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terça-feira, 10 de julho de 2012

O filho de mil homens, Valter Hugo Mãe


"Para entreter curiosidades, o velho Alfredo oferecia livros ao menino e convencia-o de que ler seria fundamental para a saúde. Ensinava-lhe que era uma pena a falta de leitura não se converter numa doença, algo como um mal que pusesse os preguiçosos a morrer. Imaginava que um não leitor ia ao médico e o médido o observava e dizia: você tem o colesterol a matá-lo, se continuar assim não se salva. E o médico perguntava: tem abusado dos fritos, dos ovos, você tem lido o suficiente. O paciente respondia: não, senhor doutor, há quase um ano que não leio um livro, não gosto muito e dá-me a preguiça. Então, o médido acrescentava: ah, fique pois sabendo que você ou lê urgentemente um bom romance, ou então vemo-nos no seu funeral dentro de poucas semanas. O caixão fechava-se como um livro. O Camilo ria-se. Perguntava o que era o colesterol, e o velho Alfredo dizia-lhe ser uma coisa de adultos que o esperaria se não lesse livros e ficasse burro. Por causa disso, quando lia, o pequeno Camilo sentia-se a tomar conta do corpo, como a limpar-se de coisas abstractas que o poderiam abater muito concretamente. Quando percebeu o jogo, o Camilo disse ao avô que havia de se notar na casa, a quem não lesse livros caía-lhe o tecto em cima de podre. O velho Alfredo riu-se muito e respondeu: um bom livro, tem de ser um bom livro. Um bom livro em favor de um corpo sem problemas de colesterol e de uma casa com o tecto seguro. Parecia uma ideia com muita justiça."

O filho de mil homens, Valter Hugo Mãe

domingo, 23 de janeiro de 2011

As mais belas coisas do mundo... e dos livros

Sempre que um livro me "marca" (especialmente quando nem sequer necessito de recorrer ao marcador porque o li de um fôlego só) lembro-me deste "cantinho" onde se reúnem partilhas entusiasmadas!

Trago-vos As mais belas coisas do mundo, de Valter Hugo Mãe (Editora objectiva).

De uma beleza e simplicidade enorme, impressiona pela forma como nos conduz pelo prazer da descoberta. Sei que por aqui passam muitos dos que nas salas de aula, nas bibliotecas tentam semear o prazer pela descoberta (cf. o chavão da pesquisa). Neste livro encontrarão uma história que constitui uma espécie de didáctica acerca dessa arte. Um álbum que atravessa várias idades e contribui para elevar os índices de literacia emocional.:)

Deliciem-se com esta passagem:

"Por causa dos mistérios, o meu avô inventava sempre motivos para me sugerir uma pesquisa, uma busca, um problema qualquer que arranjava para me pôr a pensar melhor acerca de um qualquer assunto. Umas vezes eu tinha de desmontar as pistas que me deixava e que me levariam a um doce, a um brinquedo, a um livro ou a um novo jogo."

1905 - (da consciência de existir) O uso do telemóvel e a perda da experiência ao vivo

  Há u m gesto que se tornou quase inevitável em qualquer espetáculo ao vivo: o erguer do telemóvel. No caso de um concerto em sala de espet...