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sábado, 13 de setembro de 2014

372 - O Mar na poesia portuguesa (tradução em inglês)

Sea!
And it is an open poem that echoes
in the conch of the shore...
Ah, if we could only hear it without more lines!
So pure,
So blue,
So salty...
Horizontal miracle
Universal,
Realised in a single word.

Miguel Torga
Diário XV 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

1520 - Relatos de férias II

 Bom, já que me decidi em fazer o relato das férias do fim para o princípio, não posso deixar de referir o regresso a casa.

O jardim parecia uma selva! como as árvores, arbustos, relva crescem em tão pouco tempo. Já nos levou 3 dias a tratá-lo e a pô-lo como deve ser e ainda já se encheu um contentor e meio (da Câmara) com as podas/cortes e limpezas. Uff... hoje fiquei de rastos com as roseiras que, para ainda terem nova floração antes do inverno necessitavam mesmo de serem tratadas... muitos picos e arranhões custam uma rosa!

Fiquei maravilhado com a minha macieira! nem consegui contar as maçãs que já colhi... muito mais de 50 sem contar com as que ainda ficam na árvore a amadurecer um pouco mais. E se elas são deliciosas. Valeu bem a pena o trabalho que tive com ela no Inverno a tratá-la e a podá-la. As árvores são como as pessoas: têm fases, também sofrem e têm momentos muito felizes!

Já a jovem amendoeira  me deu a sua primeira amêndoa que guardarei para recordação. Para o ano que vem a história já será outra. Que grande que ela já está ao fim de dois anos! 

Confesso que a vida do agricultor me fascina: conhecer os ritmos da natureza, entendê-los, perceber que o corte é necessário e é inerente ao crescimento!


Bucólica

A vida é feita de nadas
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;

De casas de moradia
Caídas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;

De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha.




Miguel Torga
S. Martinho de Anta, 30 de Abril de 1937

terça-feira, 26 de julho de 2011

1383 - Recomeça















Para ler devagarinho, mesmo muito devagar e saborear, palavra a palavra, de modo a que, chegado ao fim, se recomece...
 ---
Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças..

Miguel Torga - Recomeçar

domingo, 6 de março de 2011

1294 - Cio da Terra




















































A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;

De casas de moradia
Caídas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;

De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai a erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha.

domingo, 24 de maio de 2009

817 - A pausa



Precisei de parar!

Por estes dias,uma enorme sobrecarga de trabalho levou-me a uma saturação. Não era de férias que precisava, mas apenas de não pensar em nada.

Desligar...

Nem pensar sequer em abrir o P.C...

Dormir apenas...

O Lázaro

O Lázaro sou eu, não foi o outro,
O das migalhas e das chagas podres.
O Lázaro sou eu, aqui sentado
À mesa do Vice-Rei
A mastigar com nojo estes faizões!...
Sou eu, vestido de holanda,
A pregar a nudez que sempre usei
Nas grandes ocasiões!...

Sou eu, nado e criado para amar,
e que não sei amar!
Sou eu, que disse não e me perdi!
Que vi Deus e nunca acreditei!
Que vi a estrada impedida
E passei!...

Sou eu, que não sou feliz no Céu nem no Inferno,
porque no Céu há paz, e no Inferno há guerra,
e a minha Paz é outra, e a minha Guerra é outra...
Sou eu, tão Grande e Pequeno
que nem sirvo para grão
da parábola da mostarda!
Sou eu, que há vinte e sete anos
Vivo sem Anjo da Guarda!

Sou eu, que ou tudo ou nada, ou Vida ou Morte,
E acerto sempre na Morte!
Que espeto sempre o punhal
Onde não quero ferir!...
Que sou assim, às cegas e às golfadas,
como as dores abençoadas
de parir!

Sou eu, que me disse adeus
E fiquei à minha espera!...
E que naquela manhã de ano bissexto
- que podia ter sol e teve chuva –
recebi nestes meus braços
o esqueleto verdadeiro
da saudade amargurada
de quem não tem ausentes nem distâncias!

Sou eu, o louco sem asas
Que se lança aos abismos a cantar
A Canção do Inocente...
E que do fundo desse sonho novo
Atira a praga
Que o traga
àquela redentora incompreensão
do seu povo!...

Sou eu – e mostro-me todo!
Quem puder, arranque os olhos
e venha cheio de Fé
ver o Lázaro real
que não vem nos Evangelhos,
mas é!...

Miguel Torga
in “O outro Livro de Job”



Mas eis que hoje estive na inauguração da Biblioteca Municiapl José Saramago no Feijó

Soube-me muitíssimo bem!
Soube ainda melhor rever amigos! um pouco de má língua pois! e sobretudo perceber que as minhas intuições sobre certas pessoas e ambientes são comuns.

Menos mal

Afinal o problema nem era nosso, era do Outro! e é tão bom saber que, sem que tenhamos condicionado o raciocínio (pois nunca tínhamos dito uma palavra sobre o assunto)ouçamos outros a caracterizar de igual forma pessoas e ambientes dos quais temos a nossa opinião.

Obrigado
É para isto que servem os amigos
É tão bom saber que há alguém que nos escuta e que até nos dá razão sem que tenhamos ido com a conversa do coitadinho!

Já me sinto bem melhor e pronto para mais uma semana de trabalho

domingo, 8 de abril de 2007

180 - Páscoa















Obrigado Caro Miguel! Páscoa é isso mesmo

Depois do Inverno, morte figurada,
A Primavera,
uma assunção de flores.
A vida Renascida
E celebrada
Num festival de pétalas e cores.

Miguel Torga, diário XIV

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

157 - Conhece-te a ti mesmo















Livro de Horas

Aqui, diante de mim,
Eu, pecador, me confesso
De ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
Que vão em leme da nau
Nesta deriva em que vou.

Me confesso
Possesso
Das virtudes teologais,
Que são três,
E dos pecados mortais
Que são sete,
Quando a terra não repete
Que são mais.

Me confesso
O dono das minhas horas.
O das facadas cegas e raivosas
E das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo
Andanças
Do mesmo todo.

Me confesso de ser charco
E luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
Que atira setas acima
E abaixo da minha altura.

Me confesso de ser tudo
Que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
Desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.

Me confesso de ser Homem.
De ser o anjo caído
Do tal céu que Deus governa;
De ser o monstro saído
Do buraco mais fundo da caverna.

Me confesso de ser eu.
Eu, tal e qual como vim
Para dizer que sou eu
Aqui, diante de mim!

domingo, 7 de janeiro de 2007

135 - Quase um poema



















Quase um poema de amor

Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.
Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
--- Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor
Miguel Torga

1908 (da consciência da existir) - 25 anos de trabalho em bibliotecas

Faz hoje, dia 1 de setembro, 25 anos que comecei a trabalhar no mundo das bibliotecas escolares. Tudo começou a 1 de setembro de 2001, por a...