| --- O sol nas noites e o luar nos dias |
De amor nada mais resta que um Outubro |
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sábado, 21 de fevereiro de 2015
O Sol nas noites e o luar nos dias
Porque hoje tive o privilégio de ouvir o poema e de o ver reinterpretado
quarta-feira, 23 de maio de 2012
1498 - Mais uma etapa concluída
Uffff. Acabei a tese e vou amanhã entregá-la na sua versão impressa. Depois só faltará a marcação da sua defesa!
Confesso que me deu muito gozo todo este processo e consegui (contra as minhas expetativas) conduzi-lo sem stresses (exceto neste último fim de semana).
Este acabou por ser um ano muito bom em que fui sendo capaz de superar-me e responder a inúmeros desafios. Relembro agora com muito prazer a revisão de capítulos da tese feitas em locais bem diversos: No Alfa, em aeroportos, no café... fez sentido sim e aprendi!
Sobrevivi também a um mês de maio em que tive inúmeras tarefas de responsabilidade para fazer! menos mal (um congresso para organizar, ser júri de um concurso com a inevitável leitura de trabalhos que levam o seu tempo).
Deve ser por gostar mesmo de desafios que hoje (sem que inicialmente fosse intencional a escolha) acabei por ouvir três vezes seguidas, no carro, o lindíssimo poema da Natália Correia!
É isso mesmo: nem anjinho, nem morto! aqui estou eu, vivinho da silva e com a esperança de que o melhor da vida ainda estará para vir!
Sem pecado e sem inocência? nem pensar!
De uma história sem enredo não quero fazer parte!
Confesso que me deu muito gozo todo este processo e consegui (contra as minhas expetativas) conduzi-lo sem stresses (exceto neste último fim de semana).
Este acabou por ser um ano muito bom em que fui sendo capaz de superar-me e responder a inúmeros desafios. Relembro agora com muito prazer a revisão de capítulos da tese feitas em locais bem diversos: No Alfa, em aeroportos, no café... fez sentido sim e aprendi!
Sobrevivi também a um mês de maio em que tive inúmeras tarefas de responsabilidade para fazer! menos mal (um congresso para organizar, ser júri de um concurso com a inevitável leitura de trabalhos que levam o seu tempo).
Deve ser por gostar mesmo de desafios que hoje (sem que inicialmente fosse intencional a escolha) acabei por ouvir três vezes seguidas, no carro, o lindíssimo poema da Natália Correia!
É isso mesmo: nem anjinho, nem morto! aqui estou eu, vivinho da silva e com a esperança de que o melhor da vida ainda estará para vir!
Sem pecado e sem inocência? nem pensar!
De uma história sem enredo não quero fazer parte!
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
1440 - Ainda em tempo de festas
"Estes" tipos já me conseguiram tirar mais um pequeno "prazer". Não é que eu valorize muito festas com dias muito marcados e convencionais como o Carnaval (em que se vê a malta meio despida, a tremer de frio, a querer imitar uma mais genuína festa tropical) ou a passagem do ano pois torna-se esquisito acompanhar os noticiários de dia 31 de Dezembro e ver que de leste para oeste já muito celebraram o novo ano, fruto de uma convenção relativa à marcação das horas e dias.
Mesmo assim, o Ano Novo sempre era alguma coisa que marcava algo com os tais votos/decisões/balanços de perdas e ganhos e a tentativa de acertar alguns passos...
Pois, até a ideia de que o que estava para vir podia ser melhor do que o que já existia nos foi roubada! temos a promessa da emigração para nós e para os nossos filhos e a certeza de que o próximo vai ser pior do que este. Onde já se viu o iva da electricidade a 23%? como se ter luz em casa fosse um luxo!!! É o tal regresso ao passado e ao empobrecimento que querem que assumamos!
Regresso ao passado? só aquela das boas memórias de Natais longínquos em que nós, as crianças, comíamos na cozinha antes do "grandes" e era uma diversão o resto da noite enquanto os adultos jantavam sossegados e conversavam pachorrentamente.
Lembro-me bem da primeira vez que me sentei à mesa na ceia de Natal e tive direito a estar com os adultos a jantar! O avô, a avó, os tios e tias, os pais, os primos, os irmãos!
De tudo o resto, de alguns que abandonavam a escola precocemente, da guerra que nos chegava a casa pela TV, dos embarques do avô, da emigração, das cartas que chegavam lidas, não quero regresso!
Regresso que aceito é o da esperança, na noite da passagem do ano, em que desejávamos, em cima de uma cadeira, como num toque de magia o concretizar de todas as esperanças, mesmo as impossíveis!
Dão-nos um lírio e um canivete...
Mesmo assim, o Ano Novo sempre era alguma coisa que marcava algo com os tais votos/decisões/balanços de perdas e ganhos e a tentativa de acertar alguns passos...
Pois, até a ideia de que o que estava para vir podia ser melhor do que o que já existia nos foi roubada! temos a promessa da emigração para nós e para os nossos filhos e a certeza de que o próximo vai ser pior do que este. Onde já se viu o iva da electricidade a 23%? como se ter luz em casa fosse um luxo!!! É o tal regresso ao passado e ao empobrecimento que querem que assumamos!
Regresso ao passado? só aquela das boas memórias de Natais longínquos em que nós, as crianças, comíamos na cozinha antes do "grandes" e era uma diversão o resto da noite enquanto os adultos jantavam sossegados e conversavam pachorrentamente.
Lembro-me bem da primeira vez que me sentei à mesa na ceia de Natal e tive direito a estar com os adultos a jantar! O avô, a avó, os tios e tias, os pais, os primos, os irmãos!
De tudo o resto, de alguns que abandonavam a escola precocemente, da guerra que nos chegava a casa pela TV, dos embarques do avô, da emigração, das cartas que chegavam lidas, não quero regresso!
Regresso que aceito é o da esperança, na noite da passagem do ano, em que desejávamos, em cima de uma cadeira, como num toque de magia o concretizar de todas as esperanças, mesmo as impossíveis!
Dão-nos um lírio e um canivete...
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro
terça-feira, 17 de novembro de 2009
952 - Poema destinado a haver domingo
Poema destinado a haver domingo
Bastam-me as cinco pontas de uma estrela
E a cor dum navio em movimento
E como ave, ficar parada a vê-la
E como flor, qualquer odor no vento.
Basta-me a lua ter aqui deixado
Um luminoso fio de cabelo
Para levar o céu todo enrolado
Na discreta ambição do meu novelo.
Só há espigas a crescer comigo
Numa seara para passear a pé
Esta distância achada pelo trigo
Que me dá só o pão daquilo que é.
Deixem ao dia a cama de um domingo
Para deitar um lírio que lhe sobre.
E a tarde cor-de-rosa de um flamingo
Seja o tecto da casa que me cobre
Baste o que o tempo traz na sua anilha
Como uma rosa traz Abril no seio.
E que o mar dê o fruto duma ilha
Onde o Amor por fim tenha recreio.
Natália Correia
Poesia Completa
Publicações Dom Quixote
1999
quinta-feira, 17 de maio de 2007
199 - Gosto de gente que arrisca

Aborrecem-me os meios termos e aqueles que nos querem meter num "limbo"...
não penses,
não sejas,
não vivas,
não te arrisques,
deixa-te ficar quietinho,
não faças ondas
será prudente?
eu não faria isso?
não penses,
não sejas,
não vivas
Queixa das almas jovens censuradas
Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte
Natália Correia, in "O Nosso Amargo Cancioneiro"
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