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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

1824 (do amor) - Em poucas palavras

Em poucas palavras
 
Murmuram os ventos
Nas folhas
Breves do meu diário
Vagueiam proscritos
Os mitos
Do imaginário
Segredam os dias
Das utopias
Sonhadas
Na noite em que foste
A minha namorada
E demos forma ao mundo
Na arte dos magos
Num toque de artistas
Já transformámos
A vida em ouro
Como alquimistas
Pelos sete mares enluarados
Rios e areais
Vou coroar-te no trono
Doido dos vendavais
Ao chegar de mansinho
Como um bandoleiro
Conquistar o teu corpo
Como um guerrilheiro
Apaixonadamente teu
Render-me enfim
Nos teus matagais
Amar-te toda
Como as pedras
E os animais
Mas depois do teu adeus
Do teu último beijo
Leva contigo a lembrança
A paixão, o desejo,
Ai de mim! o rancor
Que ainda guardo e não quero
Se um dia voltares
Francamente eu sei
Eu já não te espero
Será que ando forte
E que te esqueci?
Será que ando fraco
E que me perdi?
Mas em poucas palavras
Ficam belas e doces
Saudades de ti.
 
Fausto Bordalo Dias

terça-feira, 21 de junho de 2016

1321 (De Amor) - Eu tenho num fraquinho por ti

Eu Tenho Um Fraquinho Por Ti
 

Eu tenho um fraquinho por ti
tu não me dás atenção
tu não me passas cartão
quando me ponho a teu lado
tremo nervoso de agrado
e meto os pés pelas mãos
tu vais gozando um bocado
a beber vinho tostão
eu com o discurso engasgado
fico a um canto, que arrelia
de toda a cervejaria
onde vais rasgar a noite
se te olho com ternura
olhas-me do alto da burra
que mais parece um açoite
é um susto um arrepio
que me malha em ferro frio.

Eu tenho um fraquinho por ti
que me vai de lés a lés
tu dás-me sempre com os pés
quando me atiro enamorado
num estilo desajeitado
disfarço em bagaço e café
tu fumas o teu cruzado
e fazes troça, pois é,
já tenho o caldo entornado
esqueces-me da noite p´ro dia
em alegre companhia
de batidas e rodadas
tu ficas nas sete quintas
marimbas, estás-te nas tintas
p´ra que eu ande às três pancadas
basta um toque sedutor
eu cá sou um pinga-amor.

Eu tenho um fraquinho por ti
que me abrasa o coração
quase me arrasa a razão
a tua risada rasteira
põe-me de rastos, à beira
do enfarte da congestão
encharco-me em chá de cidreira
mofas de mim atiras-te ao chão
zombando à tua maneira
lá fazes a despedida
ao grupo que vai de saída
dos amigos da Trindade
mas no fim da noite, à noitinha,
tu ficas triste e sozinha
à procura de amizade
e como é costume teu
chamas o parvo que sou eu.

Afino uma voz de tenor
ensaio um ar duro de macho
quando estás na mó de baixo
quero ver-te arrependida
mas numa manobra atrevida
rufia, muito mansinha,
dás-me um beijo e uma turrinha
que me põe num molho num cacho
estremeço com pele de galinha
e gosto de ti trapaceira
da tua piada certeira
do teu aparte final
do teu jeito irreverente
do teu aspecto contente
do teu modo bestial
noutra palavra mais quente
eu tenho um fraquinho por ti.

Fausto Bordalo Dias

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

48 - (Da condição humana) A ilha

A ilha

Olhamos tudo em silêncio na linha da praia
De olhos na noite suspensos do céu que desmaia;
Ai lua nova de Outubro, trazes as chuvas e ventos,
A alma a segredar, a boca a murmurar tormentos!

Descem de nuvens de assombro taínhas e bagres
Se as aves embalam os peixes em certos milagres;
Levita-se o corpo da alma, no choro das ladainhas,
Na reza dos condenados, nas pragas dos sitiados,
 
Na ilha dos ladrões, quem sai?
E leva este recado ao cais:
São penas, são sinais. Adeus.

Livra-me da fome que me consome, deste frio;
Livra-me do mal desse animal que é este cio;
Livra-me do fado e se puderes abençoado
Leva-me a mim a voar pelo ar!

