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terça-feira, 13 de março de 2018

1867 - (do amor) Ao meu avô

















Lembro-me de ser miúdo...
Lembro-me de ele me ter pedido para cuidar do seu jardim numa manhã de Primavera...
Lembro-me de ter sachado tudo o que era verde...
Lembro-me dele ter perdido as suas flores de primavera desse ano.
Lembro-me do seu ar desolado
E logo ele que era (aparentemente) um duro

Agora que tu não estás
(e já não estás à muito tempo)
Queria dedicar-te esta túlipa
A primeira do meu jardim.

Agora que não estás,
Cuido eu do teu jardim!
Podes estar certo, meu avô!

João P.
Março 2018
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O Jardim
Cláudia Pascoal


Eu nunca te quis menos do que tudo, sempre, meu amor
Se no céu também és feliz
Leva-me e eu cuido, sempre, ao teu redor

São as flores, o meu lugar
Agora que não estás rego eu o teu jardim
São as flores, o meu lugar
Agora que não estás rego eu o teu jardim

Eu já prometi que um dia mudo ou tento ser maior
Se do céu também és feliz
Leva-me e eu juro, sempre, pelo teu valor

São as flores, o meu lugar
Agora que não estás rego eu o teu jardim
São as flores, o meu lugar
Agora que não estás rego eu o teu jardim

Agora que não estás rego eu o teu jardim
Agora que não estás rego eu o teu jardim
Agora que não estás
Agora que não estás rego eu o teu jardim

domingo, 17 de novembro de 2013

1586 - frutos de Outono

 Após a época das maçãs, tive em outubro Romás e pela primeira vez Kiwis.

Agora é altura da calda bordaleza.

Quantos mais terei para o ano?

domingo, 10 de fevereiro de 2013

1556 - O milagre da vida

O poeta beija tudo, graças a Deus… E aprende com as coisas a sua lição de sinceridade…
E diz assim: “É preciso saber olhar…”
E pode ser, em qualquer idade, ingénuo como as crianças, entusiasta como os adolescentes e profundo como os homens feitos…
E levanta uma pedra escura e áspera para mostrar uma flor que está por detrás…
E perde tempo (ganha tempo…) a namorar uma ovelha…
E comove-se com coisas de nada: um pássaro que canta, uma mulher bonita que passou, uma menina que lhe sorriu, um pai que olhou desvanecido para o filho pequenino, um bocadinho de sol depois de um dia chuvoso…
E acha que tudo é importante…
E pega no braço dos homens que estavam tristes e vai passear com eles para o jardim…
E reparou que os homens estavam tristes…
E escreveu uns versos que começam desta maneira: “O segredo é amar…”
(Sebastião da Gama)





quarta-feira, 17 de outubro de 2012

1540 - outono

Pablo Neruda - Amantes

Dois amantes felizes não têm fim nem morte,
nascem e morrem tanta vez enquanto vivem,
são eternos como é a natureza.

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Confesso que adoro as chuvadas de outono.
Confesso que a minha romanzeira me deu umas belíssimas romãs (umas 12) e que foi o tempo que levei a cuidar dela no inverno passado que a fez ser tão importante. 

O outono não traz nem o fim nem morte mas a eternidade da natureza!

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

1520 - Relatos de férias II

 Bom, já que me decidi em fazer o relato das férias do fim para o princípio, não posso deixar de referir o regresso a casa.

O jardim parecia uma selva! como as árvores, arbustos, relva crescem em tão pouco tempo. Já nos levou 3 dias a tratá-lo e a pô-lo como deve ser e ainda já se encheu um contentor e meio (da Câmara) com as podas/cortes e limpezas. Uff... hoje fiquei de rastos com as roseiras que, para ainda terem nova floração antes do inverno necessitavam mesmo de serem tratadas... muitos picos e arranhões custam uma rosa!

Fiquei maravilhado com a minha macieira! nem consegui contar as maçãs que já colhi... muito mais de 50 sem contar com as que ainda ficam na árvore a amadurecer um pouco mais. E se elas são deliciosas. Valeu bem a pena o trabalho que tive com ela no Inverno a tratá-la e a podá-la. As árvores são como as pessoas: têm fases, também sofrem e têm momentos muito felizes!

