sexta-feira, 30 de outubro de 2009

936 - já há muito que me apetecia isto...



Pois, Já há muito que me apetecia retomar as 6ª feiras à tarde... (e se eu preciso delas!)

Retomei hoje...
Não saí tão cedo como desejava pois ainda havia muito que fazer...
Não me apetecia grande coisa...

Apenas parar um pouco...

Peguei no meu Saramago (O ano da morte de Ricardo Reis) e fui para uma esplanada em Belém. Isso bastou-me por hoje.

Depois, foi seguir o pensamento

(Engraçado que já ontem o António Lobo Antunes - post 935 também falava que ele tinha vários eus, não é ele que escreve os livros, há um ALA que é médico, há um que é veternano de guerra, há o homem e há o sobrevivente...
Quem escreve?
não sou eu, foi um impostor... alguém que dita...)


Tenho Mais Almas que Uma

Vivem em nós inúmeros;
Se penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente.
Sou somente o lugar
Onde se sente ou pensa.

Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos.
Faço-os calar: eu falo.

Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam
A quem me sei: eu 'screvo.

Ricardo Reis, in "Odes"

---

(Também eu os tenho)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

935- António Lobo Antunes no jornal das 9

Ainda estou sem palavras e não consigo encontrar as que melhor exprimam a emoção de ter visto a entrevista do Mário Crespo ao António Lobo Antunes a propósito de “Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?”

Fabuloso!
Simplesmente fabuloso!

Aconteceu amor, poesia, emoção, verdade, encontro entre dois seres humanos... O Mário Crespo ficou sem palavras e eu também

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

934 - Completou-se um ciclo (psicológico)



Uns destes dias recebi um convite para falar hoje aos colegas da minha escola. Não pude(nem quis)recusar esse convite. Não costumo "cuspir" na sopa onde comi (excepto se for maltratado)
Foi ali que, há uns anos atrás, comecei uma nova etapa profissional e, se cheguei onde cheguei, a muitos devo. Fomos fazendo caminho e aprendendo uns com os outros.

Não, não desejo voltar mas também não se cumpriu (?) a sentença da canção "não voltes a um lugar onde foste feliz"

Fiz questão de dar o meu melhor a quem tanta estima tem por mim. Sempre que não for impecilho e sempre que me desejarem direi: "sabem que podem contar comigo" ; como dizia o outro "contem comigo para isto e para o resto". Tudo o mais são apenas detalhes.

"Vai olhar outra vez as rosas. Compreenderás que a tua é única no mundo. Voltarás para me dizer adeus e eu faço-te presente de um segredo.
O principezinho foi ver outra vez as rosas.
- Não são de modo nenhum parecidas com a minha rosa, ainda não são nada, disse-lhes ele. Ninguém vos cativou e vocês não cativaram ninguém. São como era a minha raposa. Era uma raposa parecida com cem mil outras. Mas fiz dela minha amiga e agora ela é única no mundo.
E as rosas ficaram muito incomodadas.
- São belas, mas vazias, disse-lhes ele ainda. Não se pode morrer por vocês. É certo que um vulgar viandante pensaria que ela se parece convosco. Mas por si é mais importante que vocês todas pois foi ela que eu reguei. Foi ela que eu coloquei sob uma redoma. Foi ela que eu abriguei com o guarda-vento. Foi a ela que matei as lagartas. Foi ela que eu ouvi queixar-se ou gabar-se, ou por vezes calar-se. Ela é a minha rosa.
E voltou para junto da raposa:
- Adeus, disse...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se pode ver bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
- O essencial é invisível aos olhos, repetiu o principezinho de modo a poder recordar-se.
- É o tempo que perdeste com a tua rosa que torna a tua rosa tão importante.
- É o tempo que eu perdi com a minha rosa... disse o principezinho para se recordar.
Os homens esqueceram esta verdade, disse a raposa, mas tu não deves esquecer-te. Tornaste-te para sempre responsável por aquilo que cativaste. Tu és responsável pela tua rosa...
- Sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, para se recordar
.”

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Também hoje senti a necessidade de enviar o poema do Alberto Caeiro a uma amiga que muito considero e que anda feita uma barata tonta sem tempo para gerir as 999 tarefas que tem em mãos. Lembrei-me do meu post 650 - Propósito para o novo ano II que publiquei a 2 de Janeiro. Concluí que me tenho mantido fiel ao norte!

Ah, malandro! já quase que cumpriste uma promessa de ano novo. Brilhante!

Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que ha para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.

(Alberto Caeiro)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

933 - relações humanas



Foi por isto que a minha relação afectiva com a anterior equipa do ME se quebrou. Não concebo que, no mínimo, não me vejam e não me ouçam...
Cf Manifestações de Novembro e Março


Creio que a maior dádiva que concebo receber de alguém
É ser vista
ser ouvida
ser compreendida
ser reconhecida.

A maior dádiva que posso oferecer
É ver
ouvir
compreender
e reconhecer outro ser humano

Quando isto acontece sinto que houve contacto entre nós.

Virgínia Satir

---
(Thank you teacher for seeing me!)

932 - Discurso de Obama aos alunos Americanos

Manifesto de obama para os alunos
O presidente falou aos alunos da América


Publicado em 09 de Setembro de 2009

Sei que para muitos de vocês hoje é o primeiro dia de aulas, e para os que entraram para o jardim infantil, para a escola primária ou secundária, é o primeiro dia numa nova escola, por isso é compreensível que estejam um pouco nervosos. Também deve haver alguns alunos mais velhos, contentes por saberem que já só lhes falta um ano. Mas, estejam em que ano estiverem, muitos devem ter pena por as férias de Verão terem acabado e já não poderem ficar até mais tarde na cama.

Também conheço essa sensação. Quando era miúdo, a minha família viveu alguns anos na Indonésia e a minha mãe não tinha dinheiro para me mandar para a escola onde andavam os outros miúdos americanos. Foi por isso que ela decidiu dar-me ela própria umas lições extras, segunda a sexta-feira, às 4h30 da manhã.

