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domingo, 18 de abril de 2010
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Marcadores de livros

Num blogue sobre prazeres da leitura, não podia faltar uma referência aos marcadores de livros, acessório tão essencial e tão motivadora para a leitura.
(Já tive um conjunto de marcadores que considerava únicos, significativos e com imenso valor afectivo - recordo sobretudo uns que comprei na sinagoga de Praga que eram feitos a partir de desenhos de crianças que passaram pelos campos de concentração. No entanto, o meu mais velho enamorou-se deles e agora tem uma colecção magnífica)
Deixo-vos um texto magnífico do José Fanha que descobri com a Jack
Jack, obrigado pela partilha
Aos meus amigos marcadores (texto de José Fanha)
"Ler inclui um vasto conjunto de práticas que variam de época para época, de local para local, de pessoa para pessoa.
Cada um lê de uma maneira própria...
No meio da sala, num cantinho escondido, numa mesa de café, no autocarro, na biblioteca, na cama.
Mas também...
Junto à lareira no Inverno, no meio da verdura inebriante de um jardim na Primavera, no fresco da brisa nocturna no Verão.
Ou ainda...
De pé, sentado, de pernas para o ar, deitado.
Porventura...
De dia, de tarde, de noite.
Por vezes...
A tomar chá ou café, a beber uma cerveja, a comer amendoins.
Eventualmente...
Vestido de fato e gravata, de fato de treino, de calções, de pijama.
Alguns...
Com um lápis roído na mão ou a torcer e retrocer uma ponta de cabelo.
Todos nós temos os nossos rituais de leitura e os nossos auxiliares. De entre os muitos auxiliares de leitura possíveis gosto de nomear o marcador.
Há quem o use apenas para cumprir uma função: marcar a página em que se parou a leitura sem ter que a dobrar ou danificar.
Mas o marcador trás consigo uma mensagem . É colorido ou sombrio. Reproduz uma obra de arte. Traz um desenho. Fala por vezes de outro livro.
O marcador é um amigo, uma espécie de mediador entre nós, o livro que lemos e o próprio acto de leitura. O marcador acaba por falar connosco acrescentando um "ruído" de fundo aquele maravilhoso acto de ler em solidão.
Adoro marcadores. São amigos que não dispenso neste vício bom que é ler. Como quem escolhe uma gravata que fique bem com uma determinada camisa, ou uma camisa que fique bem com um determinado fato, escolho cuidadosamente para cada livro que vou ler, o marcador que "lhe vai bem".
Tenho a certeza de que o mundo fica mais feliz quando procuramos equilíbrio entre as coisas. Por isso, a escolha de uma coisa tão simples como um marcador não pode ser um acto arbitrário mas uma atitude estética e ética como, no fundo, são todas as escolhas."
José Fanha
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