quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

1285 - Nem sei que nome dar a isto...



















Bom... narcisismo também não será...
Mas com eles duram não mais que três semanas e estão tão lindos aqui no jardim que resolvi fotografa-los para guardar o momento

Adiante...

1ª reflexão - Há uma coisa que considero inexplicável e até acho injusta. há pessoas que parece serem bafejadas pela sorte (ou será que a conquistam?) e há outras que parece que puxam o azar, havendo ainda outras que pura e simplesmente estão na hora errada no local errado.

Olhando para trás parece-me que me incluo nas do primeiro grupo... já vi muitas portas se fecharem atrás de mim e já passei por momentos em que não vislumbrava saída válida e tudo parecia sem saída... Depois dessas portas se fecharem, isso foi sempre ocasião de outras se abrirem parecendo-me a mim que a mudança até foi para melhor. Aqui parece que o ditado se deveria reescrever para: "não há mal que sempre dure e não se acabe". O que não nos mata, torna-nos mais fortes

2ª reflexão: Sempre procurei ser profissional e competente naquilo em que me meto. Por vezes acho até que esse é o mal (já sei, tenho a mania que sou bom... tenho que comprar uns óculos de diminuir o ego) e muitas vezes achei que fui posto fora exactamente por isso. Por poder fazer frente a interesses ou situações instituídas. É a vida como dizia o nosso ex 1º ministro

3ª reflexão: Este ano fui "promovido" a professor de base deixando de ser coordenador de departamento. Não me interessam agora os pormenores nem estava agarrado ao cargo...
Apenas se punha agora uma questão de consciência em relação à avaliação de desempenho

Sempre fui contra! avaliei colegas porque estes assim o pediram. Eram meus pares e desejaram-no. Quem era eu para lhes negar esse direito?

Agora colocava-se uma questão de coerência. Já tenho caminho de muitos anos feitos com os os meus pares. Avaliei-os e como me decidir agora? manter uma posição coerente e estar contra esta avaliação de desempenho ou manter uma posição de coerência e, pelos meus pares, sujeitar-me ao que eles se sujeitaram de modo a que estes percebessem que eu não tive só teorias baratas para eles e que estava no mesmo barco em perfeita solidariedade: PROFESSOR com muito gosto e orgulho? Que porra... fazemos caminho há tantos anos e qando chegava a minha vez não me atrevia a mostrar os meus pontos fracos parecendo ter medo de me expor perante eles?

Escolhi o mais difícil. Escolhi ter aulas observadas (não porque concorde mas por pura solidariedade pelos meus pares).
Tive a sorte de a minha avaliadora (que já foi minha avaliada - ridículo sistema este) ser mesmo uma pessoa honesta e profissional que tem procurado fazer caminho comigo e percebeu que já tenho 23 anos de carreira e que não estou em estágio e não sou miúdo...

Hoje entrou na minha sala com avaliadora e não como colega... confesso que me senti meio humilhado de início (coisa que ela e outros há dois anos terão sentido de mim- nada como passar por elas para se perceber como é a vida). No entanto tudo foi esquecido e o debate pós aula foi riquíssimo!

Riquíssimo mesmo. Falámos do orgulho em ser professor. Falámos que o avaliador não trabalha com o professor apenas na sala de aula. Ele tem que apreender o modo como o professor se envolve com os seus alunos numa situação de classe, mas também como este se implica junto da comunidade escolar e na sociedade que envolve a escola. Porque trabalha com ele como profissional, mas também enquanto pessoa.
Falámos que o avaliador tenta responder às seguintes questões: Onde ensina? O que é que ele ensina? Como é que ensina? O que aprendem os seus alunos? Como se auto avalia? Que capacidade tem para reformular a sua actuação? Com que profundidade domina as matérias que pretende ensinar? Falámos que, por outras palavras o avaliador avalia o professor em vertentes tão diferenciadas quanto o são o seu ser, o seu saber e o seu saber fazer. Logo, o avaliador tem que estar atento a um grande número de variáveis que intervêm na função docente: variáveis de produto, de processo, de presságio, de carácter pessoal e profissional...

Depois disse-me coisas que eu intuía mas nunca tinha consciencializado nem nunca ninguém me dita dito: Tu sorriste para os alunos a aula toda! isso é muito positivo! Tu fizeste-os pensar! Tu deixaste-os falar de si e com ordem...