A ideia de me levantar àquela hora não me agradava por aí além. Adormeci muitas vezes sentado à mesa da cozinha. Mas quando eu me queixava a minha mãe respondia-me: "Olha que isto para mim também não é pêra doce, meu malandro..."

Tenho consciência de que alguns de vocês ainda estão a adaptar-se ao regresso às aulas, mas hoje estou aqui porque tenho um assunto importante a discutir convosco. Quero falar convosco da vossa educação e daquilo que se espera de vocês neste novo ano escolar.

Já fiz muitos discursos sobre educação, e falei muito de responsabilidade. Falei da responsabilidade dos vossos professores de vos motivarem, de vos fazerem ter vontade de aprender. Falei da responsabilidade dos vossos pais de vos manterem no bom caminho, de se assegurarem de que vocês fazem os trabalhos de casa e não passam o dia à frente da televisão ou a jogar com a Xbox. Falei da responsabilidade do vosso governo de estabelecer padrões elevados, de apoiar os professores e os directores das escolas e de melhorar as que não estão a funcionar bem e onde os alunos não têm as oportunidades que merecem.

No entanto, a verdade é que nem os professores e os pais mais dedicados, nem as melhores escolas do mundo são capazes do que quer que seja se vocês não assumirem as vossas responsabilidades. Se vocês não forem às aulas, não prestarem atenção a esses professores, aos vossos avós e aos outros adultos e não trabalharem duramente, como terão de fazer se quiserem ser bem sucedidos.

E hoje é nesse assunto que quero concentrar-me: na responsabilidade de cada um de vocês pela sua própria educação.

Todos vocês são bons em alguma coisa. Não há nenhum que não tenha alguma coisa a dar. E é a vocês que cabe descobrir do que se trata. É essa oportunidade que a educação vos proporciona.

Talvez tenham a capacidade de ser bons escritores - suficientemente bons para escreverem livros ou artigos para jornais -, mas se não fizerem o trabalho de Inglês podem nunca vir a sabê-lo. Talvez sejam pessoas inovadoras ou inventores - quem sabe capazes de criar o próximo iPhone ou um novo medicamento ou vacina -, mas se não fizerem o projecto de Ciências podem não vir a percebê-lo. Talvez possam vir a ser mayors ou senadores, ou juízes do Supremo Tribunal, mas se não participarem nos debates dos clubes da vossa escola podem nunca vir a sabê-lo.

No entanto, escolham o que escolherem fazer com a vossa vida, garanto-vos que não será possível a não ser que estudem. Querem ser médicos, professores ou polícias? Querem ser enfermeiros, arquitectos, advogados ou militares? Para qualquer dessas carreiras é preciso ter estudos. Não podem deixar a escola e esperar arranjar um bom emprego. Têm de trabalhar, estudar, aprender para isso.

E não é só para as vossas vidas e para o vosso futuro que isto é importante. O que vocês fizerem com os vossos estudos vai decidir nada mais nada menos que o futuro do nosso país. Aquilo que aprenderem na escola agora vai decidir se enquanto país estaremos à altura dos desafios do futuro.

Vão precisar dos conhecimentos e das competências que se aprendem e desenvolvem nas ciências e na matemática para curar doenças como o cancro e a sida e para desenvolver novas tecnologias energéticas que protejam o ambiente. Vão precisar da penetração e do sentido crítico que se desenvolvem na história e nas ciências sociais para que deixe de haver pobres e sem-abrigo, para combater o crime e a discriminação e para tornar o nosso país mais justo e mais livre. Vão precisar da criatividade e do engenho que se desenvolvem em todas as disciplinas para criar novas empresas que criem novos empregos e desenvolvam a economia.

Precisamos que todos vocês desenvolvam os vossos talentos, competências e intelectos para ajudarem a resolver os nossos problemas mais difíceis. Se não o fizerem - se abandonarem a escola -, não é só a vocês mesmos que estão a abandonar, é ao vosso país.

Eu sei que não é fácil ter bons resultados na escola. Tenho consciência de que muitos têm dificuldades na vossa vida que dificultam a tarefa de se concentrarem nos estudos. Percebo isso, e sei do que estou a falar. O meu pai deixou a nossa família quando eu tinha dois anos e eu fui criado só pela minha mãe, que teve muitas vezes dificuldade em pagar as contas e nem sempre nos conseguia dar as coisas que os outros miúdos tinham. Tive muitas vezes pena de não ter um pai na minha vida. Senti-me sozinho e tive a impressão que não me adaptava, e por isso nem sempre conseguia concentrar-me nos estudos como devia. E a minha vida podia muito bem ter dado para o torto.

Mas tive sorte. Tive muitas segundas oportunidades e consegui ir para a faculdade, estudar Direito e realizar os meus sonhos. A minha mulher, a nossa primeira-dama, Michelle Obama, tem uma história parecida com a minha. Nem o pai nem a mãe dela estudaram e não eram ricos. No entanto, trabalharam muito, e ela própria trabalhou muito para poder frequentar as melhores escolas do nosso país.

Alguns de vocês podem não ter tido estas oportunidades. Talvez não haja nas vossas vidas adultos capazes de vos dar o apoio de que precisam. Quem sabe se não há alguém desempregado e o dinheiro não chega. Pode ser que vivam num bairro pouco seguro ou os vossos amigos queiram levar-vos a fazer coisas que vocês sabem que não estão bem.

Apesar de tudo isso, as circunstâncias da vossa vida - o vosso aspecto, o sítio onde nasceram, o dinheiro que têm, os problemas da vossa família - não são desculpa para não fazerem os vossos trabalhos nem para se portarem mal. Não são desculpa para responderem mal aos vossos professores, para faltarem às aulas ou para desistirem de estudar. Não são desculpa para não estudarem.

A vossa vida actual não vai determinar forçosamente aquilo que vão ser no futuro. Ninguém escreve o vosso destino por vocês. Aqui, nos Estados Unidos, somos nós que decidimos o nosso destino. Somos nós que fazemos o nosso futuro.

