terça-feira, 4 de dezembro de 2007

289 - Tem lógica




















Num tempo em que os horários dos professores estão superpreenchidos com horas para isto e horas para aquilo que em nada contribuem para o sucesso dos alunos, nem para que os porfessores sejam melhores professores, mas apenas para calar certa opinião pública e publicada, faz todo o sentido o texto abaixo.
Ainda para mais quando se vê que apesar de todo o tempo dispendido na escola, o professor tem que chegar a casa e, à noite, preparar as suas aulas até às tantas...

Onde está o prémio para o melhor professor?


O Não Professor do Ano

By Pata Negra



Faço projectos, planos, planificações;
Sou membro de assembleias, conselhos, reuniões;
Escrevo actas, relatórios e relações;
Faço inventários, requerimentos e requisições;
Escrevo actas, faço contactos e comunicações;
Consulto ordens de serviço, circulares, normativos e legislações;
Preencho impressos, grelhas, fichas e observações;
Faço regimentos, regulamentos, projectos, planos, planificações;
Faço cópias de tudo, dossiers, arquivos e encadernações;
Participo em actividades, eventos, festividades e acções;
Faço balanços, balancetes e tiro conclusões;
Apresento, relato, critico e envolvo-me em auto-avaliações;
Defino estratégias, critérios, objectivos e consecuções;
Leio, corrijo, aprovo, releio múltiplas redacções;
Informo-me, investigo, estudo, frequento formações;
Redijo ordens, participações e autorizações;
Lavro actas, escrevo, participo em reuniões;
E mais actas, planos, projectos e avaliações;
E reuniões e reuniões e mais reuniões!...

E depois ouço,
alunos, pais, coordenadores, directores, inspectores,
observadores, secretários de estado, a ministra
e, como se não bastasse, outros professores,
e a ministra!...

Elaboro, verifico, analiso, avalio, aprovo;
Assino, rubrico, sumario, sintetizo, informo;
Averiguo, estudo, consulto, concluo,
Coisas curriculares, disciplinares, departamentais,
Educativas, pedagógicas, comportamentais,
De comunidade, de grupo, de turma, individuais,
Particulares, sigilosas, públicas, gerais,
Internas, externas, locais, nacionais,
Anuais, mensais, semanais, diárias e ainda querem mais?
- Que eu dê aulas!?...


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Ah, o texto chegou-me por mail... não posso citar melhor o(a) autor(a)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

288 - balada do amor militante (3 de Dezembro)



















Balada do Amor Militante

O nosso amor é de combate. De coragem.
O nosso amor é de saudade. De cidade.
Amor sem casa amor sempre em viagem
o nosso amor é esta eternidade
de passagem.

O nosso amor é um rocinauta que não pára.
O nosso amor é de partido. De partidas.
Amor rebelde amor guerrilha amor Guevara
O nosso amor é de contínuas despedidas.

Deixa-me cantar uma canção de viajante
o nosso amor é sem rotina sem torpor
amor de todo o tempo num instante
amor por vezes sem amor
este amor militante.

(pp.228, Manuel Alegre, 30 Anos de Poesia, 1995, Lisboa: Dom Quixote)

domingo, 2 de dezembro de 2007

287 - ponto de fuga



















Foge comigo Maria
Para longe desta terra
Meu amor, p´ra toda a vida
É a paixão que nos leva

Se tu fosses girassol,
Eu seria beija-flor
Nesta cama sem lençol,
Se repete o nosso amor

Foge comigo Maria
Morre comigo Maria

Deita fora esse lenço,
Não te quero a chorar
Se o teu pai é burro-velho,
Só nos resta não voltar

De quem são estas palavras
Que me escreves meu amor
Se o vento seca as lágrimas
Não me cala esta dor...

Foge comigo Maria
Morre comigo Maria
Foge comigo Maria, já

António Manuel Ribeiro

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

286 - o que eu vou dizer...

















