Esta também foi uma das minhas leituras de férias deste ano. confesso que foi um enorme prazer.
Uma das primeiras impressões que me ficou do livro é que este estava muito bem escrito e isto fez logo toda a diferença. Considero-me um bom leitor e, ao ler obras como esta, identificamosl ogo quem escreve muito bem e quem escreve medianamente. Definitivamente, Jorge Amado, pertence ao grupo daqueles que escrevem mesmo muito bem!
Há ainda a considerar o facto de um 10/15 página o autor faz o enquadramento do contexto onde se vai desenrolar a ação: ficamos ocnhecedores dos personagens principais, do seu carácter, da trama, do que está em jogo, na narrativa, e isso faz todo o sentido.
Perder-se-á afirmar que o enredo é sucesso garantido: uma cidade que oscila entre um passado que marcou e o confronto com a necessidade de uma certa modernidade e de novas respostas aos problemas. Parece fácil sim, mas quantos escritores o escreveram tão genialmente como Jorge Amado?
A Gabriela, o seu perfume, o seu caráter, prendem o leitor do início ao fim do livro.
Foi mesmo um enorme prazer!
Porque fizeste sultão de mim, alegre menina
Palácio real lhe dei, um trono de pedraria
Sapato bordado a ouro, esmeraldas e rubis
Ametista para os dedos, vestidos de diamantes
Escravas para serví-la, um lugar no meu dossel
E a chamei de rainha, e a chamei de rainha
Porque fizeste sultão de mim, alegre menina
Só desejava à campina, colher as flores do mato
Só desejava um espelho de vidro prá se mirar
Só desejava do sol calor para bem viver
Só desejava o luar de prata prá repousar
Só desejava o amor dos homens prá bem amar (2x)
No baile real levei a tu, alegre menina
Vestida de realeza, com princesas conversou
Com doutores praticou, dançou a dança faceira
Bebeu o vinho mais caro, mordeu fruta estrangeira
Entrou nos braços do rei, rainha mas verdadeira
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segunda-feira, 9 de setembro de 2013
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Leituras de férias
Mais umas férias passaram e tive a oportunidade de as aproveitar também para pôr algumas leituras em ordem.Partilho-as aqui
Umas das primeiras foi "o silêncio do mar", um livro escrito no decurso da II Guerra Mundial por Vercors (pseudónimo de Jean Bruller), ilustrador e escritor francês, que integrou a Resistência gaulesa durante aquele conflito.
Trata-se de um pequeno livro onde se narra a história dos longos meses de convívio do narrador e sua neta com um oficial das SS, Werner von Ebbrenec. O oficial é músico de formação e vai ocupar uma parte da casa dos franceses. Estes, não podendo resistir de forma activa, opõem-se-lhe como podem. Com o silêncio, com o qual procuram fazer-lhe sentir o protesto pelo modo como a sua casa e o seu país estão ocupados. No entanto, a delicadeza deste oficial alemão é de tal que o mesmo aceita a posição dos seus anfitriões, visitando-os noite após noite, lançando palavras que sabe não terão resposta.
Este livro apesar de pequeno é bastante profundo e vai-nos envolvendo, cada vez mais, no drama que se desenrola naquela casa, pois à medida que os dois franceses (tio e sobrinha) vão conhecendo melhor o oficial, vamos também conseguindo compreender, cada vez melhor, o título do livro, visto que o seu silêncio é apenas aparente, tal como o do mar, pois dentro dele convivem muitos sons, cores e emoções.
