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quarta-feira, 28 de setembro de 2022

1902 (da resiliência) - Do que um homem é capaz

Do que um homem é capaz?
As coisas que ele faz
Pra chegar aonde quer

É capaz de dar a vida
Pra levar de vencida
Uma razão de viver

A vida é como uma estrada
Que vai sendo traçada
Sem nunca arrepiar caminho

E quem pensa estar parado
Vai no sentido errado
A caminhar sozinho

Vejo gente cuja vida
Vai sendo consumida
Por miragens de poder

Agarrados a alguns ossos
No meio dos destroços
Do que nunca vão fazer

Vão poluindo o percurso
Com as sobras do discurso
Que lhes serviu pra abrir caminho

À custa das nossas utopias
Usurpam regalias
Pra consumir sozinhos

Com políticas concretas
Impõem essas metas
Que nos entram casa adentro

Como a trilateral
Com a treta liberal
E as virtudes do centro

No lugar da consciência
A lei da concorrência
Pisando tudo pelo caminho

Pra castrar a juventude
Mascaram de virtude
O querer vencer sozinho

Ficam cínicos brutais
Descendo cada vez mais
Pra subir cada vez menos

Quanto mais o mal se expande
Mais acham que ser grande
É lixar os mais pequenos

Quem escolher ser assim
Quando chegar ao fim
Vai ver que errou o seu caminho

Quando a vida é hipotecada
No fim não sobra nada
E acaba-se sozinho

Mesmo sendo os poderosos
Tão fracos e gulosos
Que precisam do poder

Mesmo havendo tanta gente
Pra quem é indiferente
Passar a vida a morrer

Há princípios e valores
Há sonhos e amores
Que sempre irão abrir caminho

E quem viver abraçado
Na vida que há ao lado
Não vai morrer sozinho

E quem morrer abraçado
À vida que há ao lado
Não vai viver sozinho

José Mário Branco 

terça-feira, 14 de novembro de 2017

1855 (do que nos constitui) - Still crazy after all these years

Still Crazy After All These Years




I met my old lover
On the street last night
She seemed so glad to see me
I just smiled
And we talked about some old times
And we drank ourselves some beers
Still crazy after all these years
Still crazy after all these years

I'm not the kind of man
Who tends to socialize
I seem to lean on
Old familiar ways
And I ain't no fool for love songs
That whisper in my ears
Still crazy after all these years
Still crazy after all these years

Four in the morning
Crapped out
Yawning
Longing my life away
I'll never worry
Why should I?
It's all gonna fade

Now I sit by my window
And I watch the cars
I fear I'll do some damage
One fine day
But I would not be convicted
By a jury of my peers
Still Crazy
Still Crazy
Still Crazy after all these years
Paul Simon 

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

1423 - Quando o belo não nos pode deixar de tocar

1- Esta é a música que por estes dias tem viajado comigo no carro. E que boa companhia me faz! 2 - Excelentes os concertos organizados pela Câmara de Almada ao longo do mês de Outubro no âmbito do dia da música Gostei especialmente deste 22 de Outubro de 2011 | 19.00 horas Descuydado el ruiseñor (O incauto rouxinol) - Música nas Cortes de Bragança e Bourbón em Portugal e Espanha no século XVIII. As Cortes das dinastias de Bragança e Bourbon (Portugal e Espanha) foram importantes centros de actividade musical do século XVIII. Este facto coincidiu com uma forte internacionalização do gosto musical, que resultou numa amálgama do emergente e cada vez mais influente estilo italiano, com elementos de estilo francês e com os resquícios de algumas características próprias do já decadente estilo ibérico. Para além da vizinhança geográfica, a actividade musical destas duas cortes foi particularmente próxima, muito devido ao enlace matrimonial entre o príncipe espanhol Fernando de Bourbon, mais tarde, Fernando VI, e a princesa Maria Bárbara de Portugal. É precisamente em torno da actividade musical vivida nestas duas cortes que é estruturado o programa deste concerto. Pedro Bonet Programa I Alessandro Scarlatti (1659-1725) Cantata “Augellin, vago e canoro” Aria, Recitativo, Aria, Recitativo, Aria Jaume de la Tê y Sagau (h. 1680-1736) Cantata “Qué diría Cupido” (Cantatas humanas a solo, Lisboa 1723) Preludio Affectuoso, Recitativo, Aria, Coplas, Recitativo, Aria Domenico Scarlatti (1685-1757) Gavota K 64 Giga-Menuet K 78 José de San Juan (1670 ?-1747) Cantada humana de Eurotas y Diana Francisco Javier de Nebra (1705-1741) Partida amorosa “Descuidado ruyseñor” II Emanuel Rincón de Astorga (1680-1755?) Cantata “Non è sol la lontanaza” A tempo giusto, Recitativo, Aria Georg Friedrich Haendel (1685-1759) Sonata a trío en fa mayor Allegro, Grave, Allegro Giacomo Facco (1680-1753) Balletto 2 en sol mayor Preludio, Allemanda, Corrente, Giga Michel Pignolet de Montéclair (1667-1737) Cantate “Europe” (Cantates a une et deux voix avec simfonie…, troisième livre, Paris 1706) (Ouverture), Recitatif, Air, Recitatif, Air, Recitatif, Air Intérpretes Grupo de música barroca La Folia: Belén Gonzáles Castaño (flautas de bisel) | Guillermo Martínez (violoncelo) |Laura Puerto (cravo) Célia Alcedo: soprano Direcção e flautas de bisel: Pedro Bonet Descuidado el ruiseñor corre la luciente esfera. No sabe lo que es amor, que si su voz lo supiera nunca trinara su voz. Pero enamorado luego, llora y con sonoro canto en los gorgeos del llanto halla alibio en su dolor.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

