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terça-feira, 27 de junho de 2017

1488 (do amor) - Endechas a Barbara escrava

Endechas a Barbara escrava 

A üa cativa com quem andava d´amores na Índia chamada bárbora

Aquela cativa,
que me tem cativo,
porque nela vivo,
já não quer que viva.
Eu nunca vi rosa,
 que em suaves molhos,
que para meus olhos,
 fosse mais fermosa.

Nem no campo flores,
nem no céu estrelas,
me parecem belas,
como os meus amores.
Rosto singular,
olhos sossegados,
pretos e cansados,
 mas não de matar.

üa graça viva,
que neles lhe mora,
para ser senhora,
de quem é cativa.
Pretos os cabelos,
 onde o povo vão
perde opinião,
que os louros são belos.

Pretidão de Amor,
tão doce a figura,
que a neve lhe jura,
que trocara a cor.
Leda mansidão,
que o siso acompanha:
bem parece estranha,
mas bárbara não.

Presença serena,
que a tormenta amansa:
nela enfim descansa,
toda a minha pena.
Esta é a cativa,
que me tem cativo,
e, pois nela vivo,
é força que viva

Luís de Camões 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

371 - O Mar na poesia portuguesa (traduções em Inglês) 1


But gradually as we sailed
our native mountains disappeared from sight
As we left behind our Tagus and the cools hills
Of Sintra, and our eyes looked longingly upon them;
We also left our beloved land
The heart, that sorrow left there
And, soon after it all was gone,
Finally, we saw nothing but sky and sea.

Thus we were launched upon the seas
Where no generation had set sail,
The new Islands coming and new airs
That generous Henry discovered,
The Mountains and places of Mauritania,
A land possessed, in times, by Antaeus
That lies to our left, there to our right
Another is uncertain but suspected.

 

Luís de Camões
Os Lusíadas, Canto V, 3 e 4

quinta-feira, 5 de maio de 2011

1336 - não posso adiar o coração


















 Por estes dias as emoções têm estado à flor da pele: Parece que nada bate certo e que todas as "estratégias"/opções tomadas na vida não fizeram sentido

"Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que só para mim
Anda o mundo concertado."

Não que me inclua no lado dos sempre bonzinhos coitadinhos. não! também tenho os meus defeitos... No entanto reconheço que tenho procurado encarar a minha vida profissional na lógica de procurar valorizar as relações humanas e não tentar passar por cima de ninguém.

Parece que não fui muito longe assim.

Há alguns "becos sem saída" que isso demonstram..

Então tentar ser como os "outros" valerá? pelos vistos também parece que não vamos longe assim! isso também é julgado como errado. Não podes ser diferentes dos outros pois isso é considerado sobranceria. Não podes ser igual pois isso é julgado com agir errado...

Que porra! que fazer? como sair do labirinto?

---
Hoje... presencio uma cena típica de tentativa de "envenenar".o local de trabalho. Alguém que se julgava com um sentido de justiça superior (que acaba por ser tão cego, tão cego que nem justiça é, por não servir  o homem  mas apenas a "lei") tentava por os colegas contra um outro por este ter conseguido algo a que supostamente não deveria ter direito...
 
---
Não sou assim!!! nunca me senti feliz com o mal dos outros e numa lógica de não é para mim e não é para ninguém...

No entanto...

Procurar outra lógica também não nos leva longe. Quem julgamos nós que somos? a perfeição moral? julgamos que conseguimos mudar o mundo? queremos um mundo só nosso? ou à nossa medida?

---
Amor/ódio

Cada vez mais estas palavras andam juntas... por que diabo eu sou assim? qual o motivo para tanta emoção à flor da pele? por que diabo não se pode mesmo adiar o coração?

"Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração."


sexta-feira, 22 de abril de 2011

1327 - Endechas a Bárbara Escravaz



Aquela cativa que me tem cativo,
Porque nela vivo já não quer que viva.
Eu nunca vi rosa em suaves molhos,
Que pera meus olhos fosse mais formosa.

Nem no campo flores,
Nem no céu estrelas
Me parecem belas
Como os meus amores.
Rosto singular,
Olhos sossegados,
Pretos e cansados,
Mas não de matar.

Uma graça viva,
Que neles lhe mora,
Pera ser senhora
De quem é cativa.
Pretos os cabelos,
Onde o povo vão
Perde opinião
Que os louros são belos.

Pretidão de Amor,
Tão doce a figura,
Que a neve lhe jura
Que trocara a cor.
Leda mansidão,
Que o siso acompanha;
Bem parece estranha,
Mas bárbara não.

Presença serena
Que a tormenta amansa;
Nela, enfim, descansa
Toda a minha pena.
Esta é a cativa
Que me tem cativo;
E pois nela vivo,
É força que viva.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

1266 - Mas anda tudo baralhado por aqui?



Mas anda a Natureza meio amalucada no meu jardim ou quê?
Então não é que à hora de almoço tive um tempito para ir ao jardim e descubro que o meu jasmim, os narcisos e as roseiras estão quase, quase a aparecer numa explosão de cor! Ena a Primavera ainda em Janeiro!!! o que é isto? e eu cheio de frio que quase nem consigo usufruir do pequeno momento que irá ser a explosão de cor...








































































Mas, eis que me decido a ir ver o que se passa com a Magnólia e a Amendoeira que já deviam estar em flor... (e eu que já vi ambas em flor numas casas aqui pelos meus lados ;-( )

Deparo-me com isto... 2 tronquitos miseráveis... Então como é Srª Primavera? isto vale tudo? o que devia ser não é e o que é não devia ser? vamos lá a ver se isto entra nos eixos...








































Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já foi coberto de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

1908 (da consciência da existir) - 25 anos de trabalho em bibliotecas

Faz hoje, dia 1 de setembro, 25 anos que comecei a trabalhar no mundo das bibliotecas escolares. Tudo começou a 1 de setembro de 2001, por a...