Toda a acção se desenrola num pequeno espaço e estuda o comportamento humano - e funcionaria lindamente num palco. As duas personagens francesas existem na pequena sala central à história como se peças de mobiliário fossem, imóveis e indiferentes à presença do oficial , que longe de os acossar - mesmo estando no papel de conquistador - os tenta de todos os meios arrebatar...
domingo, 28 de julho de 2013
As férias
Do mural do Facebook de Ana Maria Pedro
As férias
Hoje, venho falar das férias: é o tempo delas, como se diz que é o tempo das cerejas. Outra árvore dá estes frutos, e a mesma árvore os arranca: os dias as trazem até nós, os dias as levam. Neste escoar se vai o tempo, mas enquanto as férias se aproximam tudo é desejá-las, fazer projectos, embalar ilusões. Chegado o dia, temos diante de nós um espaço vazio à espera, como uma grande sala que é preciso habitar. Que vamos pôr lá dentro? (...) Seja como for, os dias de férias ganham de repente um valor que os outros não tiveram. São dias totalmente disponíveis, à mercê da imaginação e das posses de cada qual. O tempo desligou-se da mecânica do relógio, é uma dimensão não delimitada, um pedaço de barro diante das mãos que o vão modelar.
As férias são também uma obra de criação. (...)
José Saramago, "Deste Mundo e do Outro".
A imagem pertence à pintora norte-americana Peggi Kroll-Roberts e trouxe-a do Clube de Leitores.
As férias
Hoje, venho falar das férias: é o tempo delas, como se diz que é o tempo das cerejas. Outra árvore dá estes frutos, e a mesma árvore os arranca: os dias as trazem até nós, os dias as levam. Neste escoar se vai o tempo, mas enquanto as férias se aproximam tudo é desejá-las, fazer projectos, embalar ilusões. Chegado o dia, temos diante de nós um espaço vazio à espera, como uma grande sala que é preciso habitar. Que vamos pôr lá dentro? (...) Seja como for, os dias de férias ganham de repente um valor que os outros não tiveram. São dias totalmente disponíveis, à mercê da imaginação e das posses de cada qual. O tempo desligou-se da mecânica do relógio, é uma dimensão não delimitada, um pedaço de barro diante das mãos que o vão modelar.
As férias são também uma obra de criação. (...)
José Saramago, "Deste Mundo e do Outro".
A imagem pertence à pintora norte-americana Peggi Kroll-Roberts e trouxe-a do Clube de Leitores.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Leituras de férias IV - D. Amélia
Esta foi uma das minhas leituras de verão:
Isabel Stilwell apresenta-nos num romance histórico uma biografia de Amélia (aquela que viria a ser a última rainha de Portugal) filha de Luís Filipe conde de Paris e de Maria Isabel de Montpensier.
Desde cedo, Amélia foi educada de forma muito diferente dos seus irmãos, uma educação exigente, digna de uma futura rainha. Não uma futura rainha deslumbrada com jóias e poder, mas preocupada com algo realmente importante – o povo! Neste aspecto da sua educação, o seu pai teve um papel muito importante, pois sempre a alertou para as necessidades do povo e para o poder que conseguem ter quando se juntam em prol de um objectivo.
Logo desde a sua infância, Amélia viu a sua família sofrer com o exílio, compreendeu as causas que lhe foram explicadas pelo seu pai, com o qual tinha uma relação muito próxima.
Como todas as mulheres, sonhava casar por amor e assim acontece quando conhece Carlos (futuro rei de Portugal). Porém, muitas divergências haviam de surgir nesta vida a dois, pois Carlos fora educado de forma diferente, era cómodo e apreciava o poder e o luxo, chegando a deixar para segundo plano os problemas do reino.
Desde cedo que Amélia se apercebe que Carlos não tinha sensibilidade para detetar e entender os perigos à sua volta e a mudança dos tempos em que se vivia.
Amélia foi uma mãe extremosa, educou o filho mais velho, tal como o seu pai a educou - uma mente aberta que procurava avaliar os acontecimentos à sua volta, tendo sempre em atenção as necessidades do povo. O seu principal objectivo na educação de Luís Filipe, foi fazer com que o filho fosse um rei mais atento e interactivo do que Carlos! Porém, o destino não deixou que o seu primeiro filho reinasse…
Sem nunca esquecer de que se trata de um romance histórico e que a figura de D. Amélia é nos é apresentada como sendo quase imaculada e perfeita, vale a pena ler a obra de modo a se poder entender melhor uma fase problemática da pátria portuguesa
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Leituras de férias II
Saramago não deixa de me surpreender...
