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quinta-feira, 22 de novembro de 2018

1891 (das palavras) - A festa do silêncio

A Festa do Silêncio
Escuto na palavra a festa do silêncio.
Tudo está no seu sítio. As aparências apagaram-se.
As coisas vacilam tão próximas de si mesmas.
Concentram-se, dilatam-se as ondas silenciosas.
É o vazio ou o cimo? É um pomar de espuma.
Uma criança brinca nas dunas, o tempo acaricia,
o ar prolonga. A brancura é o caminho.
Surpresa e não surpresa: a simples respiração.
Relações, variações, nada mais. Nada se cria.
Vamos e vimos. Algo inunda, incendeia, recomeça.
Nada é inacessível no silêncio ou no poema.
É aqui a abóbada transparente, o vento principia.
No centro do dia há uma fonte de água clara.
Se digo árvore a árvore em mim respira.
Vivo na delícia nua da inocência aberta.
António Ramos Rosa, in "Volante Verde"

segunda-feira, 30 de maio de 2011

1354 - não consigo (e queria tanto!)














Não posso adiar o amor para outro século
Não posso
Ainda que o grito sufoque na garganta
Ainda que o ódio estale e crepite e arda
Sob montanhas cinzentas
E montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
Que é uma arma de dois gumes
Amor e ódio

Não posso adiar
Ainda que a noite pese séculos sobre as costas
E a aurora indecisa demore
Não posso adiar para outro século a minha vida
Nem o meu amor
Nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração

quinta-feira, 5 de maio de 2011

1336 - não posso adiar o coração


















 Por estes dias as emoções têm estado à flor da pele: Parece que nada bate certo e que todas as "estratégias"/opções tomadas na vida não fizeram sentido

"Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que só para mim
Anda o mundo concertado."

Não que me inclua no lado dos sempre bonzinhos coitadinhos. não! também tenho os meus defeitos... No entanto reconheço que tenho procurado encarar a minha vida profissional na lógica de procurar valorizar as relações humanas e não tentar passar por cima de ninguém.

Parece que não fui muito longe assim.

Há alguns "becos sem saída" que isso demonstram..

Então tentar ser como os "outros" valerá? pelos vistos também parece que não vamos longe assim! isso também é julgado como errado. Não podes ser diferentes dos outros pois isso é considerado sobranceria. Não podes ser igual pois isso é julgado com agir errado...

Que porra! que fazer? como sair do labirinto?

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Hoje... presencio uma cena típica de tentativa de "envenenar".o local de trabalho. Alguém que se julgava com um sentido de justiça superior (que acaba por ser tão cego, tão cego que nem justiça é, por não servir  o homem  mas apenas a "lei") tentava por os colegas contra um outro por este ter conseguido algo a que supostamente não deveria ter direito...
 
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Não sou assim!!! nunca me senti feliz com o mal dos outros e numa lógica de não é para mim e não é para ninguém...

No entanto...

Procurar outra lógica também não nos leva longe. Quem julgamos nós que somos? a perfeição moral? julgamos que conseguimos mudar o mundo? queremos um mundo só nosso? ou à nossa medida?

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Amor/ódio

Cada vez mais estas palavras andam juntas... por que diabo eu sou assim? qual o motivo para tanta emoção à flor da pele? por que diabo não se pode mesmo adiar o coração?

"Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração."


quarta-feira, 26 de setembro de 2007

261 - E não é que passei a gostar?







Confesso que este poema nunca me disse muito, talvez por ter sido musicado com um ritmo que não lhe empresta a urgência das palavras, talvez por nunca o ter lido com a atenção devida, talvez por não ter o estado de espírito adequado quando o leio.
Na sequência do post anterior, acho-o, por estes dias, lindo.

Não posso adiar o amor para outro século)

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio
não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
não posso adiar o coração
antónio ramos rosa

1908 (da consciência da existir) - 25 anos de trabalho em bibliotecas

Faz hoje, dia 1 de setembro, 25 anos que comecei a trabalhar no mundo das bibliotecas escolares. Tudo começou a 1 de setembro de 2001, por a...