Não raras vezes, quando falo com gente de outras nacionalidades, o tema repete-se: "o que é a saudade?" perguntam-me...
Claro que gosto de falar sobre o assunto e sobre esta palavra/sentimento tão nossa, mas, aos poucos percebo que lhes podereia devolver a questão perguntando: "O que é o amor?"
Tento a comparação, Ah "wind" está para "missing" assim como "hurricane" está para "saudade". É forte, é pensamento, envolve-nos, limita-nos, tolhe-nos os movimentos, o corpo e a alma, e...
Pedaço de Mim
Chico Buarque
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
281 - O teu sorriso

Tira-me o pão,
se quiseres,tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por verque a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,do dia, da lua,
ri-te das ruas tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro rapaz que te ama,
mas quando abro os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
O Teu Riso (Pablo Neruda)
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
280 - retrato dos tempos que correm

Poema pouco original do medo
O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis
Vai ter olhos onde ninguém o veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no teto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos
O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
óptimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projectos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com certeza a deles
Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados
Ah o medo vai ter tudo
tudo
(penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)
O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos
Sim
ratos
Alexandre O'Neil
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
279 - canta-nos uma canção :-)

a la puerta de mi amor
hay un lazo de algodón
todos passan y no se quedan
solo yo me quedo en prisón
tu que durmes en la ribera
acaso me podrás decir
cuantas horas duerme el água
antes de amanecer
tenho no quintal um limoeiro
junto ao canteiro da hortelã
ele dá limões o ano inteiro
eu em troca rego toda as manhãs
eu em troca rego todas as manhãs
isto é se não chover primeiro
junto ao canteiro da hortelã
tenho no quintal um limoeiro
la nostalgia hace sufrir
aún así la quiero bien
una nostalgia en la vida
pobre de quine no la quiere.
"o limoeiro" in "terra de abrigo"
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
278 - foi lindo de facto...
Oh Danny Boy, the pipes, the pipes are calling
From glen to glen, and down the mountainside.
The summer's gone, and all the roses falling
'Tis you, 'tis you must go and I must bide.
But come ye back when summer's in the meadow
Or when the valley's hushed and white with snow,
For I'll be here in sunshine or in shadow.
Oh Danny Boy, oh Danny Boy, I love you so.
And when ye come, and all the flowers are dying,
If I am dead, as dead I well may be,
Ye'll come and find the place where I am lying
And kneel and say an Ave there for me.
And I shall hear, though soft you tread above me,
And o'er my grave shall warmer, sweeter be,
And if you bend and tell me that you love me,
Then I shall sleep in peace until you come to me.
From Wikipedia, the free encyclopedia
Song
Published 1913
Genre Ballad, Irish folk
Writer Frederick Weatherly (Lyrics)
For the Scottish comedian, see Danny Bhoy.
For the House of Pain MC, see Danny Boy (singer).
For the Chicago-born African-American soul singer, see Danny Boy (artist).
"Danny Boy" is a song , whose lyrics are set to the Irish tune Londonderry Air. The lyrics were originally written for a different tune in 1910 by Frederick Weatherly, an English lawyer who never actually visited Ireland, and modified to fit Londonderry Air in 1913. The first recording was made by Ernestine Schumann-Heink in 1915. Weatherly gave the song to Elsie Griffin, who made it one of the most popular in the new century. Weatherly later suggested in 1928 that the second verse would provide a fitting requiem for the actress Ellen Terry.
The song is widely considered an Irish anthem, and the tune is used as the anthem of Northern Ireland at the Commonwealth Games, even though the song's writer was not Irish, and the song was and is more popular outside Ireland than within. It is nonetheless widely considered by Irish Canadians/Americans to be their unofficial signature tune. It is frequently included in the organ presentation at Irish-American funerals.
Though the song is supposed to be a message from a woman to a man (Weatherly provided the alternative "Eily dear" for male singers in his 1918 authorized lyrics [1]), the song is actually sung by men as much as, or possibly more often than, by women. The song has been interpreted by some listeners as a message from a parent to a son going off to war or leaving as part of the Irish diaspora.
domingo, 11 de novembro de 2007
277 - Mar sem fim
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
276 - Meu pensamento

Meu pensamento
partiu no vento
podem prendê-lo
matá-lo não
Meu pensamento
quebrou amarras
partiu no vento
deixou guitarras
Meu pensamento
por onde passas
estátua de vento
em cada praça
Foi à onquista
de um novo mundo
foi vagabundo
contrbandista
foi marinheiro
maltês ganhão
foi prisioneiro
mas servo não
E os reis mandaram
fazer muralhas
tecer as malhas
de negras leis
homens morreram
chamas ao vento
por ti morreram
meu pensamento
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