E é isso que os jovens como vocês fazem todos os dias em todo o país. Jovens como Jazmin Perez, de Roma, no Texas. Quando a Jazmin foi para a escola não falava inglês. Na terra dela não havia praticamente ninguém que tivesse andado na faculdade, e o mesmo acontecia com os pais dela. No entanto, ela estudou muito, teve boas notas, ganhou uma bolsa de estudos para a Universidade de Brown, e actualmente está a estudar Saúde Pública.

Estou a pensar ainda em Andoni Schultz, de Los Altos, na Califórnia, que aos três anos descobriu que tinha um tumor cerebral. Teve de fazer imensos tratamentos e operações, uma delas que lhe afectou a memória, e por isso teve de estudar muito mais - centenas de horas a mais - que os outros. No entanto, nunca perdeu nenhum ano e agora entrou na faculdade.

E também há o caso da Shantell Steve, da minha cidade, Chicago, no Illinois. Embora tenha saltado de família adoptiva para família adoptiva nos bairros mais degradados, conseguiu arranjar emprego num centro de saúde, organizou um programa para afastar os jovens dos gangues e está prestes a acabar a escola secundária com notas excelentes e a entrar para a faculdade.

A Jazmin, o Andoni e a Shantell não são diferentes de vocês. Enfrentaram dificuldades como as vossas. Mas não desistiram. Decidiram assumir a responsabilidade pelos seus estudos e esforçaram-se por alcançar objectivos. E eu espero que vocês façam o mesmo.

É por isso que hoje me dirijo a cada um de vocês para que estabeleça os seus próprios objectivos para os seus estudos, e para que faça tudo o que for preciso para os alcançar. O vosso objectivo pode ser apenas fazer os trabalhos de casa, prestar atenção às aulas ou ler todos os dias algumas páginas de um livro. Também podem decidir participar numa actividade extracurricular, ou fazer trabalho voluntário na vossa comunidade. Talvez decidam defender miúdos que são vítimas de discriminação, por serem quem são ou pelo seu aspecto, por acreditarem, como eu acredito, que todas as crianças merecem um ambiente seguro em que possam estudar. Ou pode ser que decidam cuidar de vocês mesmos para aprenderem melhor. E é nesse sentido que espero que lavem muitas vezes as mãos e que não vão às aulas se estiverem doentes, para evitarmos que haja muitas pessoas a apanhar gripe neste Outono e neste Inverno.

Mas decidam o que decidirem gostava que se empenhassem. Que trabalhassem duramente. Eu sei que muitas vezes a televisão dá a impressão que podemos ser ricos e bem-sucedidos sem termos de trabalhar - que o vosso caminho para o sucesso passa pelo rap, pelo basquetebol ou por serem estrelas de reality shows -, mas a verdade é que isso é muito pouco provável. A verdade é que o sucesso é muito difícil. Não vão gostar de todas as disciplinas nem de todos os professores. Nem todos os trabalhos vão ser úteis para a vossa vida a curto prazo. E não vão forçosamente alcançar os vossos objectivos à primeira.

No entanto, isso pouco importa. Algumas das pessoas mais bem-sucedidas do mundo são as que sofreram mais fracassos. O primeiro livro do Harry Potter, de J. K. Rowling, foi rejeitado duas vezes antes de ser publicado. Michael Jordan foi expulso da equipa de basquetebol do liceu, perdeu centenas de jogos e falhou milhares de lançamentos ao longo da sua carreira. No entanto, uma vez disse: "Falhei muitas e muitas vezes na minha vida. E foi por isso que fui bem-sucedido."

Estas pessoas alcançaram os seus objectivos porque perceberam que não podemos deixar que os nossos fracassos nos definam - temos de permitir que eles nos ensinem as suas lições. Temos de deixar que nos mostrem o que devemos fazer de maneira diferente quando voltamos a tentar. Não é por nos metermos num sarilho que somos desordeiros. Isso só quer dizer que temos de fazer um esforço maior por nos comportarmos bem. Não é por termos uma má nota que somos estúpidos. Essa nota só quer dizer que temos de estudar mais.

Ninguém nasce bom em nada. Tornamo-nos bons graças ao nosso trabalho. Não entramos para a primeira equipa da universidade a primeira vez que praticamos um desporto. Não acertamos em todas as notas a primeira vez que cantamos uma canção. Temos de praticar. O mesmo acontece com o trabalho da escola. É possível que tenham de fazer um problema de Matemática várias vezes até acertarem, ou de ler muitas vezes um texto até o perceberem, ou de fazer um esquema várias vezes antes de poderem entregá-lo.

Não tenham medo de fazer perguntas. Não tenham medo de pedir ajuda quando precisarem. Eu todos os dias o faço. Pedir ajuda não é um sinal de fraqueza, é um sinal de força. Mostra que temos coragem de admitir que não sabemos e de aprender coisas novas. Procurem um adulto em quem confiem - um pai, um avô ou um professor ou treinador - e peçam-lhe que vos ajude.

E mesmo quando estiverem em dificuldades, mesmo quando se sentirem desencorajados e vos parecer que as outras pessoas vos abandonaram - nunca desistam de vocês mesmos. Quando desistirem de vocês mesmos é do vosso país que estão a desistir.

A história da América não é a história dos que desistiram quando as coisas se tornaram difíceis. É a das pessoas que continuaram, que insistiram, que se esforçaram mais, que amavam demasiado o seu país para não darem o seu melhor.

É a história dos estudantes que há 250 anos estavam onde vocês estão agora e fizeram uma revolução e fundaram este país. É a dos estudantes que estavam onde vocês estão há 75 anos e ultrapassaram uma depressão e ganharam uma guerra mundial, lutaram pelos direitos civis e puseram um homem na Lua. É a dos estudantes que estavam onde vocês estão há 20 anos e fundaram a Google, o Twitter e o Facebook e mudaram a maneira como comunicamos uns com os outros.

Por isso hoje quero perguntar-vos qual é o contributo que pretendem fazer. Quais são os problemas que tencionam resolver? Que descobertas pretendem fazer? Quando daqui a 20 ou a 50 ou a 100 anos um presidente vier aqui falar, que vai dizer que vocês fizeram pelo vosso país?