Como se houvesse um encanto, uma estranha magia,
O sol lentamente flutua nas margens do dia.
Despe o meu corpo corsário, seca-me a veia maruja,
Morde-me o peito aos ais, das brigas, dos punhais,
 
Da ilha dos ladrões, quem sai?
E leva este recado ao cais:
São penas, são sinais. Adeus.

Andamos nus e descalços, amantes, sedentos
Se o véu da noite se deita na curva do tempo.
Ai lua nova de Outubro,
Os medos são medos das chuvas e ventos,
Da alma a segredar, da boca a murmurar
Adeus

Fausto Bordalo Dias

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

24 - (de amor) - Todo este céu

Todo este céu

Abraça-me bem
e cobre o meu corpo enfim nesse agasalho
são os teus braços sim
cuida de mim
basta-me um gesto
porém
abraça-me bem
bem no teu colo
chega-me mais a ti
um pouco mais
suavemente assim
tudo por fim
são mágoas que eu consolo
bem no teu colo

todo este céu
de pássaros e tons muito assombrado
traz o teu sertão bom
todo este som
desce a nós com um véu
todo este céu

lançado à terra
sobre restingas e ilhéus
mil sombras de asas
lembram a ausência de um deus
num último adeus
pois só teu afago
me espera
lançado à terra

e
qualquer coisa
acontece no mais alto dos céus
qualquer coisa no fundo do meu coração
mas não sei das trevas
nem da luz
pois sem ti não há
nem céu
nem chão

e
se a noite já ronda
minha cruz
luz nas trevas
minha paixão

Abraça-me bem
e cobre o meu corpo enfim nesse agasalho
são os teus braços sim
cuida de mim
basta-me um gesto
porém
abraça-me bem
bem no teu colo
chega-me mais a ti
um pouco mais
suavemente assim
tudo por fim
são mágoas que eu consolo
bem no teu colo
bem no teu colo

Fausto Bordalo Dias

sábado, 31 de outubro de 2015

23 - (de amor) Em poucas palavras

Em poucas palavras
 
Murmuram os ventos
Nas folhas
Breves do meu diário
Vagueiam proscritos
Os mitos
Do imaginário
Segredam os dias
Das utopias
Sonhadas
Na noite em que foste
A minha namorada
E demos forma ao mundo
Na arte dos magos
Num toque de artistas
Já transformámos
A vida em ouro
Como alquimistas
Pelos sete mares enluarados
Rios e areais
Vou coroar-te no trono
Doido dos vendavais
Ao chegar de mansinho
Como um bandoleiro
Conquistar o teu corpo
Como um guerrilheiro
Apaixonadamente teu
Render-me enfim
Nos teus matagais
Amar-te toda
Como as pedras
E os animais
Mas depois do teu adeus
Do teu último beijo
Leva contigo a lembrança
A paixão, o desejo,
Ai de mim! o rancor
Que ainda guardo e não quero
Se um dia voltares
Francamente eu sei
Eu já não te espero
Será que ando forte
E que te esqueci?
Será que ando fraco
E que me perdi?
Mas em poucas palavras
Ficam belas e doces
Saudades de ti.

Fausto Bordalo Dias

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

18 - (da condição humana) O que a vida me deu

O que a vida me deu

Ó Mar
Leva tudo o que a vida me deu
Tudo aquilo que o tempo esqueceu
Leva que eu vou voltar
Ó Mar
Como quem vem
E regressa ao fundo
Do ventre da mãe

Tão indiferente
Consumiste na força bravia
Todo o encanto das coisas que havia
E lançaste na praia ardente
Náuseas e pragas
Despojos de almas
As carnes em chagas
As mágoas
Condenaste-me à noite
De sangue e fogo
E vento e sombras
Ao teu quebranto
Mas deixa-me ao menos
O corpo despido
Em descanso


Ó Mar
Lago imenso de oceanos salgados
Onde os rios também naufragados
Vão por fim descansar
Ó Mar
Tecem murmúrios
Sensuais
Como os amantes
Depois
Repousam em paz
No teu ciúme
Ó sereia do braço da ira
Seduziste na tua mentira
E arrastaste contigo o mundo
Todos os sonhos
Os meus desejos
Os suaves Outonos
E o Tejo
São saudades que eu tenho
Leve memória
Do que já fui
Que já não sou
Mas se tudo levaste
Leva enfim esta dor
Que ficou

