
Chuva
Ponto a ponto se transcrevem os dias.
Cansou-se o sal de ser demais pujante
e ei-lo que esmorece numa palidez de trégua. Fia
mais fino o vento. Gota a gota
a chuva toma o seu lugar que, por direito,
nas horas que decorrem lhe pertence.
é então que a água fértil nos inunda
e enquanto bebemos vinho novo
há um campo de amor que é possuído
no amor em que a água e terra se repartem.
e caem folhas acenando a despedida
de um tempo em que o tempo estava feito.
mas nada atinge o belo nesta vida
a não ser que a chuva regue um amor-perfeito
Nuno Gomes dos Santos