1410 - Canção tão simples

Esta é uma das canções de que guardo memória de infância/adolescência. Não deixa de ser curioso de pensar que nessa idade só se quer ouvir música com ritmo, mexida, tal e qual o ritmo que nos movia e, eis que, me apaixonei por esta e nunca me canso de a ouvir.
Tem um não sei quê de trágico, mas também de força que nos enche...

Quem poderá domar os cavalos do vento
Quem poderá domar este tropel do pensamento à flor da pele?
Quem poderá calar a voz do sino triste
Quem poderá proibir estas letras de chuva
Quem poderá prender os dedos farpas

a resposta é sempre só uma. Ninguém! por pior que esteja, a resposta mantém-se: Ninguém.

Já sei porque sempre gostei da música. Ela tem uma força descomunal

Quem poderá domar os cavalos do vento
quem poderá domar este tropel
do pensamento
à flor da pele?

Quem poderá calar a voz do sino triste
que diz por dentro do que não se diz
a fúria em riste
do meu país?

Quem poderá proibir estas letras de chuva
que gota a gota escrevem nas vidraças
pátria viúva
a dor que passa?

Quem poderá prender os dedos farpas
que dentro da canção fazem das brisas
as armas harpas
que são precisas?

domingo, 2 de outubro de 2011

1409 - Saudades de Coimbra

Adriano foi o meu fiel companheiro no tempo de Coimbra. Esta foi uma das músicas que mais me acompanhou. Amar serenamente e tanta inquietação. Calma e inquietação. Que futuro escolher? 

Como Hei-de Amar Serenamente


Como hei-de amar serenamente
Com tanto amigo na prisão.
Deixar intacta a minha voz
Para os acidentes da ternura.
Como hei-de estar sentado e calmo
Sentado e calmo com a minha amada.

Como hei-de estar sentado e calmo
Sentado e calmo com a minha amada.
Vendo os amigos desvanecendo
Na fria névoa da manhã.
Como hei-de estar amada contigo
E repousado sobre estas notícias?

Como hei-de estar amada contigo
E repousado sobre estas notícias?
Setas que lançam inesperadas
Para o meu flanco tão mortal.
Não posso estar serenamente
Não posso amar serenamente.


Não posso estar serenamente
Não posso amar serenamente.
Os versos esmagam-se na boca
E fica mais amarga a minha boca.
Não posso estar serenamente
Não posso amar serenamente.

Adriano Correia de Oliveira

segunda-feira, 23 de maio de 2011

1340 - Sinal fechado II

A procura de ontem do video youtube do "Sinal Fechado", fez-me descobrir uma preciosidade e uma fabulosa interpretação desta mesma música por parte da Elis Regina que desconhecia. Repare-se nas mãos



E depois há ainda a versão de Chico Buarque a solo num album com o mesmo nome. Esta versão é muito intimista e tem um arranjo espectacular.

1349 - Olá, como vai? (Sinal fechado)



Esta é uma das músicas da minha vida! Acompanha-me desde os anos 70 e felizmente que regresso a ela e não a deixo ficar num qualquer baú! A vida é mesmo a arte do encontro embora haja tanto desencontro por aí
Simplesmente bela

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

1241 - Ficam as boas recordações e também faz parte da playlist

Dedicado a ...



Canção da América

Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir

Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou

Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam "não"
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração

Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.

Milton Nascimento

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

1239 - A minha playlist



Esta também é uma das imprescindíveis na minha playlist. Conheço-a de há muitos anos e na minha juventude tinha-a como lema/ideal

Hoje em dia, já não estou certo de poder dizer o "tu não" que dizia com convicção há anos atrás...
Tive que aprender a ser "hábil" e a "calar-me", no entanto há outros "tu não" que me orgulho de poder continuar a afirmar.
Do que mais me orgulho é o de ainda falhar os cálculos e ir de mãos dadas com o perigo. Como dizia alguém esta semana, "quem nunca arriscou, nunca deu o beijo da sua vida". Felizmente que continuo vivo! Felizmente que não vou à sombra dos abrigos e procuro manter um rumo.
Voa alto... voltamos ao início do blogue!


Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andersen

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

1237 - A minha playlist

L'absence de Serge Reggiani

Ouvi-a pela primeira vez com os meus 12/13 anos na casa de uma amiga cuja mãe era viúva recente. Pelos vistos a mãe ouvia-a muito...

Foi a primeira vez que consciencializei que podia haver ausência de um amor... ausência

Confesso que não a entendi muito bem nessa altura, mas logo que pude comprei o disco

Marcou-me... Sempre fui muito ingénuo e um pouco despreocupado (se calhar ainda o sou). Por essa altura tive o meu primeiro choque epistemológico.

Tenho-a ouvido ao longo destes anos em fases de ausência e saudades do futuro, de um não sei quê, que surge não sei de onde...



L'absence

C'est un volet qui bat
C'est une déchirure légère
Sur le drap où naguère
Tu as posé ton bras
Cependant qu'en bas
La rue parle toute seule
Quelqu'un vend des mandarines
Une dame bleu-marine
Promène sa filleule
L'absence, la voilà

L'absence

D'un enfant, d'un amour
L'absence est la même
Quand on a dit je t'aime
Un jour...
Le silence est le même

C'est une nuit qui tombe
C'est une poésie aussi
Où passaient les colombes
Un soir de jalousie
Un livre est ouvert
Tu as touché cette page
Tu avais fêlé ce verre
Au retour d'un grand voyage
Il reste les bagages
L'absence, la voilà

L'absence

D'un enfant, d'un amour
L'absence est la même
Quand on a dit je t'aime
Un jour...
Le silence est le même

C'est un volet qui bat
C'est sur un agenda, la croix
D'un ancien rendez-vous
Où l'on se disait vous
Les vases sont vides
Où l'on mettait les bouquets
Et le miroir prend des rides
Où le passé fait le guet
J'entends le bruit d'un pas
L'absence, la voilà

L'absence

D'un enfant, d'un amour
L'absence est la même
Quand on a dit je t'aime
Un jour...
Le silence est le même.

domingo, 12 de dezembro de 2010

1234 - A minha playlist





A razão desta escolha é tão óbvia que nem necessita descrição. Basta ler a letra e navegar no blogue...
Um auto-retrato de que gosto e me identifico desde que a ouvi a primeira vez, no tempo em que ainda via (já não tão assiduamente como antes)o festival da Canção.

Por esta altura o grupo de amigos e as opções de futuro marcavam muito(íssimo) os meus dias e noites!


Silêncio e tanta gente

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro o amor em teu olhar
É uma pedra
Ou um grito
Que nasce em qualquer lugar

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal aquilo que sou
Sou um grito
Ou sou uma pedra
De um lugar onde não estou

Às vezes sou também
O tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar

Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer
É uma pedra
Ou um grito
De um amor por acontecer

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal p'ra onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história d'aquilo que sou

sábado, 11 de dezembro de 2010

1233 - A minha playlist

Para esta não são necessárias muitas palavras. Acompanha(ou)-me há muitos anos. Passou já a fase do ritmo intenso e adoro esta versão mais calma, mas muito cúmplice, e ternurenta da Rita Lee e do Milton Nascimento

Encontro de corpos claro, mas encontro de pessoas e de afinidades/cumplicidades e esta versão é tão cúmplice!

Tentando imaginar loucuras
A gente faz amor por telepatia
No chão, no ar, na lua, na melodia
Mania de você
Imaginar
Na melodia
Nada melhor que não fazer nada


terça-feira, 20 de outubro de 2009

926 - Music was my first love



Confesso! a música é muito importante para mim. Ela acompanha-me ao longo de todo o dia e ao longo dos dias, meses e anos. Tenho músicas âncora e fetiches. No trabalho, preciso de música e se tenho tarefas importantes em mãos, então não posso passar sem música, seja ela com letra ou não. (até trabalho com poesia).

Por estes dias a música invade-me e permite-me suportar o ritmo...

Esta é uma das músicas que muito gosto! (de uma colectânia chamada "manhã Clara") que força é que ela me dá! E não se pense que é de saudades do passado ou de uma certo tempo que não volta mais. Saudades destas é do futuro!

---

Cheguei à conclusão que o mundo é muito injusto (e foi preciso chegar aos quarenta e muitos para isso...)
Então não é que a gata, passou os últimos dias a acompanhar a minha mulher (Salvaguardando as devidas distâncias de um metro) mas mantendo-se por aqui muito tempo e durante o fim de semana não apareceu?
Nem um minutinho!