E é verdade. Quase sempre sou de muito afecto (excepto naqueles dias negros em que o actor não consegue desligar do papel que representa fora da escola ou um dos miúdos descarrega com o primeiro adulto que lhe aparece em frente e a desconsideração não é para mim mas para o adulto que lhe apareceu à frente (embora isso só se perceba após a aula)
Sei bem que um professor tem que aprender o que ensina, o modo de ensinar e tudo (mesmo tudo) sobre os alunos que vão ser sujeitos à sua actividade profissional. Mas não se iludam: depois de tudo isso um professor nunca está formado. Tem que aprender sempre. Um professor carrega para toda a vida o fardo de ter que ser aluno de si próprio. De se cuidar, de estar sempre atento, ter os pés bem postos no presente e os olhos bem focados no futuro.
Por tudo isso o professor é obra permanentemente inacabada. É contentor onde cabe sempre mais alguma coisa. O professor é um intelectual, mas também é um artesão; é um teórico, mas que tem que viver na e com a prática; é um sábio, mas que tem de aprender todos os dias; é um cientista que tem que traduzir a sua experimentação para mil linguagens; é um aprendente que ensina; é um fazedor dos seres e do saberes; mas é também um homem, ou uma mulher, como todos nós, frágil, expectante e sujeito às mais vulgares vulnerabilidades.

Por tudo isto senti-me hoje um homem cheio de sorte. Tive à minha frente uma colega que soube desempenhar o seu papel com mestria e me soube potenciar como professor ao mostrar-me o que eu não vejo por estar do outro lado

A avaliação de desempenho poderia ser tão diferente se...
Quer isto dizer que concordo com este modelo de avaliação de desempenho? Não, não, nunca! Quer dizer que tenho muita sorte com os ambientes onde me movo e faço amizade com excelentes profissionais que sabem fazer ouro onde só existe mer...
Felizmente que apesar de todas as políticas de educação que considero erradas quem têm saído o meu departamento ainda é capaz de fazer um almoço do fim de ano num restaurante ao pé da praia e somos capazes de nos olhar todos "olhos nos olhos"

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(sim... relendo tudo isto reconheço poder ser profundamente incoerente e estar a alinhar numa farsa sem sentido que só alimentará o ego de alguns decisores políticos. pode ser. Neste tribunal da minha consciência continuo a argumentar que quis por a mão na massa e passar pelo que os meus pares passaram, sobretudo porque fui eu que tive de assumir o papel de avaliador antes e terei sido tão bom que tiveram que me me apear não fosse... É que isto de pensar num meio em que muitos não pensam é perigoso... Ganhei com isto a minha face e a possibilidade de os olhar olhos nos olhos... Vejam não tive teorias baratas só para vocês e quando chegou a minha vez fugi... aqui estou eu, para isto e para o que vier a seguir

Irei para a rua seguramente um destes dias para exigir uma avaliação que nos faça crescer a todos como profissionais e não esta em que se procura através do preenchimento de papeis impedir a progressão

5 comentários:

  1. Que importa o nome que dás a 'isto'?
    O importante mesmo foi fazeres esta análise exaustiva. Que gostei de ler. Fiquei a conhecer-te melhor, mas não me surpreendi :)))

    Um beijo, João.

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  2. Olá Maria:

    Bem vinda ;-)

    Reli de novo o que escrevi. O que me irrita profundamente nisto é que a avaliação de professores poderia ser tão diferente do que é e poderia ser muitíssimo formativa.

    Tudo o que ouço de colegas e leio nos jornais e blogues só me demonstra que o sistema é profundamente errado,burocrático e é uma farsa!

    Felizmente tenho um grupo de colegas decentes que apesar de todas estas políticas procura manter alguma sanidade e até se dá ao luxo de se ir mantendo unido e, se há coisa de que guardo prazer sincero e boa memória, é o almoço de fim de ano lectivo num restaurante à beira mar em que cada ano constatamos que ainda não nos quebraram e ainda somos capazes de rir uns com os outros!
    Bom sinal.

    Vamos crescendo como professores...

    Tudo isto não significa que em Março não voltarei à rua! penso que será dia 12!
    Lá estarei!

    Gosto de entrar na sala de professores de cabeça erguida e sem vergonha de mim próprio!

    Já voltaste?

    Beijo

    João

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  3. Olá João

    Eu estranharia se os professores estivessem contentes e aceitassem esta 'coisa' com a política governamental que temos. Eles ainda não perceberam que têm de ir embora. Claro que não vão voluntariamente. Mas serão corridos a pontapé (leia-se votos) mais tarde ou mais cedo.
    O 'voltar' é relativo. Mudei-me para o Oeste. Fartei-me de Lisboa. Estou ainda em arrumações, que deverão levar mais uns dias...
    Depois volto sim, a 100%.

    Beijo, João.

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  4. Vai ser divertido ir daqui até Lisboa para uma man ifestação... :))))

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  5. Maria:

    No Oeste suponho. Fazes bem Maria! Que bom!

    Que bom teres o mar logo aí ao pé de ti!

    Usufrui!

    Beijo

    João

    Em Março lá estarei

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