terça-feira, 19 de abril de 2011

1325 - Noite de tempestade

Confesso que adoro as noites de trovoada (sobretudo estas que têm um ar tropical)

Guardador De Margens
Rui Veloso
















Enquanto a cidade inteira vai digerindo o seu jantar
E todas as ruas e praças se lavam com essência de luar
Enquanto as estátuas famosas bebem brandies e aveledas
E as tílias se entreolham meigamente nas alamedas

Vou guardando as margens
Velando os lírios do jardim

Enquanto a meia-noite encerra mais uma sessão
E o senso-comum ressona tranquilo e pesado no colchão
Enquanto a cidade inteira lava os dentes e faz toilete
E os taxistas recolhem as sombras que restam da noite

Vou guardando as margens
Velando os lírios do jardim

Enquanto a luz do promontório ensina a costa ao barqueiro
E arde o rum forte no zimbório e traz lucidez ao faroleiro
Vou pondo malha sobre malha com o labor dum tapeceiro
Palavra, acorde, som, a talha e a devoção dum mestre-oleiro

Vou guardando as margens
Velando os lírios do jardim

Enquanto a cidade inteira vai feliz na sua faina
E o sol boceja na ladeira ao som do martelo e da plaina
Saúdo a bruma e o orvalho e a luz do dia madrugado
Guardo as cartas no baralho meu sono é enfim chegado

Vou guardando as margens
Velando os lírios do jardim

2 comentários:

  1. Também gostei da noite de ontem. Ver uma trovoada no mar é qualquer coisa de... diferente...

    Beijo, João.

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  2. No mar? Deve ter sido fantástico

    Por acaso é algo que guardo no meu imaginário...

    Tenho que vivenciar um dia numa praia

    Beijo

    João P.

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