As vossas famílias, os vossos professores e eu estamos a fazer tudo o que podemos para assegurar que vocês têm a educação de que precisam para responder a estas perguntas. Estou a trabalhar duramente para equipar as vossas salas de aulas e pagar os vossos livros, o vosso equipamento e os computadores de que vocês precisam para estudar. E por isso espero que trabalhem a sério este ano, que se esforcem o mais possível em tudo o que fizerem. Espero grandes coisas de todos vocês. Não nos desapontem. Não desapontem as vossas famílias e o vosso país. Façam-nos sentir orgulho em vocês. Tenho a certeza que são capazes.

931 - Frágil, sinto-me frágil



1 - Sendo caso para dizer que nem acho que as imagens acrescentem muito à beleza da música...

2- Como diz o Jorge Palma: fragil, sinto-me frágil...
(é o que faz andar a ouvir Fausto a propósito dos três cantos...)

Todo este Céu

Abraça-me bem
e cobre o meu corpo
enfim
nesse agasalho
são os teus braços
sim
cuida de mim
basta-me um gesto
porém
abraça-me bem
bem no teu colo
chega-me mais a ti
um pouco mais
suavemente
assim
tudo por fim
são mágoas
que eu consolo
bem no teu colo

todo este céu
de pássaros e tons
muito assombrado
traz o teu ser
tão bom
todo este som
desce a nós
com um véu
todo este céu
lançado à terra
sobre restingas e ilhéus
mil sombras de asas
lembram a ausência
de um deus
num último adeus
pois só teu afago me espera
lançado à terra

e qualquer coisa acontece
no mais alto dos céus
qualquer coisa no fundo
do meu coração
mas não sei das trevas
nem da luz
pois sem ti não há
nem céu
nem chão
e se a noite já ronda
minha cruz
luz nas trevas
minha paixão

Fausto Bordalo Dias

---

Ao fim de 14 Anos de Escola, o meu mais velho utilizou os serviços de uma Biblioteca!
É caso para dizer: Parabéns! mas também é caso para reflectir um pouco sobre o sistema de ensino que permitiu isto.

domingo, 25 de outubro de 2009

930- que caminho tão longo (três cantos) II



Memórias de uma 6ª feira:

1 - Alinhamento do concerto - Três cantos

Do José Mário Branco:
1 - Inquitação
2 - Eu vi este povo a lutar (confederação)
3 - Ser solidário
4 - Onofre
5 - Canção dos torna viagem
6 - Mariazinha
7 - Mudam-se os tempos mudam-se as vontades
8 - Travessia do deserto
9 - Emigrantes de 4ª dimensão

Do Fausto:
10 - Foi por ela
11 - Rosalinda
12 - Como um sonho acordado
13 - Lembra-me um sonho lindo
14 - Quando às vezes ponho diante dos olhos
15 - ???
16 - ???
17 - ???


Do Sérgio Godinho:
18 - Cuidado com as imitações
19 - A barca dos amantes
20 - O primeiro dia
21 - A liberdade está a passar por aqui
22 - Que forma é essa?
23 - Quatro quadras soltas
24 - Era uma vez um rapaz
25 - ???

Comum:
26 - Charlatão

Inédito:
27 - Tem que ser...

Faltam-me aqui umas músicas. Quem me ajuda?

Já quanto ao alinhamento, consegui reconstruir:

23, 8, 11?, 9, 4, 23,... ... 11, 5, 6, 19, 18, 25, 20, 26, ... 22, 3, 1, 2, 7, 25 - Quem me ajuda?

---
2 - Ainda na 6ª, no metro, tive oportunidade de continuar a leitura de: "O ano da morte de Ricardo Reis" de José Saramago... ainda vou muito no início mas confesso que me está a encher as medidas... Aquela descrição da arrumaçãodas bagagens no quarto de Hotel em que se alinham os poemas do Ricardo Reis está cinco estrelas:

Vivem em nós inúmeros;
Se penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente.
Sou somente o lugar
Onde se sente ou pensa.

Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos.
Faço-os calar: eu falo.

Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam
A quem me sei: eu 'screvo.


Continua Saramago: "e, não acabando aqui, é como se acabasse, uma vez que para além de pensar e sentir não há mais nada. Se somente isto sou, pensa Ricardo Reis depois de ler, estará pensando agora o que eu penso, ou penso que estou pensando no lugar que sou de pensar, quem estará sentindo o que sinto, ou sinto que estou sentindo no lugar que sou de sentir, quem se serve de mim para sentir e pensar, e, de quantos inúmeros que em mim vivem, eu sou qual [...] Juntou os papéis, vinte anos dia sobre dia, folha após folha, guardou-os numa gaveta da pequena secretária, fechou as janelas..."

3 - Já fiz as pazes com ela...

Vem agora todas as tardes e, guardando as distâncias (como lhe convém a ela mas não a mim) por aqui se detém até ao entardecer, altura em que se some para dormir não sei onde...
É tão insegura e desconfiada... coisas da vida. Não é a única nem será a última decerto.

sábado, 24 de outubro de 2009

929 - que caminho tão longo (três cantos)







Estive lá! Porra, estive lá!

Claro que adorei

Claro que foram 2 horas intenssíssimas que me fizeram pensar que o tempo passa e já percorremos um caminho muito longo

Cada canção tem já uma história tão longa e tão cheia de recordações



Claro que me emocionei e até me vieram lágrimas ao olhos pois cada uma destas canções também já é minha e conta um bocado da minha história pessoal de tanto terem sido ouvidas

Claro que me soube a pouco, me soube a tanto



Gostei sobremaneira de ter ouvido no final os da minha casa dizerem que a "inquitação" era a minha canção. Ainda argumentei que o "só estou bem onde eu não estou" também dava só para não me dar por vencido mas, afinal, a minha gente já me conhece bem...



Foi lindo...

Foi inesquecível



Contai cim isto de mim para isto e para o resto...

A cantiga é, de facto, uma arma contra alguns charlatões, casimiros, xerifes que pensam que é tudo deles, e outros que tais e, sobretudo, contra a nossa acomodação.












Travessia do Deserto



Que caminho tão longo!

Que viagem tão comprida!

Que deserto tão grande grande

Sem fronteira nem medida!



