quarta-feira, 30 de setembro de 2009

904 - Não faço por menos

Bom, já que assim é e está escrito...

Programa de governo do partido socialista

Então

I want it all I want it all I want it all and I want it now
I want it all I want it all I want it all and I want it now

Ou será melhor aquela versão?

Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo
Calai-vos que pode o povo
Querer um mundo novo a sério

sábado, 26 de setembro de 2009

903 - Mas eu sempre fui assim!

Finalmente tenho um tempinho entre dois momentos de trabalho intenso pois aproxima-se uma semana cheia para olhar um pouco para trás

Comentando o post 898 - Ah bom! menos mal A Clotilde diz-me para deixar o rapaz ir atrás do sonho

Mais à frente a propósito do post 900 - Não, não quero carregar o mundo a Maria diz-me que: "Não aceleres já, João, qu'isto ainda agora começou..."

E os dois post acabam por estar ligados. Olhando para o rapaz, revejo-me em absoluto.
Sempre fui inquieto. Lembro-me bem de ter uns 14 / 15 anos e de a mãe de uma amiga da altura me dizer: " Voa alto, João!, não ligues à mediocridade"

Como isso me marcou!

Ora isso quer dizer que já voava nessa altura! foram os campeonatos de Xadrez, foram as aprendizagens com esse mundo de adultos que me fizeram crescer, foram os idos de 75/76/77 onde bebi tudo feito uma esponja...

Sempre fui inquieto e insaciável... Sei bem que isso é qualidade e defeito. A Maria escreve o que muitos já me disseram em ocasiões em que me acharam ver mais stressado e "atirado de cabeça para os cornos do touro"

Sei bem que dizer: "sempre fui assim, não posso mudar" pode ser alibi para não fazer o esforço de me temperar mas, custa tanto "ficar parado à espera de acontecer"

Foi por isso que decidi registar o diálogo com o meu rapaz a propósito da banda. Não é que me preocupe a banda! eu até acho e me queixo que os meus filhotes são uns "atados" comparando com o que eu já fazia na idade deles

(pausa para escrever que nem sei como reagiria se eles me pedissem para fazer o que fiz quando tinha a sua idade)

O que me faz pensar é como a história se repete
O que me faz pensar é as quedas que os rapazes terão que fazer
O que me faz pensar é as desilusões que terão que passar
O que me faz pensar é o nº de adultos que lhes irão cortar as asas
O que me faz pensar é o nº de adultos que lhes dirão aguenta aí
O que me faz pensar é que se calhar...

Sei lá o que me faz pensar...
Sei que, para mim, crescer e voar nem sempre foi fácil
O que será para eles? não posso voar por eles, nem posso beber o seu cálice.

Tenho que fazer como na canção:
"that's what friends are for"

Eu deixo-o ir atrás do sonho. Serei eu capaz de continuar a ir atrás dos meus? e será que estes valem a pena e fazem sentido?

(Ah, bom! afinal ainda não há baterista - Que pena...)

902 - Não, não esqueço!





















Ía dar ao post o título: "Que bem me faz agora o mal que (nos)me fizeste"

Mas o facto é que ainda não esqueçemos
Não estamos tão mais fortes que nos seja agora indiferente

Aprendemos muito. Isso sim. E isso agradeço!
Sei agora que faz sentido lutar por causas

A razão mesmo vencida não deixa de ser razão

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

901 - Quando faltam as palavras



Enfim...
Pois, parece um lugar comum...
E o que tem de extraordinário pequenos (enormes) gestos de amizade que tornam menos duro o viver quotidiano ou até os pequenos dramas quecada um vive?

Para outros, talvez nada... para os visados tudo! e também chorei ao saber que o e-mail que mandei com isto tinha calado fundo a quem dele precisava.
Claro que o mundo continuará a girar mas talvez alguém vá esta noite deitar-se um "niquito" mais leve. Valeu a pema pois

Não concebo o viver humano sem este olhos nos olhos e mãos nas mãos. Para o bem e para o mal.

