Que bela a versão do Janita
Não é fácil o amor,
Melhor seria arrancar um braço
Fazê-lo voar
Dar a volta ao mundo
Abraçar todo o mundo
Fazer da alegria o pão nosso de cada dia
Não copiar os gestos do amor
Matar a melancolia que há no amor
Querer a vontade fria
Ser cego surdo mudo
Não sujeitar o amor ao destino de cada um
Não ter destino nenhum
ser a própria imagem do amor
Pôr o coração ao largo
Não sofrer os males do amor
Não vacilar ter a coragem
De enfrentar a razão de ser da própria dor
Porque o amor é triste
Não é fácil o amor
Janita Salomé
sábado, 30 de junho de 2007
sexta-feira, 29 de junho de 2007
227 - Não é fácil o amor

Não é fácil o amor, melhor seria
Arrancar um braço fazê-lo voar
Dar a volta ao mundo abraçar
Todo o mundo fazer da alegria
O pão nosso de cada dia não copiar
Os gestos do amor matar a melancolia
Que há no amor querer a vontade fria
Ser cego surdo mudo não sujeitar
O amor ao destino de cada um não ter
Destino nenhum ser a própria imagem
Do amor pôr o coração ao largo não sofrer
Os males do amor não vacilar ter a coragem
De enfrentar a razão de ser da própria dor
Porque o amor é triste não é fácil o amor
Luís Andrade
quinta-feira, 28 de junho de 2007
226 - já foi há 25 anos?
Pois. 25 anos é muito tempo! Aqui vai uma sentida homenagem a um texto que continua actual. Aqui publico um excerto de FMI de José Mário Branco

"Entretém-te filho, entretém-te, não desfolhes em vão este malmequer que bem-te-quer, mal-te-quer, vem-te-quer, ovomalt'e-quer, messe gigantesca, vem-te vindo, vi-me na cozinha, vi-me na casa-de-banho, vi-me no Politeama, vi-me no Águia D'ouro, vi-me em toda a parte, vem-te filho, vem-te comer ao olho, vem-te comer à mão, olha os pombinhos pneumáticos que te orgulham por esses cartazes fora, olha a Música no Coração da Indira Gandi, olha o Muchê Dyane que te traz debaixo d'olho, o respeitinho é muito lindo e nós somos um povo de respeito, né filho? Nós somos um povo de respeitinho muito lindo, saímos à rua de cravo na mão sem dar conta de que saímos à rua de cravo na mão a horas certas, né filho? Consolida filho, consolida, enfia-te a horas certas no casarão da Gabriela que o malmequer vai-te tratando do serviço nacional de saúde. Consolida filho, consolida, que o trabalhinho é muito lindo, o teu trabalhinho é muito lindo, é o mais lindo de todos, como o astro, não é filho? O cabrão do astro entra-te pela porta das traseiras, tu tens um gozo do caraças, vais dormir entretido, não é? Pois claro, ganhar forças, ganhar forças para consolidar, para ver se a gente consegue num grande esforço nacional estabilizar esta destabilização filha-da-puta, não é filho? Pois claro! Estás aí a olhar para mim, estás a ver-me dar 33 voltinhas por minuto, pagaste o teu bilhete, pagaste o teu imposto de transação e estás a pensar lá com os teus botões: Este tipo está-me a gozar, este gajo quem é que julga que é? Né filho? Pois não é verdade que tu és um herói desde de nascente? A ti não é qualquer totobola que te enfia o barrete, meu grande safadote! Meu Fernão Mendes Pinto de merda, né filho? Onde está o teu Extremo Oriente, filho? Ah-ni-qui-bé-bé, ah-ni-qui-bó-bó, tu és 'Sepuldra' tu és Adamastor, pois claro, tu sozinho consegues enrabar as Nações Unidas com passaporte de coelho, não é filho? Mal eles sabem, pois é, tu sabes o que é gozar a vida! Entretém-te filho, entretém-te! Deixa-te de políticas que a tua política é o trabalho, trabalhinho, porreirinho da Silva, e salve-se quem puder que a vida é curta e os santos não ajudam quem anda para aqui a encher pneus com este paleio de Sanzala e ritmo de pop-xula, não é filho?