Águas do pensamento

Vinde regar o sustento

Da minha vida



Este peso calado

Queima o sol por trás do monte

Queima o tempo parado

Queima o rio com a ponte



Águas dos meus cansaços

Semeai os meus passos

Como uma fonte



Ai que sede tão funda!

Ai que fome tão antiga!

Quantas noites se perdem

No amor de cada espiga!



Ventre calmo da terra

Leva-me na tua guerra

Se és minha amiga



José Mário Branco

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

928 - relações humanas



Conversava com a Teresa sobre o melhor de dois mundos. Lembrei-me disto:

Creio que a maior dádiva que concebo receber de alguém
É ser vista
ser ouvida
ser compreendida
ser reconhecida.

A maior dádiva que posso oferecer
É ver
ouvir
compreender
e reconhecer outro ser humano

Quando isto acontece sinto que houve contacto entre nós.

Virgínia Satir

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(Thank you teacher for seeing me!)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

927 - Mote: um dia de chuva...



Mozart, Piano Concerto No. 21, Andante ("Elvira Madigan")

1 - Hoje foi o primeiro dia de chuva. Com os engarrafamento tive de fazer teletrabalho. Abri a janela e deixei a chuva entrar. Inspirei, respirei, inspirei fundo... Deixei que o cheiro me invadisse... E o som senhores? a água a bater nos vidros...
Se há momentos de eternidade, serão estes.

O barulho do mar é belo mas envolve-me o cheiro e barulho da chuva.
E porque diabo teremos sempre que escolher um amor? Deixem-me ser bígamo e fazer amor com esta chuva tão bela

(recordo agora os anos em que saia para a rua só para levar os primeiros pingos...)

2 - As mãos do pianista...

Confesso que o decorrer dos anos me fizeram voltar para as mãos... Antes fixava-me noutros aspectos. Agora fascinam-me as mãos.
Talvez influência do Filme "O pianista" que as focava tão bem e tão sublimemente. Que envolvimento estas nos trazem ao fazer música quase por acaso tocando em cada tecla.
Dou tantas vezes por mim a olhar as mãos dos outros e imaginando...

E é mesmo como diz o poeta. Como serão as minhas mãos vistas pelos outros? gostava que fossem as de alguém que controí a liberdade (entendida como espaço de construção de si...)

As mãos
Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre

terça-feira, 20 de outubro de 2009

926 - Music was my first love



Confesso! a música é muito importante para mim. Ela acompanha-me ao longo de todo o dia e ao longo dos dias, meses e anos. Tenho músicas âncora e fetiches. No trabalho, preciso de música e se tenho tarefas importantes em mãos, então não posso passar sem música, seja ela com letra ou não. (até trabalho com poesia).

Por estes dias a música invade-me e permite-me suportar o ritmo...

Esta é uma das músicas que muito gosto! (de uma colectânia chamada "manhã Clara") que força é que ela me dá! E não se pense que é de saudades do passado ou de uma certo tempo que não volta mais. Saudades destas é do futuro!

---

Cheguei à conclusão que o mundo é muito injusto (e foi preciso chegar aos quarenta e muitos para isso...)
Então não é que a gata, passou os últimos dias a acompanhar a minha mulher (Salvaguardando as devidas distâncias de um metro) mas mantendo-se por aqui muito tempo e durante o fim de semana não apareceu?
Nem um minutinho!

Claro que hoje... Veio outra vez e por aqui se manteve um bom bocado... Acompanha os passos à distância mas acompanha

Já vai ver o que lhe faço. Se há coisa que sou é ciumento. da próxima fingirei que não a vejo e só espreitarei pelo olhito...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

925 - Alma Guerreira



Por agora têm sido dias e noites de grande trabalho. Mais uma vez a música é minha companhia

Por estes dias faz sentido...
---

À volta desta fogueira
todos saltam, todos dançam, todos gritam;

entrei na dança guerreira
e me enfeiticei...

Alma guerreira

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

924 - recebi um abraço



Recebi um abraço de "a casa de Maio"...
Obrigada:)

Com o abraço,... um desafio, este:

1 - Quem mais gostas de abraçar no presente?

Muito honestamente, aqueles que votaram como eu nas últimas eleições.


2 - Quem nunca abraçarias?

Duas ou três "víboras" com que me cruzei ao longo da vida... Se elas mordessem a língua...


3 - Quem davas tudo para poder abraçar?

Hum... Alguns amigos que não vejo à muito. Gosto de "olhos nos olhos" e para mim não sirva a máxima "longe da vista..."

Deixo um ABRAÇO a todos os amigos que o quiserem levar...

923 - Brumas do Futuro




(O que se ouve por aqui enquanto se faz mais um serão)

As Brumas Do Futuro



Sim, foi assim que a minha mão
surgiu de entre o silêncio obscuro
e com cuidado, guardou lugar
a flor da primavera e a tudo

Manha de Abril
e um gesto puro
coincidiu com a multidão
que tudo esperava e descobriu
que a razão de um povo inteiro
leva tempo a construir

Ficamos nós
só a pensar
se o gesto fora bem seguro

Ficamos nós
a hesitar
por entre as brumas do futuro

A outra acção prudente
que termo dava
a solidão da gente
que desesperava
na calada e fria noite
de uma terra inconsolável

Adormeci
com a sensação
que tínhamos mudado o mundo
na madrugada
a multidão
gritava os sonhos mais profundos

Mas além disso
um outro breve inicio
deixou palavras de ordem
nos muros da cidade
quebrando as leis do medo
foi mostrando os caminhos
e a cada um a voz
que a voz de cada era
a sua voz
a sua voz

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

921 - A verdadeira educação consiste em fazer falhar a educação que recebemos...
























A verdadeira educação consiste em fazer falhar a educação que recebemos...
Pois significará que pensamos pela nossa cabeça. Apenas isso! (não tem outro sentido)

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O ESCARAVELHO DAS ROSEIRAS

Era criança pequena quando me mostraram
que havia pessoas más e pessoas boas
e eu senti qeu se deveriam matar todas as pessoas más.