And I never thought I'd feel this way
And as far as I'm concerned
I'm glad I got the chance to say
That I do believe I love you

And if I should ever go away
Well, then close your eyes and try to feel
The way we do today
And then if you can remember

Keep smilin', keep shinin'
Knowin' you can always count on me, for sure
That's what friends are for
For good times and bad times
I'll be on your side forever more
That's what friends are for

Well, you came and opened me
And now there's so much more I see
And so by the way I thank you

Whoa, and then for the times when we're apart
Well, then close your eyes and know
These words are comin' from my heart
And then if you can remember, oh

Keep smiling, keep shining
Knowing you can always count on me, for sure
That's what friends are for
In good times, in bad times
I'll be on your side forever more
Oh, that's what friends are for

Whoa... oh... oh... keep smilin', keep shinin'
Knowin' you can always count on me, for sure
That's what friends are for
For good times and bad times
I'll be on your side forever more
That's what friends are for

Keep smilin', keep shinin'
Knowin' you can always count on me, oh, for sure
'Cause I tell you that's what friends are for
For good times and for bad times
I'll be on your side forever more
That's what friends are for (That's what friends are for)

On me, for sure
That's what friends are for
Keep smilin', keep shinin'

900 - Não, não quero carregar o mundo



Não tenho a pretensão de ser um novo Atlas ou de imaginar que posso mudar ou carregar o mundo sozinho.
O facto é que ando numa azáfama tremenda que nem me dá tempo para escrever neste meu "díario". (como se antes não andasse também! enfim...)

Bom, o interessante é que um destes dias a esposa queixava-se que já estava estourada e que precisava de descansar. Rematou o diálogo com um: "pensas que eu tenho o teu ritmo de trabalho?"

Tomei a frase como um elogio!

No entanto, há que saber dosear o esforço. Num dos post abaixo escrevi sobre uma bela lição de vida.

Deitar cedo e cedo erguer
dásaúde e faz crescer...
Diz o gigante contente!

Mas cedo se deita e levanta
muita gente.

A razão para ser GIGANTE
deve ser bem diferente

Teresa Marques

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

899 - Poetas



À procura de milhentas coisas e desbravando milhentos papeis descubro isto.

Fiquei parado a lê-lo durante uns bons minutos:


Poetas

Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.

Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!

Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas

E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma para sentir
A dos poetas também!


Florbela Espanca

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

898 - Ah bom! menos mal



Contexto:
Cena familiar entre um pai, uma mãe e um filho de 14 anos

Acto 1:
A mãe: O rapaz já falou contigo?
O pai: ...
A mãe: É que o rapaz que usar a garagem para fazer uma banda!
O pai: Ah?!
A mãe: sim, uma banda... Vai pôr lá uma bateria e as violas. Esteve a falar comigo... Disse-lhe para falar contigo.

Acto 2:
O pai: então queres fazer uma banda?
O rapaz: Sim!
O pai: hum... e já tens o grupo?
O rapaz: quer dizer... somos só dois... Eu toco viola e o ... também. Falta arranjar alguém que toque bateria. Não conhecemos ninguém
O pai: Ah!

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E eis que o pai não morreu de susto e sobreviveu. Afinal o grupo são só dois que mal sabem tocar viola (o rapaz começou a aprender em Abril...)

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E pronto! cumpre-se a canção do Rui Veloso. Embora pessoalmente não guarde gratas recordações dos meus 14 anos. Ou melhor, de algumas vivências sim, das dúvidas e indecisões e da incerteza do futuro nadinha mesmo. não havia mesmo esterelas no céu e não me revejo na canção do "ai quem me dera ter outra vez vinte anos!"

Nao há estrelas no céu a dourar o meu caminho,
Por mais amigos que tenha sinto-me sempre sozinho.
De que vale ter a chave de casa para entrar,
Ter uma nota no bolso pr'a cigarros e bilhar?

A primavera da vida bonita de viver,
Tão depressa o sol brilha como a seguir está a chover.
Para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar,
Parece que o mundo inteiro se uniu pr'a me tramar!

Passo horas no café, sem saber para onde ir,
Tudo à volta é tão feio, só me apetece fugir.
Vejo-me à noite ao espelho, o corpo sempre a mudar,
De manhã ouço o conselho que o velho tem pr'a me dar.