"Entretém-te filho, entretém-te, não desfolhes em vão este malmequer que bem-te-quer, mal-te-quer, vem-te-quer, ovomalt'e-quer, messe gigantesca, vem-te vindo, vi-me na cozinha, vi-me na casa-de-banho, vi-me no Politeama, vi-me no Águia D'ouro, vi-me em toda a parte, vem-te filho, vem-te comer ao olho, vem-te comer à mão, olha os pombinhos pneumáticos que te orgulham por esses cartazes fora, olha a Música no Coração da Indira Gandi, olha o Muchê Dyane que te traz debaixo d'olho, o respeitinho é muito lindo e nós somos um povo de respeito, né filho? Nós somos um povo de respeitinho muito lindo, saímos à rua de cravo na mão sem dar conta de que saímos à rua de cravo na mão a horas certas, né filho? Consolida filho, consolida, enfia-te a horas certas no casarão da Gabriela que o malmequer vai-te tratando do serviço nacional de saúde. Consolida filho, consolida, que o trabalhinho é muito lindo, o teu trabalhinho é muito lindo, é o mais lindo de todos, como o astro, não é filho? O cabrão do astro entra-te pela porta das traseiras, tu tens um gozo do caraças, vais dormir entretido, não é? Pois claro, ganhar forças, ganhar forças para consolidar, para ver se a gente consegue num grande esforço nacional estabilizar esta destabilização filha-da-puta, não é filho? Pois claro! Estás aí a olhar para mim, estás a ver-me dar 33 voltinhas por minuto, pagaste o teu bilhete, pagaste o teu imposto de transação e estás a pensar lá com os teus botões: Este tipo está-me a gozar, este gajo quem é que julga que é? Né filho? Pois não é verdade que tu és um herói desde de nascente? A ti não é qualquer totobola que te enfia o barrete, meu grande safadote! Meu Fernão Mendes Pinto de merda, né filho? Onde está o teu Extremo Oriente, filho? Ah-ni-qui-bé-bé, ah-ni-qui-bó-bó, tu és 'Sepuldra' tu és Adamastor, pois claro, tu sozinho consegues enrabar as Nações Unidas com passaporte de coelho, não é filho? Mal eles sabem, pois é, tu sabes o que é gozar a vida! Entretém-te filho, entretém-te! Deixa-te de políticas que a tua política é o trabalho, trabalhinho, porreirinho da Silva, e salve-se quem puder que a vida é curta e os santos não ajudam quem anda para aqui a encher pneus com este paleio de Sanzala e ritmo de pop-xula, não é filho?
terça-feira, 26 de junho de 2007
225 - a idade dos porquês

A Idade dos Porquês
Professor, diz-me porquê?
Porque voa o papagaio que solto no ar
que vejo voar tão alto no vento
que o meu pensamento não pode alcançar?
Professor, diz-me porquê?
Porque roda o meu pião
ele não tem nenhuma roda
e roda, gira, rodopia, e cai morto no chão.
Tenho nove anos, professor
e há tanto mistério à minha volta
que eu queria desvendar…
porque é que o céu é azul?
Porque é que marulha o mar? Porquê?
Tanto porquê que eu queria saber
e tu que não me queres responder!
Tu falas, falas, professor,
daquilo que te interessa
e que a mim não me interessa
tu obrigas-me a ouvir, quando eu quero falar
tu obrigas-me a dizer, quando eu quero escutar
se eu vou a descobrir, fazes-me decorar
é a luta, professor,
a luta, em vez do amor.
Eu sou uma criança
Tu és mais forte, mais alto, mais poderoso
E a minha lança quebra-se de encontro à tua muralha.
Mas enquanto a tua voz zangada ralha, tu sabes, professor,
eu fecho-me por dentro
faço uma cara resignada e finjo,
finjo que não penso em nada
mas penso, penso em como era engraçada
aquela rã que de manhã ouvi coaxar
que graça tinha aquela andorinha
que ontem à tarde vi passar
e quando tu depois vens definir
o que são conjunções e proposições
quando me fazes repetir que os corações
têm duas aurículas e dois ventrículos
e tantas, tantas mais definições,
o meu coração, o meu coração,
que não sei como é feito, nem quero saber
cresce, cresce, dentro do peito,
a querer saltar cá para fora, professor
a ver se tu assim compreenderias
e me farias mais belos os dias.
Alice Gomes
segunda-feira, 25 de junho de 2007
224 - Foi das primeiras coisas que li
Foi das primeiras coisas que me chamaram verdadeiramente a atenção lá pelos idos anos 70... Existia um cartaz que se via com alguma frequência para além de um outors com um texto de Matilde Rosa Araújo.
quinta-feira, 21 de junho de 2007
quarta-feira, 20 de junho de 2007
222- Lógica Grega

Skybird
Neil Diamond
Skybird
Make your sail
And every heart
Will know of the tale
And head for the farthest shore
Songbird
Make your tune
For none may sing it just as you do
And make your song be heard
Look at the way I glide
Caught on the winds lazy tide
Sweetly how it sings
Rally each heart
At the sight of your silver wings
Skybird
Skybird
Night bird
Find your way
For none may know it just as you may
Seek out your harbor of light
Let your song be heard
Rally each heart
To the sight of your silver wings
Skybird
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