Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel António Pina. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel António Pina. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

37 - (do espanto de viver) O regresso


O regresso

Como quem, vindo de países distantes fora de
si, chega finalmente aonde sempre esteve
e encontra tudo no seu lugar,
o passado no passado, o presente no presente,
assim chega o viajante à tardia idade
em que se confundem ele e o caminho.
Entra então pela primeira vez na sua casa
e deita-se pela primeira vez na sua cama.
Para trás ficaram portos, ilhas, lembranças,
cidades, estações do ano.
E come agora por fim um pão  primeiro
sem o sabor de palavras estrangeiras na boca.
Manuel António Pina
do livro "Como se desenha uma casa", edição Assírio & Alvim

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

1417 - Sem tempo para nada

Este mês de Outubro tem sido violentíssimo. Não é por causa de mim que o país está em crise. A trabalhar das 8h à 1h da manhã e a ganhar menos... não se queixem!!

Não tenho mesmo tempo para nada... ou melhor, minto! ontem, à hora de almoço em Setúbal, tirei 20 minutos para
subir ao miradouro para me deliciar com as fachadas, as ruas, as formas e lembrar-me de outros tempos e outros passeios.

Da conferência em que participei guardo este poema dito de uma forma sublime pela actriz Cristina Paiva da Associação Andante




Coisas que não há que há

Uma coisa que me põe triste
é que não exista o que não existe.
(Se é que não existe, e isto é que existe!)
Há tantas coisas bonitas que não há:
coisas que não há, gente que não há,
bichos que já houve e já não há,
livros por ler, coisas por ver,
feitos desfeitos, outros feitos por fazer,
pessoas tão boas ainda por nascer
e outras que morreram há tanto tempo!
Tantas lembranças de que não me lembro,
sítios que não sei, invenções que não invento,
gente de vidro e de vento, países por achar,
paisagens, plantas, jardins de ar,
tudo o que eu nem posso imaginar
porque se o imaginasse já existia
embora num sítio onde só eu ia...

Manuel António Pina

IV feira das Bibliotecas Escolares do Concelho de Setúbal

Ontem estive por aqui:

Haverá muito mais para escrever sobre este dia, no entanto e por agora, apetece-me destacar a brilhante intervenção de Cristina Paiva da associação artística Andante sobre as Bibliotecas Escolares e o trabalho de promoção da leitura.

Um poema, bem dito, também é uma "leitura por prazer".

(Pois também há Bibliotecas que não há e deviam haver)

Coisas que não há que há

Uma coisa que me põe triste
é que não exista o que não existe.
(Se é que não existe, e isto é que existe!)
Há tantas coisas bonitas que não há:
coisas que não há, gente que não há,
bichos que já houve e já não há,
livros por ler, coisas por ver,
feitos desfeitos, outros feitos por fazer,
pessoas tão boas ainda por nascer
e outras que morreram há tanto tempo!
Tantas lembranças de que não me lembro,
sítios que não sei, invenções que não invento,
gente de vidro e de vento, países por achar,
paisagens, plantas, jardins de ar,
tudo o que eu nem posso imaginar
porque se o imaginasse já existia
embora num sítio onde só eu ia...

Manuel António Pina

1908 (da consciência da existir) - 25 anos de trabalho em bibliotecas

Faz hoje, dia 1 de setembro, 25 anos que comecei a trabalhar no mundo das bibliotecas escolares. Tudo começou a 1 de setembro de 2001, por a...