Vou por ai às escondidas, a espreitar às janelas,
Perdido nas avenidas e achado nas vielas.
Mãe, o meu primeiro amor foi um trapézio sem rede,
Sai da frente por favor, estou entre a espada e a parede.

Não vês como isto duro, ser jovem não é um posto,
Ter de encarar o futuro com borbulhas no rosto.
Porque é que tudo é incerto, não pode ser sempre assim,
Se nao fosse o Rock and Roll, o que seria de mim?

Nao há estrelas no céu...

Carlos Tê

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

897 - Que porra de feitio



Os anos vão passando e já começo a conhecer a minha impressão digital. Esta identifica-me, seguramente, e dela não posso fugir.

Por vezes, minudências doem-me... só percebo isso algumas horas depois (embora já comece a ter crítica e a perceber o que me pôs assim)

Quem me observa de fora poderá pensar: "O quê?" foi isso ou foi aquilo que te pôs assim? Oh... que sacana de feitio...

E se for? pode-se apagar a impressão digital?

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Não quero com isto escrever que não faço esforço por melhorar dia após dia. Que diabo! vivo em sociedade... No entanto, quando o nosso coração é feito de uma matéria sensível o que se pode fazer?

O que se pode fazer quando um coração procura a verdade, a sinceridade, a gratuidade, o dom e encontra tanta vez o calculismo e verdade conveniente?

Não, não sou perfeito! não julgo os outros por uma bitola diferente da minha, mas... quero e exijo reciprocidade e doação. Não faço por menos! é pegar ou largar!

Graças a Deus (ou ao demónio) que em alguns ambientes em que me movo encontro redes sociais calorosas e em todos eles há um ou outro que posso considerar amigo e que me surpreende com a sua dádiva pessoal e a capacidade de caminhar com... De outra forma, não sei o que seria de mim

(Como diz o outro: "Com maneiras até sou bem mandado, mas se me querem levar de outra maneira...)


Amar,ou odiar : ou tudo,ou nada.
O meio termo é que não pode ser.
A alma tem que estar sobressaltada
Para o nosso barro se sentir viver...

Não é uma cruz a que não for pesada,
Metade de de um prazer não é um prazer;
E quem quiser a alma sossegada,
Fuja do mundo e deixe-se morrer!

Vive-se tanto mais quando se sente:
Todo o valor está no que sofremos.
Que nenhum homem seja indiferente!


Amemos muito como odiamos já:
A verdade está sempre nos extremos
Porque é no sentimento que ela está!

( Fausto Guedes Teixeira )
(1871-1940 )

domingo, 13 de setembro de 2009

895 - Arranque do ano lectivo




Ontem fui a uma escola do centro do país falar a um grupo de professores. Gostei! não é uma questão de correr bem ou mal mas apenas de achar extremamente importante e interessante que a escola se organize e arranje tempo e espaço para reflectir sobre as suas práticas...
Esta sessão foi num momento bem importante pois as aulas estão prestes a começar e as pessoas ainda estão com cabeça para reflectir sobre as suas práticas.

Deixei-lhes os parabéns por isso.

Foi uma manhã bem interessante de reflexão sobre os objectivos da escola e sobre o que deverá ser a escola do Século XXI... As pessoas costumam estar tão fechadas sobre si próprias e disciplinas que leccionam que levá-los a reflectir sobre a floresta (ao inves da árvore) acaba por ser muito importante!

Pena foi que quatro anos de diabolização dos professores lhes faça criar anti corpos quando se reflecte sobre alguns domínios da profissão docente... Criaram-se anti-corpos e reflexos pavlovianos. Isto vai durar anos a superar!

Penso que correu muito bem e que ficaram despertos para pensar nas aulas que dão de uma outra forma!

Terminámos a sessão com a leitura de um poema brilhante do Ary que transcreverei no fim do post

Entretanto almocei na praia de Mira. Soube a fim de férias.

