Houve um tempo
Houve um tempo em que cri
Houve um tempo em que cri profundamente.
Houve um tempo em que fui
Houve um tempo em que fui eu mesmo.
Houve um tempo em que vivi
Houve um tempo em que vivi como se não houvesse amanhã.
Houve um tempo em que acreditei
Houve um tempo em que acreditei no meu semelhante.
Houve um tempo em que os animais falavam
e eu cri, fui, vivi e acreditei.
Houve um tempo .
João P. 2016
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terça-feira, 24 de maio de 2016
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
30 (Da condição humana) - Estou além
Estou além
Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P'ra não chegar tarde
não sei de que é que eu fujo
Sera desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mao
Vou continuar a procurar
A quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só:
Quero quem quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Esta insatisfacao
não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P'ra outro lugar
Vou continuar a procurar
O meu mundo
O meu lugar
Porque até aqui eu só:
Estou bem aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
Estou bem aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
António Variações
Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P'ra não chegar tarde
não sei de que é que eu fujo
Sera desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mao
Vou continuar a procurar
A quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só:
Quero quem quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Esta insatisfacao
não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P'ra outro lugar
Vou continuar a procurar
O meu mundo
O meu lugar
Porque até aqui eu só:
Estou bem aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
Estou bem aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
António Variações
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
18 - (da condição humana) O que a vida me deu
O que a vida me deu
Ó Mar
Leva tudo o que a vida me deu
Tudo aquilo que o tempo esqueceu
Leva que eu vou voltar
Ó Mar
Como quem vem
E regressa ao fundo
Do ventre da mãe
Tão indiferente
Consumiste na força bravia
Todo o encanto das coisas que havia
E lançaste na praia ardente
Náuseas e pragas
Despojos de almas
As carnes em chagas
As mágoas
Condenaste-me à noite
De sangue e fogo
E vento e sombras
Ao teu quebranto
Mas deixa-me ao menos
O corpo despido
Em descanso
Ó Mar
Lago imenso de oceanos salgados
Onde os rios também naufragados
Vão por fim descansar
Ó Mar
Tecem murmúrios
Sensuais
Como os amantes
Depois
Repousam em paz
No teu ciúme
Ó sereia do braço da ira
Seduziste na tua mentira
E arrastaste contigo o mundo
Todos os sonhos
Os meus desejos
Os suaves Outonos
E o Tejo
São saudades que eu tenho
Leve memória
Do que já fui
Que já não sou
Mas se tudo levaste
Leva enfim esta dor
Que ficou
Fausto Bordalo Dias
Ó Mar
Leva tudo o que a vida me deu
Tudo aquilo que o tempo esqueceu
Leva que eu vou voltar
Ó Mar
Como quem vem
E regressa ao fundo
Do ventre da mãe
Tão indiferente
Consumiste na força bravia
Todo o encanto das coisas que havia
E lançaste na praia ardente
Náuseas e pragas
Despojos de almas
As carnes em chagas
As mágoas
Condenaste-me à noite
De sangue e fogo
E vento e sombras
Ao teu quebranto
Mas deixa-me ao menos
O corpo despido
Em descanso
Ó Mar
Lago imenso de oceanos salgados
Onde os rios também naufragados
Vão por fim descansar
Ó Mar
Tecem murmúrios
Sensuais
Como os amantes
Depois
Repousam em paz
No teu ciúme
Ó sereia do braço da ira
Seduziste na tua mentira
E arrastaste contigo o mundo
Todos os sonhos
Os meus desejos
Os suaves Outonos
E o Tejo
São saudades que eu tenho
Leve memória
Do que já fui
Que já não sou
Mas se tudo levaste
Leva enfim esta dor
Que ficou
Fausto Bordalo Dias
domingo, 9 de agosto de 2015
13 - (Daqulo que fomos e somos) - Carregando o vento às costas
Carregando o vento às costas
Carregando ovento
às costas
abri portas
fechei portas
derrubei a urgência juvenil
sobre os destroços
de uma cidade cercada.
Atravessei com doçura
o ovo estilhaçado da infância.
Tacteei a frescura
dos cadernos novos.
Enjoei
o gasóleo no banco
de trás dos autocarros,
o gosto do cefé com leite
requentado,
os casacos grossos
nas manhãs de Inverno.
Fui crescendo
como cresce o mineral
bruto e duro
e distraído
no ventre sujo
de uma cidade adiada.
Percorri os corredores sombrios
dos cinemas de reprise
a cheirar a crinolina
Acordei 24 vezes por segundo
La Nobia
no palco
Gary Cooper
onde o Tsar Ivan
Humphrey Bogart
passeia Marylin
o cometa da loucura.
Fui um pouro triste arremetado
em busca de uma sombra
ou de um caminho.
Mordi o desespero.
Ardi espontânreamente
sem saber ainda
como é bela e transitória
a combustão.
E agora que cheguei
como costuma dizer-se
à idade madura
vejo como o mundo
se estreitou
e os caminhos se alargaram
com lágrimas de musgo
e de cristal.
Agora que cheguei
como costuma dizer-se
à idade madura
abro portas
fecho portas
carregsando sempre
o vento
às costas.
José Fanha
Carregando ovento
às costas
abri portas
fechei portas
derrubei a urgência juvenil
sobre os destroços
de uma cidade cercada.
Atravessei com doçura
o ovo estilhaçado da infância.
Tacteei a frescura
dos cadernos novos.
Enjoei
o gasóleo no banco
de trás dos autocarros,
o gosto do cefé com leite
requentado,
os casacos grossos
nas manhãs de Inverno.
Fui crescendo
como cresce o mineral
bruto e duro
e distraído
no ventre sujo
de uma cidade adiada.
Percorri os corredores sombrios
dos cinemas de reprise
a cheirar a crinolina
Acordei 24 vezes por segundo
La Nobia
no palco
Gary Cooper
onde o Tsar Ivan
Humphrey Bogart
passeia Marylin
o cometa da loucura.
Fui um pouro triste arremetado
em busca de uma sombra
ou de um caminho.
Mordi o desespero.
Ardi espontânreamente
sem saber ainda
como é bela e transitória
a combustão.
E agora que cheguei
como costuma dizer-se
à idade madura
vejo como o mundo
se estreitou
e os caminhos se alargaram
com lágrimas de musgo
e de cristal.
Agora que cheguei
como costuma dizer-se
à idade madura
abro portas
fecho portas
carregsando sempre
o vento
às costas.
José Fanha
quarta-feira, 15 de julho de 2015
7 - (daquilo que fomos e somos) - Eu nesse tempo
EU NESSE TEMPO
Eu nesse tempo voava
tanto quanto me permito recordar.
Coleccionava bonecos
e cromos para colar
e mitos
e voava no espaço da sala
evitando sair pela janela.
O mundo era enorme
terrível
e eu voava.
Ainda hoje por vezes
a horas mortas
abraço o ar
e dou comigo a voar
afastado dos caminhos
para que não digam que as asas
são apenas ornamento
José Fanha
Eu nesse tempo voava
tanto quanto me permito recordar.
Coleccionava bonecos
e cromos para colar
e mitos
e voava no espaço da sala
evitando sair pela janela.
O mundo era enorme
terrível
e eu voava.
Ainda hoje por vezes
a horas mortas
abraço o ar
e dou comigo a voar
afastado dos caminhos
para que não digam que as asas
são apenas ornamento
José Fanha
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