quinta-feira, 6 de abril de 2017

1839 (Do espanto) - E ao fim de tantos anos aqui tens de novo um coração

E ao fim de tantos anos aqui tens
de novo um coração   Lembras-te ainda
do que lias no Hurst.  duas aurículas
e dois ventrículos.      as válvulas
a mitral a tricúspide.   os desenhos
tão nítidos do Netter
os sons milhões de vezes repetidos
a cadência ritmada que escutavas
no Litmtman do teu pai   essa alternância
de sístole e diástole.   o seu fogo
que dantes te fazia arder o peito
incendiar as noites

Ao fim de tantos séculos.  milénios
acreditaste ser
inócuo para sempre.  estar enfim
extinto esse vulcão

Agora no entanto
recomeça a bater todos os dias
e não sabes porquê

Fernando Pinto do Amaral

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