manuel da Fonseca / Adriano Correia de Oliveira
Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar
Lava-a de crimes espantos
de roubos, fomes, terrores,
lava a cidade de quantos
do ódio fingem amores
Leva nas águas as grades
de aço e silêncio forjadas
deixa soltar-se a verdade
das bocas amordaçadas
Lava bancos e empresas
dos comedores de dinheiro
que dos salários de tristeza
arrecadam lucro inteiro
Lava palácios, vivendas
casebres, bairros da lata
leva negócios e rendas
que a uns farta e a outros mata
Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar
Lava avenidas de vícios
vielas de amores venais
lava albergues e hospícios
cadeias e hospitais
Afoga empenhos favores
vãs glórias, ocas palmas
leva o poder de uns senhores
que compram corpos e almas
Leva nas águas as grades
de aço e silêncio forjadas
deixa soltar-se a verdade
das bocas amordaçadas
Das camas de amor comprado
desata abraços de lodo
rostos, corpos destroçados
lava-os com sal e iodo
Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
1410 - Canção tão simples
Esta é uma das canções de que guardo memória de infância/adolescência. Não deixa de ser curioso de pensar que nessa idade só se quer ouvir música com ritmo, mexida, tal e qual o ritmo que nos movia e, eis que, me apaixonei por esta e nunca me canso de a ouvir.
Tem um não sei quê de trágico, mas também de força que nos enche...
Quem poderá domar os cavalos do vento
Quem poderá domar este tropel do pensamento à flor da pele?
Quem poderá calar a voz do sino triste
Quem poderá proibir estas letras de chuva
Quem poderá prender os dedos farpas
a resposta é sempre só uma. Ninguém! por pior que esteja, a resposta mantém-se: Ninguém.
Já sei porque sempre gostei da música. Ela tem uma força descomunal
Quem poderá domar os cavalos do vento
quem poderá domar este tropel
do pensamento
à flor da pele?
Quem poderá calar a voz do sino triste
que diz por dentro do que não se diz
a fúria em riste
do meu país?
Quem poderá proibir estas letras de chuva
que gota a gota escrevem nas vidraças
pátria viúva
a dor que passa?
Quem poderá prender os dedos farpas
que dentro da canção fazem das brisas
as armas harpas
que são precisas?
Tem um não sei quê de trágico, mas também de força que nos enche...
Quem poderá domar os cavalos do vento
Quem poderá domar este tropel do pensamento à flor da pele?
Quem poderá calar a voz do sino triste
Quem poderá proibir estas letras de chuva
Quem poderá prender os dedos farpas
a resposta é sempre só uma. Ninguém! por pior que esteja, a resposta mantém-se: Ninguém.
Já sei porque sempre gostei da música. Ela tem uma força descomunal
Quem poderá domar os cavalos do vento
quem poderá domar este tropel
do pensamento
à flor da pele?
Quem poderá calar a voz do sino triste
que diz por dentro do que não se diz
a fúria em riste
do meu país?
Quem poderá proibir estas letras de chuva
que gota a gota escrevem nas vidraças
pátria viúva
a dor que passa?
Quem poderá prender os dedos farpas
que dentro da canção fazem das brisas
as armas harpas
que são precisas?
domingo, 2 de outubro de 2011
1409 - Saudades de Coimbra
Adriano foi o meu fiel companheiro no tempo de Coimbra. Esta foi uma das músicas que mais me acompanhou. Amar serenamente e tanta inquietação. Calma e inquietação. Que futuro escolher?
Como Hei-de Amar Serenamente
Como hei-de amar serenamente
Com tanto amigo na prisão.
Deixar intacta a minha voz
Para os acidentes da ternura.
Como hei-de estar sentado e calmo
Sentado e calmo com a minha amada.
Como hei-de estar sentado e calmo
Sentado e calmo com a minha amada.
Vendo os amigos desvanecendo
Na fria névoa da manhã.
Como hei-de estar amada contigo
E repousado sobre estas notícias?
Como hei-de estar amada contigo
E repousado sobre estas notícias?
Setas que lançam inesperadas
Para o meu flanco tão mortal.
Não posso estar serenamente
Não posso amar serenamente.
Não posso estar serenamente
Não posso amar serenamente.
Os versos esmagam-se na boca
E fica mais amarga a minha boca.
Não posso estar serenamente
Não posso amar serenamente.
Como Hei-de Amar Serenamente
Como hei-de amar serenamente
Com tanto amigo na prisão.
Deixar intacta a minha voz
Para os acidentes da ternura.
Como hei-de estar sentado e calmo
Sentado e calmo com a minha amada.
Como hei-de estar sentado e calmo
Sentado e calmo com a minha amada.
Vendo os amigos desvanecendo
Na fria névoa da manhã.
Como hei-de estar amada contigo
E repousado sobre estas notícias?
Como hei-de estar amada contigo
E repousado sobre estas notícias?
Setas que lançam inesperadas
Para o meu flanco tão mortal.
Não posso estar serenamente
Não posso amar serenamente.
Não posso estar serenamente
Não posso amar serenamente.
Os versos esmagam-se na boca
E fica mais amarga a minha boca.
Não posso estar serenamente
Não posso amar serenamente.
Adriano Correia de Oliveira
sexta-feira, 22 de maio de 2009
816 - A cultura da participação II
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Obrigado Maria! assim corrigi uma falha ainda maior. O Adriano entra pela primeira vez no meu Blogue (maravilhas das etiquetas). E pensar que Adriano foi o meu único e primeiro pseudónimo! Guardo fortíssimas recordações das músicas do Adriano! (ainda antes do Zeca!)
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