terça-feira, 14 de novembro de 2017

1855 (do que nos constitui) - Still crazy after all these years

Still Crazy After All These Years




I met my old lover
On the street last night
She seemed so glad to see me
I just smiled
And we talked about some old times
And we drank ourselves some beers
Still crazy after all these years
Still crazy after all these years

I'm not the kind of man
Who tends to socialize
I seem to lean on
Old familiar ways
And I ain't no fool for love songs
That whisper in my ears
Still crazy after all these years
Still crazy after all these years

Four in the morning
Crapped out
Yawning
Longing my life away
I'll never worry
Why should I?
It's all gonna fade

Now I sit by my window
And I watch the cars
I fear I'll do some damage
One fine day
But I would not be convicted
By a jury of my peers
Still Crazy
Still Crazy
Still Crazy after all these years
Paul Simon 

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

1854 (do que nos constitui) - Le plat pays
















Le plat pays

Avec la mer du Nord pour dernier terrain vague
Et des vagues de dunes pour arrêter les vagues
Et de vagues rochers que les marées dépassent
Et qui ont à jamais le cœur à marée basse
Avec infiniment de brumes à venir
Avec le vent de l'est écoutez-le tenir
Le plat pays qui est le mien
Avec des cathédrales pour uniques montagnes
Et de noirs clochers comme mâts de cocagne
Où des diables en pierre décrochent les nuages
Avec le fil des jours pour unique voyage
Et des chemins de pluie pour unique bonsoir
Avec le vent d'ouest écoutez-le vouloir
Le plat pays qui est le mien
Avec un ciel si bas qu'un canal s'est perdu
Avec un ciel si bas qu'il fait l'humilité
Avec un ciel si gris qu'un canal s'est pendu
Avec un ciel si gris qu'il faut lui pardonner
Avec le vent du nord qui vient s'écarteler
Avec le vent du nord écoutez-le craquer
Le plat pays qui est le mien
Avec de l'Italie qui descendrait l'Escaut
Avec Frida la Blonde quand elle devient Margot
Quand les fils de novembre nous reviennent en mai
Quand la plaine est fumante et tremble sous juillet
Quand le vent est au rire quand le vent est au blé
Quand le vent est au sud écoutez-le chanter
Le plat pays qui est le mien.

Compositores: Jacques Brel

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

1853 - (Da cidadania) A poesia não vai à missa,

A poesia não vai à missa, 
não obedece ao sino da paróquia,
prefere atiçar os seus cães
às pernas de deus e dos cobradores
de impostos.
Língua de fogo do não,
caminho estreito
e surdo da abdicação, a poesia
é uma espécie de animal
no escuro recusando a mão 
que o chama.
Animal solitário, às vezes 
irónico, às vezes amável,
quase sempre paciente e sem piedade.
A poesia adora
andar descalça nas areias do Verão.




Eugénio de Andrade

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

1852 (Do que nos faz únicos) - Prefiro a rua do Ouro

Fui rejeitado a cotovelo pelos saldos
Vi um ourives preso ao alfinete da gravata
A caprichar em filigranas
Com uma pé-de-avestruz americana
O cheiro do café recém-moído transportou-me a outras plagas
Vi as sangrentas luvas pinares sobre as cabeças transeuntes
Ouvi dizer a um tipo que bela forma
E pensei que terás tu para lhe meter dentro?
Li num cabeçalho o passado tem os olhos do presente postos no futuro
Embarquei em sapatos enforquei-me em gravatas
Descompus Cesário Verde que atravessava a rua
sobraçando uma chave-inglesa o descuidado
Contei os buracos duma roda de gruyère na montra daquela charcutaria que tem uns rissóis sabes de camarão
Comprei um candeeiro diz que nórdico
a sua luz acompanha a mão de quem escreve e pára quando a mão para
Ouvi pedir compra-me o comboio eléctrico
E ouvi adiar se passares compro
Senti o cheiro das revistas recém-postas à venda
E pensei que bom estamos na Europa
Escorreguei os olhos pelas tabuletas dos advogados
Fisguei a abelha do trabalho que o Cesariny transformou em mosca
E também vi vou sempre ver o pelicano do frontão
Reflectido na montra faz um figuralhão
Subi ao de Santa Justa e para dominar os complexos
Deitei lá de cima um avião
Vi à noite os casais que vêm ver as montras
Gente que faz o quilo de nariz contra o vidro
Ouvi dizer a Banca é muitas vezes detestada porque pouca gente sabe o que é um Banco
Sigo as recomendações dos lojistas da artéria
Prefiro a Rua do Ouro


Alexandre O'Neill

quinta-feira, 27 de julho de 2017

1491 (Do belo) - Joana Francesa

Joana Francesa

Tu ris, tu mens trop Tu pleures, tu meurs trop Tu as le tropique Dans le sang et sur la peau Je me dit loucura e de torpor Já é madrugada D'accord d'accord d'accord d'accord Mata-me de rir Fala-me de amor Songes et mensonges Sei de longe e sei de cor Je me dit prazer e de pavor Já é madrugada D'accord d'accord d'accord d'accord Vem molhar meu colo Vou te consolar Vem, mulato mole Dançar dans mes bras Vem, moleque me dizer Onde é que está Ton soleil, ta braise Quem me enfeitiçou O mar, marée, bateau Tu as le parfum De la cachaça e de suor Je me dit preguiça e de calor Já é madrugada D'accord d'accord d'accord d'accord

Chico Buarque

segunda-feira, 3 de julho de 2017

1490 (do abjecto) - Tisanas

"Era uma vez duas serpentes que não gostavam uma da outra. Um dia encontraram-se num caminho muito estreito e como não gostavam uma da outra devoraram-se mutuamente. Quando cada uma devorou a outra não ficou nada. Esta história tradicional demonstra que se deve amar o próximo ou então ter muito cuidado com o que se come."
HATHERLY, Ana, 351 Tisanas. Lisboa: Quimera (1997)

quinta-feira, 29 de junho de 2017

1489 (do que somos feitos) Acontecer

Acontecer

Rasgo as ondas
risco o vento
trago um mar revolto
um rombo
no meu peito.

Raspo as asas no lençol de estrelas
de uma noite branca.

Sei que um dia destes
hei
de acontecer.

José Fanha