Mostrar mensagens com a etiqueta do que somos feitos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta do que somos feitos. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

1852 (Do que nos faz únicos) - Prefiro a rua do Ouro

Fui rejeitado a cotovelo pelos saldos
Vi um ourives preso ao alfinete da gravata
A caprichar em filigranas
Com uma pé-de-avestruz americana
O cheiro do café recém-moído transportou-me a outras plagas
Vi as sangrentas luvas pinares sobre as cabeças transeuntes
Ouvi dizer a um tipo que bela forma
E pensei que terás tu para lhe meter dentro?
Li num cabeçalho o passado tem os olhos do presente postos no futuro
Embarquei em sapatos enforquei-me em gravatas
Descompus Cesário Verde que atravessava a rua
sobraçando uma chave-inglesa o descuidado
Contei os buracos duma roda de gruyère na montra daquela charcutaria que tem uns rissóis sabes de camarão
Comprei um candeeiro diz que nórdico
a sua luz acompanha a mão de quem escreve e pára quando a mão para
Ouvi pedir compra-me o comboio eléctrico
E ouvi adiar se passares compro
Senti o cheiro das revistas recém-postas à venda
E pensei que bom estamos na Europa
Escorreguei os olhos pelas tabuletas dos advogados
Fisguei a abelha do trabalho que o Cesariny transformou em mosca
E também vi vou sempre ver o pelicano do frontão
Reflectido na montra faz um figuralhão
Subi ao de Santa Justa e para dominar os complexos
Deitei lá de cima um avião
Vi à noite os casais que vêm ver as montras
Gente que faz o quilo de nariz contra o vidro
Ouvi dizer a Banca é muitas vezes detestada porque pouca gente sabe o que é um Banco
Sigo as recomendações dos lojistas da artéria
Prefiro a Rua do Ouro


Alexandre O'Neill

quinta-feira, 29 de junho de 2017

1489 (do que somos feitos) Acontecer

Acontecer

Rasgo as ondas
risco o vento
trago um mar revolto
um rombo
no meu peito.

Raspo as asas no lençol de estrelas
de uma noite branca.

Sei que um dia destes
hei
de acontecer.

José Fanha

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

1832 - (do que somos feitos) - Aqui estou eu

"Aqui estou eu
Mestiço de negro e branco
Severo e brando
Obstinado e ocioso
Modesto e orgulhoso
Obsessivo e sereno
Manso e prudente
Agradável e egocêntrico
Talvez a lei dos contrários
Impere em mim
Ou talvez haja apenas
Uma simbiose de antíteses
O que faz de mim indivíduo
Pois é…
Eu sou eu."


Delmar Maia Gonçalves

1908 (da consciência da existir) - 25 anos de trabalho em bibliotecas

Faz hoje, dia 1 de setembro, 25 anos que comecei a trabalhar no mundo das bibliotecas escolares. Tudo começou a 1 de setembro de 2001, por a...