quinta-feira, 10 de setembro de 2009

894 - Boas memórias que tive oportunidade de relembrar



Ontem (9.9.09)foi colocada no mercado toda a discografia dos Beatles.

Nem de propósito!

Como foi necessário ir às compras fez-se a tradicional volta pela FNAC para ver as novidades.
Lá estavam eles! todos os LP dos Beatles.
Foi oportunidade para conversar com os rapazes sobre o que foram os Beatles e sobre as capas dos seus álbuns pois que, até nisso, os Beatles foram inovadores.

Veja-se a capa do Abbey Road que ainda hoje marca a discografia (Pausa para explicar que o meu mais novo conhece capas como aquela e que tenho por aqui a capa do "A Idade da inocência" que também se inspirou na dos Beatles)
Veja-se a maravilha da capa do Sgt. Pepers com os monstros do cinema que os meus rapazes desconhecem(iam)
Veja-se a capa do white album tão fora de comum para a época e para o historial dos Beatles.

Claro que tive de sair da FNAC com um dos 3 CD que quero comprar apesar de os ter em vinil. Este mês foi o White Álbum.
Expliquei ao rapazes o que significou este álbum por revelar toda uma procura de novas sonoridades e por já se perceber tão bem os caminhos que o John e o Paul iriam trilhar a solo, ou ainda a introdução de novos instrumentos nas músicas. Simplesmente Fabuloso!
E mais feliz fiquei ao ouvir hoje os "disquitos". Há que séculos que não ouvia aquelas músicas e que memórias algumas me trouxeram.
Não queria voltar atrás mas que bem me faz agora tudo o que vivi! Tudo permanece tão actual: "Why don't we do it in the road?"

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Hoje à hora de almoço...

A conversa com a Teresa sobre livros e leituras de férias foi preciosa e engraçada...
Palavra puxa palavra e pensamento puxa pensamento dei por mim a pensar no diário de Hélène Berr (que só viu a luz do dia em 2007) e os relatos que ela faz da humilhação de ter de pôr a "estrela" numa Paris ocupada. É impressionaste a reacção das pessoas: Umas vinham ter com ela e manifestavam-lhe toda a solidariedade quase pedindo desculpa por serem franceses, outros ignoravam-na, outros obrigavam-na a ir para a última carruagem do Metro, outros...

E a noção que ela descreve da profunda incompreensão que sentia noutras pessoas. Estas nunca iriam entender... NUNCA! Achavam tudo normal. Eram incapazes de ver num outro um Eu...

Associei isto com a notícia (pequenita) da Focus desta semana:
Alemanha reabilita Ex-militares que foram considerados “traidores” e condenados pela Justiça nazi

Mais de seis décadas após o fim da Segunda Guerra Mundial, os chamados “traidores de guerra” esperavam uma reabilitação por parte do governo alemão. Depois de longos debates, foi aprovada pelo Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão) uma lei que suspende a validade dos veredictos da Justiça militar expedidos durante o período nazi. Para os sobreviventes, trata-se de denominar, enfim, essas decisões como o que realmente foram: veredictos aleatórios e injustos.

Condenados durante o nazismo eram todos os que, de alguma forma, manifestassem dúvidas quanto à vitória das Forças Armadas alemãs na guerra. Os juízes militares da época condenaram mais de 30 mil pessoas à morte.

Como sinal de “desagregação da Wehrmacht” já era suficiente qualquer contacto com prisioneiros de guerra ou principalmente ajuda a judeus. Depois do fim da guerra, em 1945, as vítimas da Justiça nazi continuaram socialmente banidas, enquanto juízes coniventes com o nazismo continuaram exercendo suas profissões na então Alemanha Ocidental.

“Tratava-se de reconhecer a resistência e a desobediência de soldados simples, abolir seus antecedentes criminais e deixar claro que essas pessoas precisavam de reconhecimento. Pois elas agiram, como mostram pesquisas recentes, essencialmente guiadas por suas consciências.

Para Ludwig Baumann, a nova lei que reabilita as vítimas da Justiça nazi será a “concretização de um sonho”. O ex-soldado da Wehrmacht, desertor da Segunda Guerra, foi torturado e condenado à morte, tendo sido um entre os poucos sobreviventes entre os condenados.

Em 1990, ele fundou, ao lado de 36 outras pessoas, uma associação de vítimas da Justiça militar nazi. “E desde então luto também no Bundestag pela reabilitação, pela suspensão dos veredictos e pela reabilitação de nossa dignidade”, conta Baumann.

Ele já havia sido beneficiado em 2002 por uma lei que reabilitou os desertores. Os chamados “traidores de guerra”, no entanto, continuaram sendo juridicamente considerados criminosos.

A presidente da comunidade judaica de Berlim, Lala Süsskind, é uma das personalidades que defendem a suspensão oficial dos veredictos em relação a essas pessoas. Süsskind enviou uma carta oficial a todas as bancadas do Parlamento explicitando seu ponto de vista na questão.

Ostracismo e sofrimento

Tanto Korte quanto o parlamentar Wolfgang Wieland, do Partido Verde, lembram que tirar a validade dos veredictos da Justiça militar nazista representa romper o “último tabu” da justiça aleatória do regime de Hitler.

Korte salienta ainda o ostracismo em que viveram os que lutaram na resistência ao nazismo. “Os membros da resistência do 20 de Julho de 1944 foram considerados traidores, sujos e coisas parecidas, contra os quais queria-se lutar em prol de uma Wehrmacht limpa”, descreve Korte.

Mesmo diante de toda a satisfação em presenciar a reabilitação dos chamados “traidores de guerra”, o desertor Ludwig Baumann afirma que jamais esquecerá o passado, já que seu sofrimento se perpetua até hoje. “Isso foi para mim um horror tamanho, que me acompanha até hoje”, completa.

Fonte: DW-World.de

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