Já a jovem amendoeira  me deu a sua primeira amêndoa que guardarei para recordação. Para o ano que vem a história já será outra. Que grande que ela já está ao fim de dois anos! 

Confesso que a vida do agricultor me fascina: conhecer os ritmos da natureza, entendê-los, perceber que o corte é necessário e é inerente ao crescimento!


Bucólica

A vida é feita de nadas
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;

De casas de moradia
Caídas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;

De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha.




Miguel Torga
S. Martinho de Anta, 30 de Abril de 1937

segunda-feira, 28 de maio de 2012

1499 - Quase verão

Após uns dias muitíssimo cheios tive, finalmente, um fim de semana mais calmo. Gostei de observar o meu jardim todo florido e de contar as 20 cerejas que a cerejeira teve (maldita mudança de temperatura logo na altura em que as cerejas estavam a crescer...).

(pois é Srs. Melros... gosto de vos ouvir cantar e de vos ver usufruir dao jardim, mas debicar as cerejas é que não pode ser!!!!)
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Já chegou  o tempo dos jacarandás e da Lisboa violeta!

Que belas cores e surpresas que a natureza nos oferece por estas altura.








domingo, 6 de fevereiro de 2011

1275 - pequenos prazeres ou viver o momento



Ontem

































Hoje






































Eu vi a buganvília a dançar na ventania
a trepar numa janela
eu vi a buganvília entre o acender da lua
e o encanto da manhã

Eu vi a buganvília de noite junto ao lago
a molhar o seu sorriso
Sonhara que morrera nos ramos da buganvília
nos tons do seu vestido

Eu vi a buganvília a fazer do teu vermelho
um bordado marinheiro
quando encontras o sol no branco da cal
te pões de amarelo

Eu vi a buganvília a dançar na ventania
a trepar numa janela
eu vi a buganvília entre o acender da lua
e o encanto da manhã

Eu vi a buganvília de noite junto ao lago
a molhar o seu sorriso
sonhara que morrera nos ramos da buganvília
nos tons do seu vestido

João Afonso

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

1269- Morte/vida
























Um dia ocupado a tratar do jardim.

Sinais de vida de algumas árvores a acordar do sono de Inverno
Sinais de morte do limoeiro que definitivamente se foi

Hoje tratou-se de o arrancar e de ir colocando os troncos na lareira. Gosto de saber que as cinzas dos ramos e árvores do meu jardim serão lançadas à terra de novo e servirão de adubo para as novas flores e frutos de daqui a nada despontarão

Ciclo de vida que se torna morte e que retoma a vida...

Mais pela tarde foi tempo de mudar outra árvore do sítio de modo a ter mais sol ocupando o espaço do limoeiro

"O semeador saiu a semear..."

Debulhar o trigo
Recolher cada bago do trigo
Forjar no trigo o milagre do pão
E se fartar de pão

Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar de mel

Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra, a propícia estação
E fecundar o chão

Chico Buarque

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

1266 - Mas anda tudo baralhado por aqui?



Mas anda a Natureza meio amalucada no meu jardim ou quê?
Então não é que à hora de almoço tive um tempito para ir ao jardim e descubro que o meu jasmim, os narcisos e as roseiras estão quase, quase a aparecer numa explosão de cor! Ena a Primavera ainda em Janeiro!!! o que é isto? e eu cheio de frio que quase nem consigo usufruir do pequeno momento que irá ser a explosão de cor...








































































Mas, eis que me decido a ir ver o que se passa com a Magnólia e a Amendoeira que já deviam estar em flor... (e eu que já vi ambas em flor numas casas aqui pelos meus lados ;-( )

Deparo-me com isto... 2 tronquitos miseráveis... Então como é Srª Primavera? isto vale tudo? o que devia ser não é e o que é não devia ser? vamos lá a ver se isto entra nos eixos...








































Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já foi coberto de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

1905 - (da consciência de existir) O uso do telemóvel e a perda da experiência ao vivo

  Há u m gesto que se tornou quase inevitável em qualquer espetáculo ao vivo: o erguer do telemóvel. No caso de um concerto em sala de espet...