sábado, 29 de agosto de 2026

1907 (das redes sociais) - As redes sociais e o seu modus operandi

 

Este post esteve para ter o título: “Se não vos apetecia vir, tinham ficado em casa, mas dado o desenvolvimento do caso, creio que ficará melhor o título: “as redes sociais e o seu modus operandi”

A história conta-se em poucas palavras. Na Quarteira, durante o Verão há, diariamente, animação noturna.  Na noite da foto cantava um grupo com modas do Alentejo para animar a rapaziada. Nem eram maus e cumpriam o fim a que se destinavam: Animar as gentes em férias. Estava muita gente a ouvi-los.

Não pude deixar de reparar num casal que estava a ver reels no telemóvel, num scroll infinito. Era gatos, cães, outros disparates para entreter, os 10 mais disto, os vídeos dos disparates humanos, a obrigar o utilizador a não desligar.

Esse telemóvel mudou de mãos e, após a primeira pesquisa, só apareciam vídeos bombásticos sobre saúde. Aqueles com os títulos: 5 erros fatais na alimentação, uma fruta que lhe salvará a vida, como curar um terçolho, como se livras de um ataque cardíaco, etc. Agora eram só reels com esta temática.

Pretensos amigos do povo que querem salvar a humanidade contando o que as farmacêuticas escondem, etc. Não vi nenhuma pesquisa em sítios credíveis. Passou-se outros 20 minutos nisto.

Deu-me para pensar na forma como o algoritmo funciona e na importância de se verificarem factos ou receber informação noutro sítios que não as redes sociais.     

O que mais me impressionou é que os scrolls infinitos eram todos monometálicos e eram lidos/vistos.

Onde é que isto nos levará? Para a não vacinação já levou e os casso de sarampo e difetria aumentam. Para erros alimentares com dietas loucas e quanto mais absurdas melhor pois mais captam a atenção…

Não sei bem como se poderá contrariar este estado de coisas. A literacia mediática e digital é, certamente, uma parte importante da resposta. Ensinar — desde cedo — a questionar, a comparar fontes, a reconhecer interesses, a distinguir evidência de opinião e a perceber como funcionam os algoritmos.

 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

1906 (das palavras) - Avós, precisas de mais livros



Um destes dias, o meu neto mais velho, que tem três anos, disse à avó que tínhamos de comprar mais livros porque já conhecia todas as histórias dos que temos em casa.
Claro que achei graça. E, como avô, confesso que fiquei todo babado 
Mas depois fiquei a pensar nisto.
O gosto pelos livros começa muito cedo. Muito antes de uma criança aprender a ler. Começa, sempre, ao colo dos pais e dos avós. Começa quando alguém pega num livro, abre as páginas e conta uma história e/ou o deixa folhear um livro ao ritmo dele e lhe chama a atenção para pormenores . Quando há tempo para ouvir, para perguntar, para rir, para repetir — outra vez e outra vez — a mesma história (e o que eles adoram esta repetição!).
Um leitor não nasce no dia em que aprende a juntar letras.
Um leitor começa a fazer-se ao colo de alguém.
É em casa que acontece, tantas vezes, esse primeiro encontro com os livros. E não é preciso uma grande biblioteca, nem comprar livros todas as semanas. Basta que os livros façam parte da vida das crianças. Que estejam por perto. Que sejam mexidos, folheados, escolhidos. Que as histórias tenham lugar no dia a dia.
Depois, claro, há outros espaços que têm de continuar esse caminho: as creches, os jardins de infância, as bibliotecas e as escolas. E é importante que tenham bons livros, muitos livros e livros novos. Porque nem todas as crianças têm as mesmas oportunidades de contacto com a leitura em casa e também se dá o caso que haver miúdos que acabam por dizer que já leram todos os livros da biblioteca escolar do 1º ciclo pois a coleção nunca é renovada.
É aí que podemos ajudar a diminuir algumas diferenças.
Mas aquele primeiro momento, talvez o mais importante, é muitas vezes muito simples: uma criança ao colo e alguém a abrir um livro.
Por isso, quando o meu neto diz que já conhece todas as histórias e que é preciso comprar mais livros, não posso deixar de sorrir.
Aparentemente, temos um pequeno leitor exigente cá em casa. . Era tão bom que houvesse todo um conjunto de pequenos leitores a “exigir” o mesmo!
Nota: Bom, claro que já fomos comprar outro novo

1908 (da consciência da existir) - 25 anos de trabalho em bibliotecas

Faz hoje, dia 1 de setembro, 25 anos que comecei a trabalhar no mundo das bibliotecas escolares. Tudo começou a 1 de setembro de 2001, por a...