Era menino crescido quando me disseram
que havia homens bons e homens maus
e eu achei que se deveriam matar todos os homens maus.

Era já grande quando me explicaram que havia os prevertidos e os outros
e eu achei que se deveria matar todos os prevertidos.

Era já homem quando me ensinaram
que se deviam matar todos os descrentes, mas ...
Não cheguei a perceber de que descrentes se tratava.

Ouvi dizer mal dos brancos e dos pretos,dos vermelhos e dos amarelos,
dos sábios e dos ignorantes
dos inteligentes e dos estúpidos.

Por pouco não matei toda a gente para ficar só com: os bons, os sábios e os inteligentes!
Cansado de procurar a verdade, acabei por matar em mim o desejo de matar o medo de ser morto.

Espero que os homens se não matem uns aos outros
só por eu ter deixado de estar alerta e de vigia
aos maus, aos estúpidos, aos mentecapto e aos pervertidos.

Porque, entretanto, nesta Primavera florida, vou passando semanas inteiras a imaginar com prazer, como hei-de matar ao domingo, os piolhos e os escaravelhos das minhas roseiras.

SANTOS,João dos.Ensaios sobre a educação II, O falar das letras. Lisboa:Livros Horizonte,1991

terça-feira, 13 de outubro de 2009

920 - Nem sabia o tesouro que tinha em casa

Estava a organizar as fotos no meu PC e dou de caras com uma pasta a que tinha dado o nome: "flores do meu jardim"

Fiquei fascinado com a beleza do meu jardim em 2008

Ora vejam:




919 - Já estava com saudades



Sim, já estava com saudades de deixar o carro em casa e ir de transportes. Foi hoje.

(paradoxalmente sai-me mais caro! )

Saí cedinho e fui de transportes. Já há um mês que andava com um livro para trás e para a frente e nada... Hoje acabei-o.

Devia fazer isto mais vezes.

Deste modo, despachei para aí as últimas 70 folhas do livro "eu agora quero ir-me embora" que é a passagem a papel de um programa de rádio dos anos 80, da Comercial, no qual João dos Santos e João Sousa Monteiro convesavam sobre... A vida, acho eu...
Já o tinha lido há uns bons 15 anos atrás. Reli-o com gosto

Retive, como muito relevante e merecedora de uma maior reflexão, a passagem abaixo

(ah, e até deu para começar o Ano da Morte de Ricardo Reis de José Saramago)

---
"J.S.M. - E são justamente os sonhos, os sonhos acordados e os sonhos a dormir que é o que há de mais importante na vida interior de qualquer pessoa, é justamente isso que não tem o mínimo significado para a escola.
É pena que tudo quanto a professora desse menino encontrou para dizer acerca de ele andar sempre na lua foi que ele não tinha aproveitamento. Como se o aproveitamento pudesse interessar a alguém que está absorvido por coisas bem mais importantes, como era o caso desse menino. O único exame sério que esse menino tinha que fazer durante o seu ano escolar, durante o seu ano lectivo, era o tal sonho das «contas». E se a escola não serve para ajudar as crianças a passarem nesses «exames», que são os únicos exames importantes da vida, não serve para nada.
Esse menino passou nesse «exame», e pelos vistos bem, mas foi com a sua ajuda, não foi com a ajuda da escola. E felizmente que há uns meninos que conseguem, apesar de tudo, resistir às pressões da escola, e continuam a sonhar, continuam a procurar resolver os seus sonhos das «contas», mesmo que o aproveitamento seja uma miséria. Mas são poucos. A maioria, mais tarde ou mais cedo, acaba por ceder à febre do aproveitamento. E é por isso, entre outras razões, que há tantos doutores tão deprimidos. Passaram nos exames da escola, mas chumbaram nos «exames» da vida, o que é uma pena.
Lembro-me agora daquele físico... como é que ele se chama?... daquele físico que dirige um centro de investigação em Física das Partículas, associado àquele que é, creio eu, o maior acelerador de partículas do mundo... não me lembro... como é que ele se chama, um tipo com os cabelos todos brancos mas com uma cara engraçadíssima, de miúdo pequeno, um físico polaco, que dizia que as crianças é que põem as perguntas mais interessantes. É quando se pergunta: «Porque é que o ar é azul?», «como é que as aves voam?», «porque é que a lua não cai?»... «Mas os pais podem estar descansados», dizia ele, «porque logo que as crianças entram para a escola, ensinam-lhes a não fazerem perguntas, a deixarem-se disso, e quando elas aprendem a não perguntar, a sociedade faz delas bons polícias, bons advogados, bons comerciantes, bons cidadãos. Há no entanto alguns, poucos, muito poucos, que continuam a teimar em fazer perguntas.» «Esses, concluía o físico, são talvez os poetas.» E é verdade. É uma catástrofe, creio eu, que a escola seja quase sempre um enorme armazém de professores que há muito tempo deixaram de fazer perguntas. Ensinam os miúdos a dar respostas a perguntas que nunca fizeram, e essa é uma das melhores maneiras de fazer deles bons «polícias», em todo o sentido do termo, como dizia aquele físico. É pena, por exemplo, que essa professora nunca se tenha perguntado porque é que aquele miúdo andava sempre na lua. A escola não está lá para isso, já sei, mas é pena que não esteja."

Pag 129

917 - wish you were here



Cena familiar:

O meu mais novo, que descobre agora as músicas dos anos 60 e 70, pede-me discos dos Pink Floyd por causa "daquela" música...

(já há uns tempos me tinha pedido música dos Queen)

Intui que "aquela" música deveria ser o "another brick in the wall", mas dou-lhe também o "dark side..." e o "wish you were where"

Comentário dele perante o "wish you..."
"Eh pá, só cinco músicas... Devia ser do tempo em que as disquetes eram caras!"

Pois... do tempo das disquetes... Ui... já foi há tantos séculos...

Lembrei-me duma vez em que, na Biblioteca, disse a uma pequena, já não sei a propósito de quê, que quando eu nasci tinha acabado de ser inventada a roda.
Ela olhou para mim, num misto de incredibilidade e de me "medir" a ver se era possível... Talvez fosse...