Amor Amigo

O que eu vou dizer, você nunca ouviu de mim
Pois minha timidez não me deixou falar por muito tempo
Para mim você é a luz que revela os poemas que fiz
Quem conhece da terra e do sol
Muito sabe os mistérios do mar

O que eu vou dizer, você nunca ouviu de mim
Pois quieto que sou só sabia sangrar, sangrar cantando
Quantas vezes eu quis me abrir
e beijar e abraçar com paixão, mas as palavras
que devia usar fugiam de mim recolhidas na minha prisão

(Mas) O que eu vou dizer, você nunca ouviu de mim
Pois minha solidão foi não falar, mostrar vivendo.
Quantas vezes eu quis me abrir
e as portas do meu coração sempre pediam
Seu amor é meu sol e sem ele eu não saberia viver


Milton Nascimento

terça-feira, 27 de novembro de 2007

285 - A um mês do Natal















Canção do Sal


Trabalhando o sal é amor é o suor que me sai
Vou viver cantando o dia tão quente que faz
Homem ver criança buscando conchinhas no mar
Trabalho o dia inteiro pra vida de gente levar

Água vira sal lá na salina
Quem diminuiu água do mar
Água enfrenta sol lá na salina
Sol que vai queimando até queimar

Trabalhando o sal pra ver a mulher se vestir
E ao chegar em casa encontrar a família sorrir
Filho vir da escola problema maior é o de estudar
Que é pra não ter meu trabalho e vida de gente levar

Milton Nascimento

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

284 - Definição de saudade II















Saudades

Saudades! Sim... talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão!

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!

Florbela Espanca

domingo, 25 de novembro de 2007

283 - A um mês do Natal


















A um mês de Natal faz sentido reler o sentido da Festa


Citando Isaias 11

1Do cepo de Jessé brotará um rebento, e das suas raízes frutificará um ramo. [...] Não julgará segundo as aparências, nem por ouvir dizer.
4Castigará a terra com a vara da sua palavra, e com o sopro da sua boca condenará à morte a gente má. Pelo contrário, defenderá com justiça os pobres e com equidade os explorados.
5Porque se revestirá de justiça e de verdade na cintura e no tronco.
6Nesse dia o lobo e o cordeiro deitar-se-ão juntos, o leopardo e o cabrito viverão em paz; bezerros e gordas ovelhas estarão em segurança no meio de leões, e uma criança os guiará.
7Os bois pastarão juntamente com os ursos, enquanto os respectivos filhotes ficarão deitados uns com os outros. Também o leão comerá erva como os bois.
8Haverá bebés gatinhando sem perigo por entre serpentes venenosas, e crianças que põem despreocupadamente a mão dentro dum ninho de víboras, retirando-a depois sem a mínima mordedura."



Sem perder a esperança nesse dia penso que me contentaria com a concretização do texto de D. Helder da Camâra

Mariama, Nossa Senhora, mãe de Cristo e Mãe dos homens!

Mariama, Mãe dos homens de todas as raças, de todas as cores, de todos os cantos da Terra.

Pede ao teu filho que esta festa não termine aqui, a marcha final vai ser linda de viver.

Mas é importante, Mariama, que a Igreja de teu Filho não fique em palavra, não fique em aplauso.

Não basta pedir perdão pelos erros de ontem. É preciso acertar o passo de hoje sem ligar ao que disserem.

Claro que dirão, Mariama, que é política, que é subversão. É Evangelho de Cristo, Mariama.

Claro que seremos intolerados.

Mariama, Mãe querida, problema de negro acaba se ligando com todos os grande problemas humanos.

Com todos os absurdos contra a humanidade, com todas as injustiças e opressões.

Mariama, que se acabe, mas se acabe mesmo a maldita fabricação de armas. O mundo precisa fabricar é Paz. Basta de injustiça!

Basta de uns sem saber o que fazer com tanta terra e milhões sem um palmo de terra onde morar.

Basta de alguns tendo que vomitar para comer mais e 50 milhões morrendo de fome num só ano.

Basta de uns com empresas se derramando pelo mundo todo e milhões sem um canto onde ganhar o pão de cada dia.

Mariama, Senhora Nossa, Mãe querida, nem precisa ir tão longe, como no teu hino. Nem precisa que os ricos saiam de mãos vazias e o pobres de mãos cheias. Nem pobre nem rico.

Nada de escravo de hoje ser senhor de escravo de amanhã. Basta de escravos. Um mundo sem senhor e sem escravos. Um mundo de irmãos.

De irmãos não só de nome e de mentira. De irmãos de verdade, Mariama.

D. Hélder Câmara

Extraído do texto da Missa dos Quilombos

1908 (da consciência da existir) - 25 anos de trabalho em bibliotecas

Faz hoje, dia 1 de setembro, 25 anos que comecei a trabalhar no mundo das bibliotecas escolares. Tudo começou a 1 de setembro de 2001, por a...