Claro que hoje... Veio outra vez e por aqui se manteve um bom bocado... Acompanha os passos à distância mas acompanha

Já vai ver o que lhe faço. Se há coisa que sou é ciumento. da próxima fingirei que não a vejo e só espreitarei pelo olhito...

domingo, 4 de outubro de 2009

906 - Gracias a la vida



In Memorian:

Gracias a la vida que me deu a possibilidade de ter convivido desde muito novo com a música de Mercedes Sosa e de a ter como acompanhante da minha história pessoal desde há muito.

Gracias a la vida que esta mulher se manteve firme na defesa dos seus ideais e que, com isso, deu esperança a muitos sem qualquer esperança

Gracias a la vida que Mercedes Sosa e a sua música existiram para chatear todos os prepotentes desde mundo

Bem hajas por teres sido quem foste!
Bem hajas pela tua energia

Gracias a la vida que nos deste

domingo, 29 de março de 2009

759 - Um dos mais belos duetos de sempre (digo eu!)



UN PARFUM DE FIN DU MONDE

Dis, m'en veut surtout pas
si ma chanson a un parfum de fin du monde.
Dis, on se reverra
un café désert sans les cafés,
les gares comment faire pour se retrouver demain
On s'endormira puisque tout sera le grand sommeil
Dis, T'en fait surtout
pas si je vois déjà
Le premier oiseau d'un après guerre
sur un fil de fer
qui s'est barbelé au coeur des années
Now that I know your ins,
that I guess my outs,
You're a part of me,couldn't do without you.
Dis, on se reverra un café désert
sans les cafés les gares
comment faire pour se retrouver demain.
Tu m'endormiras
I may go to sleep
Je serai prêt
Hey don't you worry now
Si je vois déjà
le premier oiseau d'un après guerre
Soon there'll be a pair
lequel restera m'en veux surtout pas...

Michel Legrand (no filme " Les Uns et les Autres")

(ficou para sempre guardado na memória e continuo a emocionar-me quando a ouço)

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

273 - As pobres solteiras














Esta foi (é) umas das canções que mais marcaram a minha adolescência. Merece destaque neste espaço. Cantada pelo Francisco Fanhais que também foi (é) um grande companheiro nesta viagem chamada vida.

Elas andam de eléctrico, às vezes de autocarro
e vestem gabardinas mais velhas do que elas.
Cheiram um pouco a chuva, a escuro, a barro,
a naftalina, a piano e à cera das velas.

Elas andam nas ruas mas ninguém dá por elas,
pelos seus grandes dentes, suas magras orelhas,
seus óculos de massa, suas mãos amarelas,
suas blusas velhas, suas saias tão velhas.

E lêem os jornais de manhã à tardinha,
de manhã a manhã como quem ganha o dia,
têm rugas, verrugas e pés de galinha
lançaram-lhes nos olhos uma rede sombria.

Cultivam com ternura plantas e memórias
e os filhos das outras que elas viram nascer,
ou manipulam contas, ou usam palmatórias
para secar as lágrimas que não podem reter.

Têm fome de tudo, têm de tudo sede, têm falhas
de dinheiro, de amigos, de carinho.
aos pares, nas feias meias, caem malhas
e é só nos largos bolsos que as mãos encontram ninho.

Elas sabem que a vida lhes roubou os parentes
e que entre os que estão vivos há animais ferozes
e sentem longe o amor em homens sorridentes
e vêem-no escapar em círculos velozes.

Elas andam de eléctrico, mas também podem ir
de autocarro ou a pé, depressa ou devagar.
E encostam-se aos caixilhos para melhor dormir,
as faces junto aos vidros para poder sonhar.

António Rebordão Navarro

domingo, 7 de outubro de 2007

265 - músicas da minha vida I

Passeando hoje por Sintra, tive o prazer de ouvir na rádio uma das músicas que sempre achei fenomenais pelo ritmo, pela intrepretação, por vivências que faz lembrar.
Não podia de a colocar aqui, neste espaço tão meu.
Esta é uma das músicas da minha vida (porque desde que me conheço mexe comigo)



Ella Fitzgerald e Louis Armstrong

Summertime

Summertime and the living is easy
Fish are jumping and the cotton is high
Oh your daddy’s rich and your ma is good looking
So hush little baby, don’t you cry
One of these mornings
You’re going to rise up singing
Then you’ll spread your wings
And you’ll take the sky
But till that morning
There’s a nothing can harm you
With daddy and mammy standing by

1908 (da consciência da existir) - 25 anos de trabalho em bibliotecas

Faz hoje, dia 1 de setembro, 25 anos que comecei a trabalhar no mundo das bibliotecas escolares. Tudo começou a 1 de setembro de 2001, por a...