Mal sabe ele que o disco é anterior ao tempo das disquetes (grandes de 5 e 1/4)

domingo, 11 de outubro de 2009

916 - Blackbird





Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise

Black bird singing in the dead of night
Take these sunken eyes and learn to see
all your life
you were only waiting for this moment to be free

Blackbird fly, Blackbird fly
Into the light of the dark black night.

Blackbird fly, Blackbird fly
Into the light of the dark black night.

Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise,
You were only waiting for this moment to arise,
You were only waiting for this moment to arise

Beatles

http://pt.wikipedia.org/wiki/Blackbird_(Beatles)

sábado, 10 de outubro de 2009

915 - É uma ela!




Na sequência do post 914

Afinal o melro é uma ela. Tem andado por aqui e não tem medo de nada. Pousa, dedica, saltita. Parece conviver bem connosco desde que seja à distância conveniente...


De perfil

De todas essas pedras, de todas,
uma só, onde passa o vento,
escolho para meu uso e alegria.

Eugénio de Andrade

---

Eu Tenho um Melro
Deolinda
Composição: Pedro da Silva Martins

Eu tenho um melro
que é um achado.
De dia dorme,
à noite come
e canta o fado.

E, lá no prédio,
ouvem cantar...
E já desconfiam
que escondo alguém
para não mostrar.

Eu tenho um melro,
lá no meu quarto.
Não anda à solta,
porque, se ele voa,
cai sobre os gatos.

Cortei-lhe as asas
para não voar.
E ele faz das penas
lindos poemas
para me embalar.

Melro, melrinho,
e se acaso alguém te agarrar,
diz que não andas sozinho
que és esperado no teu lar.

Melro, melrinho
e se, por acaso, alguém te prender,
não cantes mais o fadinho,
não me queiras ver sofrer.

E não voltes mais,
que estas janelas não as abro nunca mais.

Eu tenho um melro
que é um prodígio.
Não faz a barba,
não faz a cama,
descuida o ninho...

Mas canta o fado
como ninguém.
Até me gabo
que tenho um melro
que ninguém tem.

Eu tenho um melro...
(-Que é um homem!)
Não é um homem...
(-E quem há-de ser?!)
É das canoras aves
aquela que mais me quer.

(-Deve ser homem!)
Ah, pois que não!
(Então mulher…)
Há de lá ser!?
É só um melro
com quem dá gosto adormecer.

Melro, melrinho...[refrão]

E não voltes mais,
que a tua gaiola serve a outros animais.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

911 - É um pouco esquisofrénico eu sei...



Por estes dias vejo nublado à minha frente... Não são nada claras as opções futuras. Será que deveria apostar em algo diferente? Será que deveria deixar rolar e ver no que dá?

Parece-me perfeitamente estúpido deixar rolar, pois como diz a canção: "quem sabe faz a hora e não espera acontecer". Deverei seguir o conselho do pai? ou manter a lógica do filho que tudo quer e não o faz por menos?

"For you will still be here tomorrow, but your dreams may not."

Não sei... Por estes dias só vejo portas a fchar-se e não vejo que seja sensato sossegar. Etarei errado? Estarei a ser apenas impulsivo e sempre insatisfeito?
--
Sossega rapaz? Está tudo bem
Abre o leque de opções? Depois é tarde demais

Gostava tanto de ver claro e de ver cinco anos à frente
---

Father and son

Father
It's not time to make a change,
Just relax, take it easy.
You're still young, that's your fault,
There's so much you have to know.
Find a girl, settle down,
If you want you can marry.
Look at me, I am old, but I'm happy.

I was once like you are now, and I know that it's not easy,
To be calm when you've found something going on.
But take your time, think a lot,
Why, think of everything you've got.
For you will still be here tomorrow, but your dreams may not.

Son
How can I try to explain, when I do he turns away again.
It's always been the same, same old story.
From the moment I could talk I was ordered to listen.
Now there's a way and I know that I have to go away.
I know I have to go.

Father
It's not time to make a change,
Just sit down, take it slowly.
You're still young, that's your fault,
There's so much you have to go through.
Find a girl, settle down,
if you want you can marry.
Look at me, I am old, but I'm happy.
(Son-- Away Away Away, I know I have to
Make this decision alone - no)

Son
All the times that I cried, keeping all the things I knew inside,
It's hard, but it's harder to ignore it.
If they were right, I'd agree, but it's them They know not me.
Now there's a way and I know that I have to go away.
I know I have to go.

(Father-- Stay Stay Stay, Why must you go and
make this decision alone?)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

909 - Uma nova etapa ou o virar de uma página



Sinto que se fechou um ciclo:
- Houve eleições e algo mudou
- Concluí uma tarefa que me ocupava a mente desde há um ano a esta parte
- O Outono aproxima-se a passos largos e os dias ficam mais pequenos
- ...

Não! não estou em baixo e não estou desiludido. Sinto apenas que se fechou (completou) um ciclo. Não sei o que aí vem nem como vai ser. Sei bem que a vida continua muito para além das nossas vidas pessoais e pequenas histórias.

Sei apenas que votei em consciência e que no meu distrito se elegeu mais um deputado.
Sei apenas que este fim de semana tive uns dias preguiçosos e até aproveitei para ir à praia e tomar um banho (apesar do nevoeiro que caiu). Já não o fazia em Outubro desde há imensos anos.

Sinto que se fechou um ciclo. Não sei para onde vou mas sei que o que passou é passado.

P.S. 1
mas cabe perguntar: existe uma saída?
vem longe ainda a praia do futuro

P.S. 2
E sobretudo não me venham dizer que o passo atrás é um retrocesso!

A Noite
a)

Com que passo tremente se caminha
Em busca dos destinos encobertos!
Como se estão volvendo olhos incertos!
Como esta geração marcha sozinha!