Esta ida à escola fez-me lembrar os conselhos de turma que tive na minha escola. É impressionante a quantidade de casos problemáticos com miúdos que irão/frequentam a minha escola e que exigem reflexão e respostas adequadas.
Há imensos casos de filhos de separados( e digo já que não tenho absolutamente nada contra as separações quando acaba o amor - nada mesmo). A questão é a forma como os adultos que se separam tratam dos miúdos... Ou deixam de lhes falar, ou estes são usados como armas de arremesso, ou deixam de pagar as despesas aos filhos, ou os deseducam com mimos exageradíssimos ou são deixados para segundo plano perante o(s) novo(s) filho (s) do novo casal. Depois há os casos de miúdos em que ambos os progenitores ficaram desempregados, os filhos de emigrantes ilegais, os abandonados à nascença, os com dificuldades sérias de aprendizagem...

Não me estou a queixar ou a desejar ficar só com os bonitinhos e educadinhos...
Constato é que ensinar estes meninos exige que a escola se organize de forma diferente do tradicional.
Constato é que é urgente, antes de mais, cuidar da pessoa antes de pensar em ensinar qualquer coisa.
Constato é que o trabalho coerente e em equipa urge.
Constato é que são necessárias novas políticas

Nunca me queixei dos desafios! gosto de encontrar respostas novas a problemas novos. Tal como disse aos professores daquela escola, a sociedade mudou muitíssimo desde que a geração dos 40/50 começou a ensinar. Manter velhas rotinas e hábitos significa não entender que não se está a preparar os meninos para a sociedade em que eles irão viver. Também importa ter muito presente que a escola para inclusiva e para todos tem que se organizar de uma forma diferente da escola elitista de há 40 anos!

É só. Vamos ver como conseguiremos chegar a estes alunos provenientes destas novas famílias...



Estudar é muito importante, mas pode-se estudar de várias maneiras...
Muitas vezes estudar não é só aprender o que vem nos livros.

Estudar não é só ler nos livros que há nas escolas.
É também aprender a ser livres, sem ideias tolas.

Ler um livro é muito importante, às vezes, urgente.
Mas os livros não são o bastante para a gente ser gente.

É preciso aprender a escrever,
mas também a viver,
mas também a sonhar.
É preciso aprender a crescer,
aprender a estudar.

Aprender a crescer quer dizer:
aprender a estudar, a conhecer os outros,
a ajudar os outros, a viver com os outros.

E quem aprende a viver com os outros
aprende sempre a viver bem consigo próprio.

Não merecer um castigo é estudar.
Estar contente consigo é estudar.
Aprender a terra, aprender o trigo
e ter um amigo também é estudar.

Estudar também é repartir,
também é saber dar
o que a gente souber dividir
para multiplicar.

Estudar é escrever um ditado sem ninguém nos ditar;
e se um erro nos for apontado
é sabê-lo emendar.

É preciso, em vez de um tinteiro,
ter uma cabeça que saiba pensar,
pois, na escola da vida,
primeiro está saber estudar.

Contar todas as papoilas de um trigal
é a mais linda conta de somar
que se pode fazer.

Dizer apenas música,
quando se ouve um pássaro,
pode ser a mais bela redacção do mundo…

estudar é muito...
mas pensar é tudo!


J. C. Ary dos Santos

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

894 - Boas memórias que tive oportunidade de relembrar



Ontem (9.9.09)foi colocada no mercado toda a discografia dos Beatles.

Nem de propósito!

Como foi necessário ir às compras fez-se a tradicional volta pela FNAC para ver as novidades.
Lá estavam eles! todos os LP dos Beatles.
Foi oportunidade para conversar com os rapazes sobre o que foram os Beatles e sobre as capas dos seus álbuns pois que, até nisso, os Beatles foram inovadores.

Veja-se a capa do Abbey Road que ainda hoje marca a discografia (Pausa para explicar que o meu mais novo conhece capas como aquela e que tenho por aqui a capa do "A Idade da inocência" que também se inspirou na dos Beatles)
Veja-se a maravilha da capa do Sgt. Pepers com os monstros do cinema que os meus rapazes desconhecem(iam)
Veja-se a capa do white album tão fora de comum para a época e para o historial dos Beatles.