Fausto Bordalo Dias

sábado, 22 de junho de 2013

1579 - Em poucas palavras (vagueiam proscritos os mitos)





Murmuram os ventos
nas folhas
breves do meu diário
vagueiam proscritos
os mitos
do imaginário
segredam os dias
das utopias
sonhadas
na noite em que foste
a minha namorada
e demos forma ao mundo
na arte dos magos
num toque de artistas
já transformámos
a vida em ouro
como alquimistas
pelos sete mares enluaradados
rios e areais
vou coroar-te no trono
doido dos vendavais
ao chegar de mansinho
como um bandoleiro
conquistar o teu corpo
como guerrilheiro
apaixonadamente teu
render-me, enfim
nos teus matagais
amar-te toda
como as pedras
e os animais

mas depois do teu adeus
do teu último beijo
leva contigo a lembrança
a paixão, o desejo
ai de mim, o rancor
que ainda guardo e não quero
se um dia voltares
(francamente eu sei)
eu já não te espero
será que ando forte
e que te esqueci
será que ando fraco
e que me perdi
mas em poucas palavras
ficam belas e doces
saudades de ti

Fausto Bordalo Dias

sexta-feira, 13 de abril de 2012

1487 - Murmuram os ventos nas folhas breves do meu diário

Murmuram os ventos nas folhas breves do meu diário
A resistente árvore da baía do seixal já tem folhas de novo
apesar da ventania...
segredam os dias das utopias sonhadas...




Murmuram os ventos
nas folhas
breves do meu diário
vagueiam proscritos
os mitos
do imaginário
segredam os dias
das utopias
sonhadas
na noite em que foste
a minha namorada
e demos forma ao mundo
na arte dos magos
num toque de artistas
já transformámos
a vida em ouro
como alquimistas
pelos sete mares enluaradados
rios e areais
vou coroar-te no trono
doido dos vendavais
ao chegar de mansinho
como um bandoleiro
conquistar o teu corpo
como guerrilheiro
apaixonadamente teu
render-me, enfim
nos teus matagais
amar-te toda
como as pedras
e os animais

mas depois do teu adeus
do teu último beijo
leva contigo a lembrança
a paixão, o desejo
ai de mim, o rancor
que ainda guardo e não quero
se um dia voltares
(francamente eu sei)
eu já não te espero
será que ando forte
e que te esqueci
será que ando fraco
e que me perdi
mas em poucas palavras
ficam belas e doces
saudades de ti

Fausto Bordalo Dias

domingo, 20 de junho de 2010

1133 - Abraça-me bem



Abraça-me bem, cobre meu corpo enfim nesse agasalho
São os teus braços sim, cuida de mim
Basta-me um gesto, porém, abraça-me bem
Bem no teu colo
Chega-me mais a ti, um pouco mais...
Suavemente assim tudo por fim são mágoas que eu consolo bem no teu colo

Todo este céu de pássaros e tons muito assombrados traz o teu ser tão bom, todo este som, descerras o meu véu...todo este céu

Lançado à Terra sob restingas e ilhéus, nas sombras de asas... Lembram a ausência de um beijo, um último adeus
Só teu afago me espera lançado à Terra

E qualquer coisa acontece no mais alto dos céus
Qualquer coisa no fundo do meu coração,mas não sei das trevas nem da luz
Pois sem ti não há nem céu nem chão
E se a noite já ronda a minha cruz luz nas trevas, minha paixão

Abraça-me bem,Cobre meu corpo enfim nesse agasalho
São os teus braços sim, cuida de mim
Basta-me um gesto, porém, abraça-me bem
Chega-me mais a ti, um pouco mais...
Suavemente assim tudo por fim são mágoas que eu consolo bem no teu colo
Bem no teu colo...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

1130 - feelings
















O barco vai de saída
Adeus ao cais de Alfama
Se agora ou de partida
Levo-te comigo ó cana verde
Lembra-te de mim ó meu amor
Lembra-te de mim nesta aventura
P'ra lá da loucura
P'ra lá do Equador

Gingão de roda batida
corsário sem cruzado
ao som do baile mandado
em terra de pimenta e maravilha
com sonhos de prata e fantasia
com sonhos da cor do arco-íris
desvaira se os vires
desvairas magias

Já tenho a vela enfunada
marrano sem vergonha
judeu sem coisa nem fronha
vou de viagem ai que largada
só vejo cores ai que alegria
só vejo piratas e tesouros
são pratas, são ouros,
são noites, são dias

sábado, 5 de dezembro de 2009

974 - Três cantos



Saíu hoje o CD. Já o tenho!!!!

