Afinal o melro é uma ela. Tem andado por aqui e não tem medo de nada. Pousa, dedica, saltita. Parece conviver bem connosco desde que seja à distância conveniente...
De perfil
De todas essas pedras, de todas, uma só, onde passa o vento, escolho para meu uso e alegria.
Eugénio de Andrade
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Eu Tenho um Melro Deolinda Composição: Pedro da Silva Martins
Eu tenho um melro que é um achado. De dia dorme, à noite come e canta o fado.
E, lá no prédio, ouvem cantar... E já desconfiam que escondo alguém para não mostrar.
Eu tenho um melro, lá no meu quarto. Não anda à solta, porque, se ele voa, cai sobre os gatos.
Cortei-lhe as asas para não voar. E ele faz das penas lindos poemas para me embalar.
Melro, melrinho, e se acaso alguém te agarrar, diz que não andas sozinho que és esperado no teu lar.
Melro, melrinho e se, por acaso, alguém te prender, não cantes mais o fadinho, não me queiras ver sofrer.
E não voltes mais, que estas janelas não as abro nunca mais.
Eu tenho um melro que é um prodígio. Não faz a barba, não faz a cama, descuida o ninho...
Mas canta o fado como ninguém. Até me gabo que tenho um melro que ninguém tem.
Eu tenho um melro... (-Que é um homem!) Não é um homem... (-E quem há-de ser?!) É das canoras aves aquela que mais me quer.
(-Deve ser homem!) Ah, pois que não! (Então mulher…) Há de lá ser!? É só um melro com quem dá gosto adormecer.
Melro, melrinho...[refrão]
E não voltes mais, que a tua gaiola serve a outros animais.
Amanhã (hoje) retomo o trabalho... O tal post sobre as férias não podia ser adiado mais. No fim de contas será preciso guardar os bons momentos na memória de modo a puder suportar os aus momentos que possam acontecer.
Confesso que iniciei o Agosto de rastos... Não conseguia parar e o "bad mood" era cada vez maior. Precisava mesmo de mudar de ares e ritmos.
As férias foram tempo de:
- retomar as relações familiares num clima de despreocupação e sem "stresses" porque é preciso fazer isto ou aquilo. Os primeiros dias não foram fáceis, depois... foram tempos fantásticos em que tudo fluia expontâneamente e serenamente. Foi bom ouvir e falar. Redescobrir que tenho gente fantástica (e boa) que vive a meu lado! Tempo para ouvir e sobretudo rir (afinal não me esqueci como é que se faz!)
- Quebrar todos as rotinas, horários e qualquer trabalho intelectual excepto ler. Não peguei numa folha de papel ou esferográfica (até alguns poemas que fiz, os esqueci por não os ter registado). Para o ano nem chegarei a levar papéis para organizar. Decididamente é pura perca de tempo. Nem abro a mala!
- Praia (muita), leitura (muita), noites de cinema (em casa graças ao DVD) e refeições, se as houve, foram as estritamente necessárias e sem horas marcadas.
- Ver e Ouvir: Deolinda (que noite!) Daniela Mercury (que noite!)
- Disfrutar do sol até ao tutano (entardecer)
- esquecer que há uma tutela que continua muito activa... Que se Lixe! não quero saber! nem tenho pachorra para os ouvir! (até me põe de mau humor) Dia 27 darei a minha opinião muito sincera!
A recordar: "os da minha rua de Ondjaki" fez-me recordar os tempos da minha infância e de escola. O meu Avô (que tanto me ensinou e que, na altura, tão distante me parecia quando queria silêncio para ouvir o fado ou as notícias na Emissora); as leituas em voz alta na escola, uma infância despreocupada e tanta coisa mais (o galinheiro da minha tia e as obras que lá ía fazer a casa com o meu avô)
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Para que conste que as férias são mesmo necessárias. Desde que regressei já me aconteceu:
a) uma reunião para preparar um projecto internacional/curso a acontecer em Setembro/Outubro b) bateram-me no carro duas vezes (no mesmo local do carro!!! - Tenho que ir à bruxa!) c) ter que arrumar a grande dessarumação que as pinturas do início de agosto trouxeram a esta casa e não houve paciência de as fazer d) tratar do jardim que tinha uma relva tão alta que mais parecia uma savana e) ter uma lista de tarefas a fazer antes de começar a trabalhar tão grande que hoje nem deu para almoçar!