quarta-feira, 14 de junho de 2006

14 de Junho - dia de greve de professores


Para que fique BEM claro. Eu sou professor e fiz greve! (pronto já disse - estão separadas as águas).

Após dois dias de avaliação e de ter lido muita coisa que se foi escrevendo sobre os professores e seus comentários, ouvindo fóruns da TSF e Antena 1, dou os parabéns a todos aqueles que têm denegrido a minha profissão.

Conseguiram-no! Parabéns! Os professores são a escumalha da sociedade, uma párias, uns parasitas. Está dito!

E eu, que já dou aulas há 20 anos (imagine-se) sinto-me humilhado, rebaixado, ultrajado... Sempre dei o "litro", noite livres nos últimos anos contam-se pelos dedos, cada vez trabalho mais e cada vez me tratam pior... Ah, vidas de professor...

Perdoa-me, caro Alberto Caeiro, por tratar mal mal a tua poesia

Excertos de: “O Guardador de Rebanhos - Poema V
(Alberto Caeiro)

Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
[…]
Que ideias tenho eu das coisas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
[…]
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas)
O mistério das coisas? Sei lá o que é o mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
[…]
Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas,
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?
[…]
"Constituição íntima das coisas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em coisas dessas.
[…]
O único sentido íntimo das coisas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.

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