Claro que tive de sair da FNAC com um dos 3 CD que quero comprar apesar de os ter em vinil. Este mês foi o White Álbum.
Expliquei ao rapazes o que significou este álbum por revelar toda uma procura de novas sonoridades e por já se perceber tão bem os caminhos que o John e o Paul iriam trilhar a solo, ou ainda a introdução de novos instrumentos nas músicas. Simplesmente Fabuloso!
E mais feliz fiquei ao ouvir hoje os "disquitos". Há que séculos que não ouvia aquelas músicas e que memórias algumas me trouxeram.
Não queria voltar atrás mas que bem me faz agora tudo o que vivi! Tudo permanece tão actual: "Why don't we do it in the road?"

---

Hoje à hora de almoço...

A conversa com a Teresa sobre livros e leituras de férias foi preciosa e engraçada...
Palavra puxa palavra e pensamento puxa pensamento dei por mim a pensar no diário de Hélène Berr (que só viu a luz do dia em 2007) e os relatos que ela faz da humilhação de ter de pôr a "estrela" numa Paris ocupada. É impressionaste a reacção das pessoas: Umas vinham ter com ela e manifestavam-lhe toda a solidariedade quase pedindo desculpa por serem franceses, outros ignoravam-na, outros obrigavam-na a ir para a última carruagem do Metro, outros...

E a noção que ela descreve da profunda incompreensão que sentia noutras pessoas. Estas nunca iriam entender... NUNCA! Achavam tudo normal. Eram incapazes de ver num outro um Eu...

Associei isto com a notícia (pequenita) da Focus desta semana:
Alemanha reabilita Ex-militares que foram considerados “traidores” e condenados pela Justiça nazi

Mais de seis décadas após o fim da Segunda Guerra Mundial, os chamados “traidores de guerra” esperavam uma reabilitação por parte do governo alemão. Depois de longos debates, foi aprovada pelo Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão) uma lei que suspende a validade dos veredictos da Justiça militar expedidos durante o período nazi. Para os sobreviventes, trata-se de denominar, enfim, essas decisões como o que realmente foram: veredictos aleatórios e injustos.

Condenados durante o nazismo eram todos os que, de alguma forma, manifestassem dúvidas quanto à vitória das Forças Armadas alemãs na guerra. Os juízes militares da época condenaram mais de 30 mil pessoas à morte.

Como sinal de “desagregação da Wehrmacht” já era suficiente qualquer contacto com prisioneiros de guerra ou principalmente ajuda a judeus. Depois do fim da guerra, em 1945, as vítimas da Justiça nazi continuaram socialmente banidas, enquanto juízes coniventes com o nazismo continuaram exercendo suas profissões na então Alemanha Ocidental.

“Tratava-se de reconhecer a resistência e a desobediência de soldados simples, abolir seus antecedentes criminais e deixar claro que essas pessoas precisavam de reconhecimento. Pois elas agiram, como mostram pesquisas recentes, essencialmente guiadas por suas consciências.

Para Ludwig Baumann, a nova lei que reabilita as vítimas da Justiça nazi será a “concretização de um sonho”. O ex-soldado da Wehrmacht, desertor da Segunda Guerra, foi torturado e condenado à morte, tendo sido um entre os poucos sobreviventes entre os condenados.

Em 1990, ele fundou, ao lado de 36 outras pessoas, uma associação de vítimas da Justiça militar nazi. “E desde então luto também no Bundestag pela reabilitação, pela suspensão dos veredictos e pela reabilitação de nossa dignidade”, conta Baumann.

Ele já havia sido beneficiado em 2002 por uma lei que reabilitou os desertores. Os chamados “traidores de guerra”, no entanto, continuaram sendo juridicamente considerados criminosos.

A presidente da comunidade judaica de Berlim, Lala Süsskind, é uma das personalidades que defendem a suspensão oficial dos veredictos em relação a essas pessoas. Süsskind enviou uma carta oficial a todas as bancadas do Parlamento explicitando seu ponto de vista na questão.

Ostracismo e sofrimento

Tanto Korte quanto o parlamentar Wolfgang Wieland, do Partido Verde, lembram que tirar a validade dos veredictos da Justiça militar nazista representa romper o “último tabu” da justiça aleatória do regime de Hitler.

