segunda-feira, 18 de julho de 2011

1380 - A vida é o que a gente faz dela















Conheço barcos que ficam no porto
Com medo de que as correntes os arrastem violentamente.
Conheço barcos que enferrujam no porto
Para não arriscarem nunca uma vela ao largo. 

Conheço barcos que se esquecem de zarpar.
Têm medo do mar por estarem a envelhecer,
E as vagas nunca os separaram
A sua viagem terminou antes de começar. 

Conheço barcos tão amarrados
Que desaprenderam de se olhar.
Conheço barcos que ficam a marulhar
Para estarem realmente seguros de jamais se deixar. 

Conheço barcos que vão, aos pares,
Afrontar o temporal quando o furacão está sobre eles.
Conheço barcos que se arranham um pouco
Nas rotas oceânicas aonde os levam os seus manejos. 

Conheço barcos que regressam ao porto,
Todos amassados, mas mais dignos e mais fortes.
Conheço barcos estranhamente iguais
Quando partilharam anos e anos de sol. 

Conheço barcos que transbordam de amor
Quando navegaram até ao seu último dia,
Sem nunca recolher suas asas de gigantes
Porque têm o coração à medida do oceano. 

Autor desconhecido

2 comentários:

  1. Não conhecia este belo poema.
    Pena não se saber quem é o autor, pois quem escreve assim deve ter outros poemas igualmente belos.
    A foto está fantástica!

    Um beijo, João.

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