sábado, 29 de abril de 2017

1843 (da condição humana) - Blackbird

Blackbird

Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise.
Blackbird singing in the dead of night
Take these sunken eyes and learn to see
All your life
You were only waiting for this moment to be free.
Blackbird fly, blackbird fly
Into the light of the dark black night.
Blackbird fly, blackbird fly
Into the light of the dark black night.
Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise
You were only waiting for this moment to arise
You were only waiting for this moment to arise

Compositores: John Lennon / Paul Mccartney

sexta-feira, 28 de abril de 2017

1842 (da perplexidade) - Because

Becuase



Because the world is round it turns me on
Because the world is round, ah
Because the wind is high it blows my mind
Because the wind is high, ah
Love is old, love is new
Love is all, love is you
Because the sky is blue, it makes me cry
Because the sky is blue, ah
Ah
John Lennon / Paul Mccartney

terça-feira, 11 de abril de 2017

1840 (das palavras) - Joguete de cartas sem clarinete

Joguete de cartas sem clarinete

-Tu ficas com estas,
-Não vale fazer batota!
-Eu fico com estas,  
- Quem é a primeira a jogar? és tu? sou eu?
- Eu posso começar
- Então vá! pronta?
- Sim
- Colete
- Colete? sete
- Capacete
- aah... Ralhete.
- Remete
- aah... Cadete
- aah, Valete
- Ramalhete
- Filete
- ahhh... Joanete,
- Calhambeque
- Pivete
- Filete
- aah... alfinete!
- Estou quase,
- Já tenho menos cartas que tu, parece-me!
- Canivete,
- Cheirete,
- Frete
- ai, ai, Olha, passo!
- Podes ir buscar uma ao baralho.
- És tu!
- Valete
- Ai, passo outra vez.
- Hum, Tablete
- Não tens?
- Não! Tenho de ir buscar outra vez!
- hum, ora bem, hum
- Biciclete
- Biciclete?
- Sim, biciclete!
- Ah? não é bicicleta?
-Oh não...

Ana Isabel Gonçalves e Paula Pina
Palavras de bolso
https://shar.es/1QK4NP 


quinta-feira, 6 de abril de 2017

1839 (Do espanto) - E ao fim de tantos anos aqui tens de novo um coração

E ao fim de tantos anos aqui tens
de novo um coração   Lembras-te ainda
do que lias no Hurst.  duas aurículas
e dois ventrículos.      as válvulas
a mitral a tricúspide.   os desenhos
tão nítidos do Netter
os sons milhões de vezes repetidos
a cadência ritmada que escutavas
no Litmtman do teu pai   essa alternância
de sístole e diástole.   o seu fogo
que dantes te fazia arder o peito
incendiar as noites

Ao fim de tantos séculos.  milénios
acreditaste ser
inócuo para sempre.  estar enfim
extinto esse vulcão

Agora no entanto
recomeça a bater todos os dias
e não sabes porquê

Fernando Pinto do Amaral

segunda-feira, 3 de abril de 2017

1838 (do espanto) - Romance de Cnossos

Romance de Cnossos


Este canto rouco rouco
das cigarras de Cnossos
Ouvi-o logo no porto
depois nos caminhos tortos
que sobem do porto ao ponto
onde ressurge Cnossos
Mais tarde à beira de um poço
Por fim diante dos cornos
destes inúmeros touros
que há no palácio minóico
Posso fingir que não o ouço
mas atravessa-me os ossos
alastra por todo o corpo
até me escalda nos olhos
este canto rouco rouco
das cigarras de Cnossos
Quando num último sopro
souber que não mais acordo
e tudo estiver em torno
imerso no mesmo ópio
decerto ouvirei de novo
no sono dos outros mortos
este canto rouco rouco
das cigarras de Cnossos
Contudo na manhã de hoje
nem só com isso me importo
Pior é sentir que o fogo
lateja sob este solo
Todo este calor de forno
não sei já como o suporto
Parece haver um acordo
feito entre o solo e o Sol
E terem ambos proposto
como língua de seus votos
este canto rouco rouco
das cigarras de Cnossos
Mas se o palácio percorro
eis que sofro de outro modo
Ver que o palácio é dos outros
mas que o labirinto é nosso
Que alimentamos o monstro
com o sangue de nós próprios
Que lhe damos o contorno
da sombra do nosso ódio
Que lhe buscamos no dorso
os nossos próprios remorsos
E de tudo isto em coro
nos vai verrumando os poros
este canto rouco rouco
das cigarras de Cnossos
Ó Grande Sala do Trono
dos tronos o mais remoto
onde Minos no seu posto
julgará todos os homens
Não de assassínios nem roubos
Só do que entregam à morte
E uns colocados no topo
outros no fundo dos fossos
vai repercutir-se em todos
vibrando de pólo a pólo
este canto rouco rouco
das cigarras de Cnossos

David Mourão-Ferreira
in As Lições do Fogo, Lisboa, D. Quixote, 1976, pp. 68-70.