quarta-feira, 21 de outubro de 2009

927 - Mote: um dia de chuva...



Mozart, Piano Concerto No. 21, Andante ("Elvira Madigan")

1 - Hoje foi o primeiro dia de chuva. Com os engarrafamento tive de fazer teletrabalho. Abri a janela e deixei a chuva entrar. Inspirei, respirei, inspirei fundo... Deixei que o cheiro me invadisse... E o som senhores? a água a bater nos vidros...
Se há momentos de eternidade, serão estes.

O barulho do mar é belo mas envolve-me o cheiro e barulho da chuva.
E porque diabo teremos sempre que escolher um amor? Deixem-me ser bígamo e fazer amor com esta chuva tão bela

(recordo agora os anos em que saia para a rua só para levar os primeiros pingos...)

2 - As mãos do pianista...

Confesso que o decorrer dos anos me fizeram voltar para as mãos... Antes fixava-me noutros aspectos. Agora fascinam-me as mãos.
Talvez influência do Filme "O pianista" que as focava tão bem e tão sublimemente. Que envolvimento estas nos trazem ao fazer música quase por acaso tocando em cada tecla.
Dou tantas vezes por mim a olhar as mãos dos outros e imaginando...

E é mesmo como diz o poeta. Como serão as minhas mãos vistas pelos outros? gostava que fossem as de alguém que controí a liberdade (entendida como espaço de construção de si...)

As mãos
Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre

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