Foi uma coisa tão desejada e ficarei tão feliz quando ouvir o concerto de novo que decidi nem abrir o CD e embrulhá-lo para me oferecer (e me mimar) no Natal.

Vai me pôr Up, Up e ajudar a carregar baterias para o longo Inverno que ainda falta

terça-feira, 27 de outubro de 2009

931 - Frágil, sinto-me frágil



1 - Sendo caso para dizer que nem acho que as imagens acrescentem muito à beleza da música...

2- Como diz o Jorge Palma: fragil, sinto-me frágil...
(é o que faz andar a ouvir Fausto a propósito dos três cantos...)

Todo este Céu

Abraça-me bem
e cobre o meu corpo
enfim
nesse agasalho
são os teus braços
sim
cuida de mim
basta-me um gesto
porém
abraça-me bem
bem no teu colo
chega-me mais a ti
um pouco mais
suavemente
assim
tudo por fim
são mágoas
que eu consolo
bem no teu colo

todo este céu
de pássaros e tons
muito assombrado
traz o teu ser
tão bom
todo este som
desce a nós
com um véu
todo este céu
lançado à terra
sobre restingas e ilhéus
mil sombras de asas
lembram a ausência
de um deus
num último adeus
pois só teu afago me espera
lançado à terra

e qualquer coisa acontece
no mais alto dos céus
qualquer coisa no fundo
do meu coração
mas não sei das trevas
nem da luz
pois sem ti não há
nem céu
nem chão
e se a noite já ronda
minha cruz
luz nas trevas
minha paixão

Fausto Bordalo Dias

---

Ao fim de 14 Anos de Escola, o meu mais velho utilizou os serviços de uma Biblioteca!
É caso para dizer: Parabéns! mas também é caso para reflectir um pouco sobre o sistema de ensino que permitiu isto.

sábado, 24 de outubro de 2009

929 - que caminho tão longo (três cantos)







Estive lá! Porra, estive lá!

Claro que adorei

Claro que foram 2 horas intenssíssimas que me fizeram pensar que o tempo passa e já percorremos um caminho muito longo

Cada canção tem já uma história tão longa e tão cheia de recordações



Claro que me emocionei e até me vieram lágrimas ao olhos pois cada uma destas canções também já é minha e conta um bocado da minha história pessoal de tanto terem sido ouvidas

Claro que me soube a pouco, me soube a tanto



Gostei sobremaneira de ter ouvido no final os da minha casa dizerem que a "inquitação" era a minha canção. Ainda argumentei que o "só estou bem onde eu não estou" também dava só para não me dar por vencido mas, afinal, a minha gente já me conhece bem...



Foi lindo...

Foi inesquecível



Contai cim isto de mim para isto e para o resto...

A cantiga é, de facto, uma arma contra alguns charlatões, casimiros, xerifes que pensam que é tudo deles, e outros que tais e, sobretudo, contra a nossa acomodação.












Travessia do Deserto



Que caminho tão longo!

Que viagem tão comprida!

Que deserto tão grande grande

Sem fronteira nem medida!



Águas do pensamento

Vinde regar o sustento

Da minha vida



Este peso calado

Queima o sol por trás do monte

Queima o tempo parado

Queima o rio com a ponte



Águas dos meus cansaços

Semeai os meus passos

Como uma fonte



Ai que sede tão funda!

Ai que fome tão antiga!

Quantas noites se perdem

No amor de cada espiga!



Ventre calmo da terra

Leva-me na tua guerra

Se és minha amiga



José Mário Branco

1908 (da consciência da existir) - 25 anos de trabalho em bibliotecas

Faz hoje, dia 1 de setembro, 25 anos que comecei a trabalhar no mundo das bibliotecas escolares. Tudo começou a 1 de setembro de 2001, por a...