Fechado, em volta, o céu! o mar, escuro!
A noite, longa! o dia, duvidoso!
Vai o giro dos céus bem vagaroso...
Vem longe ainda a praia do futuro...

b)
Em tudo que já fomos está o que seremos
No fundo desta noite tocam-se os extremos
E se soubermos ver nos sonhos o processo
Os passos para trás não são um retrocesso

A noite é um sinal de tudo quanto fomos
Dos medos, dos mistérios, das fadas e dos gnomos
Da ignorância pura e da ciência irmã
Em que, sendo passado, já somos amanhã

A noite é o espaço vago, o tempo sem história
Em que as perguntas nascem dentro da memória
Em tudo que já fomos está o que seremos
Mas cabe perguntar: Foi isto que quisemos?

Em tudo que já fomos está o que deixamos
No ventre das marés, nos portos que tocamos
O rumo desvendado, o preço da bagagem
É tudo quanto resta para seguir viagem

A noite é parideira da contradição
Que existe em cada sim que nos parece não
Olhando para nós, os grandes dissidentes
No meio da luta entre lemes e correntes

Será esta viagem feita pelo vento
Será feita por nós, amor e pensamento
O sonho é sempre sonho se nos enganamos
Mas cabe perguntar: Como é que aqui chegamos?

a)
Vem longe ainda a praia do futuro...

É a luta sem glória! é ser vencido
Por uma oculta, súbita fraqueza!
Um desalento, uma íntima trisreza
Que à morte leva... sem se ter vivido!

A estrada da vida anda alastrada
De folhas secas e mirradas flores...
Eu não vejo que os céus sejam maiores,
Mas a alma... essa é que eu vejo mais minguada!

b)

Em tudo que já fomos estão os nossos mortos
E os vivos que ficaram entram nos seus corpos
Na noite do amor, na noite do sinal
Naufrágio de fantasmas na pia baptismal

A noite é o impreciso e escuro purgatório
Que alinha as nossas almas no seu dormitório
A culpa dos heróis é serem sempre poucos
Acaso somos mais? ou tão-somente loucos?

Temos que descasar a culpa e o prazer
Naquilo que fizemos ou deixamos de fazer
Para reconstruir os corações cativos
Mas cabe perguntar:

c)
Mama, meu menino, o leite é como um rio

b)
Acaso estamos vivos?

a)
Eu não vejo que os céus sejam maiores!

Irmãos! Irmãos! amemo-nos! é a hora...
É de noite que os tristes se procuram,
E paz e união entre si juram...
Irmãos! Irmãos! amemo-nos agora!

Vós que ledes na noite... vós, profetas...
Que sois os loucos... porque andais na frente...
Que sabeis o segredo da fremente
Palavra que dá fé - ó vós, poetas!

b)
Em tudo que já fomos há um sonho antigo
Conversa universal de cada um consigo
São sombras e brinquedos, tudo misturado
E o vago sentimento de nascer culpado

c)
Mama, meu menino, o leite é como um rio

b)
Será um sonho absurdo este olhar para dentro
E o nosso destino, só, servir de exemplo
Andamos a fugir à frente desta vida
Mas cabe perguntar: Existe uma saída?

a)
Irmãos! Irmãos! amemo-nos agora!
É de noite que os tristes se procuram!

Sim! que é preciso caminhar avante!
Andar! passar por cima dos soluços!
Como quem numa mina vai de bruços,
Olhar apenas uma luz distante!

Irmãos! Irmãos! amemo-nos agora!
É de noite que os tristes se procuram!
Heis-de então ver, ao descerrar do escuro,
Bem como o cumprimento de um agouro,

Abrir-se, como grandes portas de ouro,
As imensas auroras do futuro!

c)
Mama, meu menino, o leite é como um rio
Que nunca pára de correr
O leite branco
É o remédio santo
Com que tu vais crescer
Entre as duas margens quentes e fecundas
Mama, meu menino, sem parar
Rio sem fundo
Que corre devagar

Mama o leite, meu passarinho,
Mata a sede sem temor
Este rio é o teu caminho
O cordão do meu amor

Mama, meu menino, mais um poucochinho
Que eu páro o tempo só p'ra ti
Seiva de vida
Com que fui enchida
Quando te concebi

Um pequeno esforço, mete-te ao caminho
Duas colinas mais além
Asas de estrume
P'ra te dar o lume
Oh meu supremo bem

Mama o leite, meu passarinho,
Mata a sede sem temor
Este rio é o teu caminho
O cordão do meu amor

a)
Irmãos! Irmãos! amemo-nos agora!
É de noite que os tristes se procuram!

José Mário Branco

domingo, 4 de outubro de 2009

906 - Gracias a la vida



In Memorian:

Gracias a la vida que me deu a possibilidade de ter convivido desde muito novo com a música de Mercedes Sosa e de a ter como acompanhante da minha história pessoal desde há muito.

Gracias a la vida que esta mulher se manteve firme na defesa dos seus ideais e que, com isso, deu esperança a muitos sem qualquer esperança

Gracias a la vida que Mercedes Sosa e a sua música existiram para chatear todos os prepotentes desde mundo

Bem hajas por teres sido quem foste!
Bem hajas pela tua energia

Gracias a la vida que nos deste

sábado, 3 de outubro de 2009

905 - Missão cumprida



Por estes dias andei envolvido num projecto internacional. Recebi cerca de 40 professores de toda a Europa e América na "minha" (nossa) casa.

Foi duro gerir sozinho toda a logística de um evento destes.

Não me queixo!

fi-lo por gosto! (também se fosse apenas trabalho nunca me meteria numa coisa destas!)

O pessoal ficou maravilhado com a nossa cultura, as nossas belezas naturais e o nosso profissionalismo.

Não pude deixar passar a ocasião para lhes passar alguns dos nossos maiores poetas (havia sempre ocasião para tal). Claro que as traduções, são sempre traições (e isso nota-se bem neste vídeo), claro que traduzir poesia é de loucos, claro que tentar passar a alma do poeta não faz sentido. O poeta é ele próprio e ninguém pode viver a sua vida, nem sentir o que ele sente.

No entanto...
Tenho a sensação de dever cumprido!

P.S. - O fantástico nestas coisas é perceber que as fronteiras são linhas desenhadas a régua e esquadiro em gabinetes e que as aves não as têm. Deixem-nos ser aves e voar

Poetas

Aí as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.

Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!

Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas

E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma para sentir
A dos poetas também!

Florbela Espanca