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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

1541 - Memórias de Adriano

Soube ontem pela Maria que fez "30 anos que Adriano nos deixou fisicamente.
Ficou a sua voz, a voz da ternura, para o sentirmos por perto..."


Passaram já 30 anos!!!
Lembro-me bem do dia em que a anunciaram. Era estudante universitário em Coimbra e estava no 1º Ano. Até essa altura, ouvia o Adriano mas não lhe dava especial atenção. Com Coimbra e ao ouvir o fado comecei a ouvi-lo com mais e mais atenção, tendo ainda o privilégio de o ouvir às refeições através da rádio Universidade (era mesmo um privilégio e eram bons tempos aqueles, os do associativismo). Arranjei ainda umas cassetes com a música dele. Por uns tempos tive um pseudónimo chamado "Adriano" que usava para escrever uns textos sobre determinadas temáticas.

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Passaram-se 30 anos. Dos meus sonhos de universitário, penso que não cumpri nenhum! (daqueles que me lembro), nasceram outros. Como dizia uma canção do Lennon "A vida é tudo o que te acontece apesar de poderes ter outros projetos"

Não faz mal! penso que mantive aquela ideia de acertar, de viver uma vida cheia, de procurar realizar-me. Tem sido difícil, mas tenho que reconhecer que fiz caminho.

30 Anos!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

1536 - Tejo que levas as águas



Tejo que levas as águas
Manuel da Fonseca / Adriano Correia de Oliveira

Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar

Lava-a de crimes espantos
de roubos, fomes, terrores,
lava a cidade de quantos
do ódio fingem amores

Leva nas águas as grades
de aço e silêncio forjadas
deixa soltar-se a verdade
das bocas amordaçadas

Lava bancos e empresas
dos comedores de dinheiro
que dos salários de tristeza
arrecadam lucro inteiro

Lava palácios, vivendas
casebres, bairros da lata
leva negócios e rendas
que a uns farta e a outros mata

Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar

Lava avenidas de vícios
vielas de amores venais
lava albergues e hospícios
cadeias e hospitais

Afoga empenhos favores
vãs glórias, ocas palmas
leva o poder de uns senhores
que compram corpos e almas

Leva nas águas as grades
de aço e silêncio forjadas
deixa soltar-se a verdade
das bocas amordaçadas

Das camas de amor comprado
desata abraços de lodo
rostos, corpos destroçados
lava-os com sal e iodo

Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

1410 - Canção tão simples

Esta é uma das canções de que guardo memória de infância/adolescência. Não deixa de ser curioso de pensar que nessa idade só se quer ouvir música com ritmo, mexida, tal e qual o ritmo que nos movia e, eis que, me apaixonei por esta e nunca me canso de a ouvir.
Tem um não sei quê de trágico, mas também de força que nos enche...

Quem poderá domar os cavalos do vento
Quem poderá domar este tropel do pensamento à flor da pele?
Quem poderá calar a voz do sino triste
Quem poderá proibir estas letras de chuva
Quem poderá prender os dedos farpas

a resposta é sempre só uma. Ninguém! por pior que esteja, a resposta mantém-se: Ninguém.

Já sei porque sempre gostei da música. Ela tem uma força descomunal

Quem poderá domar os cavalos do vento
quem poderá domar este tropel
do pensamento
à flor da pele?

Quem poderá calar a voz do sino triste
que diz por dentro do que não se diz
a fúria em riste
do meu país?

Quem poderá proibir estas letras de chuva
que gota a gota escrevem nas vidraças
pátria viúva
a dor que passa?

Quem poderá prender os dedos farpas
que dentro da canção fazem das brisas
as armas harpas
que são precisas?

domingo, 2 de outubro de 2011

1409 - Saudades de Coimbra

Adriano foi o meu fiel companheiro no tempo de Coimbra. Esta foi uma das músicas que mais me acompanhou. Amar serenamente e tanta inquietação. Calma e inquietação. Que futuro escolher? 

Como Hei-de Amar Serenamente


Como hei-de amar serenamente
Com tanto amigo na prisão.
Deixar intacta a minha voz
Para os acidentes da ternura.
Como hei-de estar sentado e calmo
Sentado e calmo com a minha amada.

Como hei-de estar sentado e calmo
Sentado e calmo com a minha amada.
Vendo os amigos desvanecendo
Na fria névoa da manhã.
Como hei-de estar amada contigo
E repousado sobre estas notícias?

Como hei-de estar amada contigo
E repousado sobre estas notícias?
Setas que lançam inesperadas
Para o meu flanco tão mortal.
Não posso estar serenamente
Não posso amar serenamente.


Não posso estar serenamente
Não posso amar serenamente.
Os versos esmagam-se na boca
E fica mais amarga a minha boca.
Não posso estar serenamente
Não posso amar serenamente.

Adriano Correia de Oliveira

sexta-feira, 22 de maio de 2009

816 - A cultura da participação II



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Obrigado Maria! assim corrigi uma falha ainda maior. O Adriano entra pela primeira vez no meu Blogue (maravilhas das etiquetas). E pensar que Adriano foi o meu único e primeiro pseudónimo! Guardo fortíssimas recordações das músicas do Adriano! (ainda antes do Zeca!)

1908 (da consciência da existir) - 25 anos de trabalho em bibliotecas

Faz hoje, dia 1 de setembro, 25 anos que comecei a trabalhar no mundo das bibliotecas escolares. Tudo começou a 1 de setembro de 2001, por a...