Este deve ser o sétimo ou oitavo livro que dele leio. Acho-o notável na crítica social e política como por exemplo em "Levantado do Chão", "o Ano da morte de Ricardo Reis" ou n "o Memorial do convento". A crítica à religião oca e beata no "Evangelho segundo Jesus Cristo", "Caim" "As intermitências da morte" e muitos outros. No "O homem duplicado", José Saramago constrói uma ficção extraordinária, apoiada numa questão extremamente atual e inquietante: a perda de identidade no mundo globalizado, tema também abordado em "Ensaio sobre a cegueira".
É fantástico como Saramago consegue ser tão polivalente na abordagem de diversos temas. Esta é uma história com quatro personagens e que, mais uma vez não é contextualizado nenhum nome de cidade, país ou data , história esta que se lê de um fôlego e na qual Saramago se revela mestre do suspense. Este é um livro que nos faz lembrar um thriller e que tem um final absolutamente surpreendente.
Este deve ser o sétimo ou oitavo livro que dele leio. Acho-o notável na crítica social e política como por exemplo em "Levantado do Chão", "o Ano da morte de Ricardo Reis" ou n "o Memorial do convento". A crítica à religião oca e beata no "Evangelho segundo Jesus Cristo", "Caim" "As intermitências da morte" e muitos outros. No "O homem duplicado", José Saramago constrói uma ficção extraordinária, apoiada numa questão extremamente atual e inquietante: a perda de identidade no mundo globalizado, tema também abordado em "Ensaio sobre a cegueira".
É fantástico como Saramago consegue ser tão polivalente na abordagem de diversos temas. Esta é uma história com quatro personagens e que, mais uma vez não é contextualizado nenhum nome de cidade, país ou data , história esta que se lê de um fôlego e na qual Saramago se revela mestre do suspense. Este é um livro que nos faz lembrar um thriller e que tem um final absolutamente surpreendente.
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Leituras de férias I
Apesar de muito descritivo no referente a paisagens ( razoável pois o deslumbramento leva a isso e tantas e tantas vezes me apetece fazer o mesmo em relação a paisagens que me maravilham(aram)) este é um livro que nos dá prazer de ler pois:
- Algumas descrições de gentes são perfeitamente atuais ( infelizmente, digo eu, pois significa que a mesma pobreza se mantém e dura geração após geração).
- O saber receber das boas gentes dos Açores
- As referências a artes e ofícios: as artes da pesca, a pesca à baleia são de uma beleza indescritível.
- A riqueza dos diálogos e do falar da gente do povo.
- Também achei fabuloso que a ideia que eu tenho de um certo Funchal já existisse há cerca de 100 anos atrás: A hipervalorização do turismo inglês que leva a que tudo gire em volta deles: As informações em Inglês, as vendas, um certo rebaixamento em função do turista inglês, uma certa pedinchice
- Algumas descrições de gentes são perfeitamente atuais ( infelizmente, digo eu, pois significa que a mesma pobreza se mantém e dura geração após geração).
- O saber receber das boas gentes dos Açores
- As referências a artes e ofícios: as artes da pesca, a pesca à baleia são de uma beleza indescritível.
- A riqueza dos diálogos e do falar da gente do povo.
- Também achei fabuloso que a ideia que eu tenho de um certo Funchal já existisse há cerca de 100 anos atrás: A hipervalorização do turismo inglês que leva a que tudo gire em volta deles: As informações em Inglês, as vendas, um certo rebaixamento em função do turista inglês, uma certa pedinchice
Sinopse ( a partir do site wook)
Em 1924 Raul Brandão fez uma viagem aos arquipélagos dos Açores e da Madeira num grupo de intelectuais - entre eles Vitorino Nemésio - promovida pelos autonomistas. Dessa visita, das suas impressões e anotações, surgiu o livro As Ilhas Desconhecidas - Notas e Paisagens, em que não só descreve com particular fulgor a beleza natural das ilhas, como observa a condição do seu habitante. Obra fundamental na formação da imagem (interna e externa) destes territórios, As Ilhas Desconhecidas tornou-se um dos mais importantes e belos livros de viagem da literatura portuguesa.
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