terça-feira, 30 de outubro de 2007

275 - Mesmo se não tivesse corpo...

Hoje isto não me sai da cabeça... Que hei-de fazer? sou assim...



















Estátua de Rodin - Pensamento)


Quem poderá domar os cavalos do vento
Quem poderá domar este torpel
Do pensamento à flor da pele
Quem poderá calar a voz do sino triste
Que diz por dentro do que não se diz

Manuel Alegre
As minhas desculpas ao autor pela truncagem)

domingo, 28 de outubro de 2007

274 - Canção da cidade nova

Como no post anterior, referi uma canção que me marcou, decedi manter a linha de pensamento.

Lindíssima, nunca me canso de a ouvir


















Ó navegante do mar do medo
Ouve um instante o meu segredo,
Ó caminhante da noite fria
Ouve um instante minha alegria:

Ao longe longe já aparece
Uma cidade que resplandece
Ao longe longe o sol já vem
Eu já alcanço Jerusalém.

Virá o pobre do mundo inteiro
Há pão que sobre e sem dinheiro
Há pão e vinho em abundância
E o seu caminho é sem distância

Não tem distância esta cidade
Senão o medo que nos invade
Cantai comigo que o sol já vem
Eu já alcanço Jerusalém

Se o mundo cança de tanta guerra
Uma criança nasceu na terra
Um dia novo ela nos traz
Dará ao povo a flor da paz

Surgi depressa que não é cedo
Cantai comigo irmãos do medo
Cantai comigo que o sol já vem
Eu já alcanço Jerusalém

Hoje um menino venceu a morte
Nasceu franzino mas é Deus forte
Será chamado Emanuel
E sustentado de leite e mel

De longe chegam os povos
Vindo à procura de tempos novos
Cantai comigo que o sol já vem
Eu já alcanço Jerusalém

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

273 - As pobres solteiras














Esta foi (é) umas das canções que mais marcaram a minha adolescência. Merece destaque neste espaço. Cantada pelo Francisco Fanhais que também foi (é) um grande companheiro nesta viagem chamada vida.

Elas andam de eléctrico, às vezes de autocarro
e vestem gabardinas mais velhas do que elas.
Cheiram um pouco a chuva, a escuro, a barro,
a naftalina, a piano e à cera das velas.

Elas andam nas ruas mas ninguém dá por elas,
pelos seus grandes dentes, suas magras orelhas,
seus óculos de massa, suas mãos amarelas,
suas blusas velhas, suas saias tão velhas.

E lêem os jornais de manhã à tardinha,
de manhã a manhã como quem ganha o dia,
têm rugas, verrugas e pés de galinha
lançaram-lhes nos olhos uma rede sombria.

Cultivam com ternura plantas e memórias
e os filhos das outras que elas viram nascer,
ou manipulam contas, ou usam palmatórias
para secar as lágrimas que não podem reter.

Têm fome de tudo, têm de tudo sede, têm falhas
de dinheiro, de amigos, de carinho.
aos pares, nas feias meias, caem malhas
e é só nos largos bolsos que as mãos encontram ninho.

Elas sabem que a vida lhes roubou os parentes
e que entre os que estão vivos há animais ferozes
e sentem longe o amor em homens sorridentes
e vêem-no escapar em círculos velozes.

Elas andam de eléctrico, mas também podem ir
de autocarro ou a pé, depressa ou devagar.
E encostam-se aos caixilhos para melhor dormir,
as faces junto aos vidros para poder sonhar.

António Rebordão Navarro

terça-feira, 23 de outubro de 2007

272 - Outono















É quase Outono

Tempo da tristeza ser mais triste

Mas não é o Outono que me entristece:

Quando partires,

É a tua partida que faz do tempo

Tempo de Outono.

(desconheço a autoria do poema)

271 - Uma música de que gosto e que vai fazendo sentido

Nestes últimos dias, olhando para trás, tenho pensado que fez sentido esta canção

Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Ter me rebelado, ter me debatido
Ter me machucado, ter sobrevivido
Ter virado a mesa, ter me conhecido
Ter virado o barco, ter me socorrido
Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

270 - No tempo em que os animais falavam II












Na sequência de um post de há meses, resolvi actualizá-lo...


No tempo em que os animais falavam:
Trabalho cooperativo!
Diálogo!
Colaboração!
Abertura a outras ideias!

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

269 - Um dia, há muitos anos atrás, numa aula...

Um dia, há muitos anos atrás, numa aula um professor de que nem simpatizava muito leu-nos um poema que tenho a consciência de que foi o primeiro poema que me marcou.

Hoje trago-o aqui, não porque me sinta objecto dele ou a sua concretização. Aliás, neste momento, nem tempo há para sonhar tal a voracidade do tempo que não chega para tudo, mas trago-o porque a sua beleza me continua a cativar e foi citado por diversas vezes no meu círculo de trabalho.


O SONHO
Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

-Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama, Pelo Sonho é que Vamos

1908 (da consciência da existir) - 25 anos de trabalho em bibliotecas

Faz hoje, dia 1 de setembro, 25 anos que comecei a trabalhar no mundo das bibliotecas escolares. Tudo começou a 1 de setembro de 2001, por a...