Este post esteve para ter o título: “Se não vos apetecia vir, tinham ficado em casa, mas dado o desenvolvimento do caso, creio que ficará melhor o título: “as redes sociais e o seu modus operandi”
A história conta-se em poucas palavras. Na Quarteira,
durante o Verão há, diariamente, animação noturna. Na noite da foto cantava um grupo com modas do
Alentejo para animar a rapaziada. Nem eram maus e cumpriam o fim a que se
destinavam: Animar as gentes em férias. Estava muita gente a ouvi-los.
Não pude deixar de reparar num casal que estava a ver reels
no telemóvel, num scroll infinito. Era gatos, cães, outros disparates para
entreter, os 10 mais disto, os vídeos dos disparates humanos, a obrigar o utilizador
a não desligar.
Esse telemóvel mudou de mãos e, após a primeira pesquisa, só
apareciam vídeos bombásticos sobre saúde. Aqueles com os títulos: 5 erros
fatais na alimentação, uma fruta que lhe salvará a vida, como curar um terçolho,
como se livras de um ataque cardíaco, etc. Agora eram só reels com esta temática.
Pretensos amigos do povo que querem salvar a humanidade
contando o que as farmacêuticas escondem, etc. Não vi nenhuma pesquisa em
sítios credíveis. Passou-se outros 20 minutos nisto.
Deu-me para pensar na forma como o algoritmo funciona e na importância
de se verificarem factos ou receber informação noutro sítios que não as redes
sociais.
O que mais me impressionou é que os scrolls infinitos eram
todos monometálicos e eram lidos/vistos.
Onde é que isto nos levará? Para a não vacinação já levou e os casso de sarampo e difetria aumentam. Para erros alimentares com dietas loucas e quanto mais absurdas melhor pois mais captam a atenção…
Não sei bem como se poderá contrariar este estado de coisas. A literacia mediática e digital é, certamente, uma parte importante da resposta. Ensinar — desde cedo — a questionar, a comparar fontes, a reconhecer interesses, a distinguir evidência de opinião e a perceber como funcionam os algoritmos.

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