Korte salienta ainda o ostracismo em que viveram os que lutaram na resistência ao nazismo. “Os membros da resistência do 20 de Julho de 1944 foram considerados traidores, sujos e coisas parecidas, contra os quais queria-se lutar em prol de uma Wehrmacht limpa”, descreve Korte.

Mesmo diante de toda a satisfação em presenciar a reabilitação dos chamados “traidores de guerra”, o desertor Ludwig Baumann afirma que jamais esquecerá o passado, já que seu sofrimento se perpetua até hoje. “Isso foi para mim um horror tamanho, que me acompanha até hoje”, completa.

Fonte: DW-World.de

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

893 - E de súbito, surge a mudança








Hoje, como ontem e como antes de ontem...



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Boletim Meteorológico (por Mário Viegas)



Tempo. Hoje. Situação do tempo.

Em Portugal

continental

o céu

estava geralmente

muito nublado

o vento era fraco

ou moderado

e predominava a Oeste.

Caíam aguaceiros

em vários locais.



Temperaturas extremas:

- Monte Estoril

Máxima 16

- Penhas da Saúde

Máxima 6



Previsão geral até às 24 horas de amanhã:

- Aguaceiros

Alternando com abertas

possibilidade

de trovoada

vento fraco

ou moderado

predominando

de noroeste.



Amanhã o sol nasce às 8 e 25

O ocaso é às 19 e 17



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Mas de súbito...





E eis que há sempre possibilidade de um pequeno nada também mudar a ordem do estado de tempo interior de uma pasmaceira para outro estado...

892 - toda a gente passou horas em que andou desencontrado!

Posted by Picasa

Afinal faz sentido se olhado no seu conjunto?
Todos iguais, todos diferentes?
A união faz a força?
Ainda ainda, serei necessário?
Onde está o Wally?

Porra! deixem-me ir embora?

João P.
Set 09
---

Emboscadas
Sérgio Godinho


Foste como quem me armasse uma emboscada
ao sentir-me desatento
dando aquilo em que me dei
foste como quem me urdisse uma cilada
vi-me com tão pouca coisa
depois do que tanto amei

Resgatei o teu sorriso
quatro vezes foi preciso
por não precisares de mim
e depois, quando dormias
fiz de conta que fugias
e que eu não ficava assim
nesta dor em que me vejo
de nos ver quase no fim

Foste como quem lançasse as armadilhas
que se lançam aos amantes
quando amar foi coisa em vão
foste como quem vestisse as mascarilhas
dos embustes que se tramam
ao cair da escuridão

Resgatei o teu carinho
quatro vezes fiz o ninho
num beiral do teu jardim
e depois já em cuidado
vi no espelho do passado
a tua imagem de mim
e esta dor em que me vejo
de nos ver quase no fim

Foste como quem cumprisse uma vingança
que guardava às escuras
esperando a sua vez
foste como quem me desse uma bonança
fraquejando à tempestade
de tão frágil que se fez

Resgatei o teu ciúme
quatro vezes deitei lume
ao teu corpo de marfim
e depois, como uma espada
pousei na terra queimada
o meu ramo de alecrim
e esta dor em que me vejo
de nos ver quase no fim.

domingo, 6 de setembro de 2009

891 - Leituras de férias III

























Tinha relatado no post 873 - Leituras de férias as leituras que pretendia fazer...



Sem ordem de espécie alguma

- Mia Couto; Terra Sonâmbula;
- Jean Samuel; Chamava-lhe Pikolo (o testemuno de um dos companheiros de primo Levi - O tal de "Se isto é um homem");
- Virgílio; Eneida;
- Cervantes; Don Quijote de la Mancha (versão em Castelhano comprada na saída a Salamanca de Junho)
- Fernão Lopes; Crónicas;
-Kafka; O processo;
- José Saramago; O ano da morte de Ricardo Reis;
- João dos Santos; Eu agora quero ir-me embora (releitura)
- Carlos Ruiz Zafón; El juego del Ángel;
- Ondjaki; os da minha Rua (sugestão da Jacky);
- Étienne Gilson; A Filosofia na idade média;
- Roberto Musil; O homem sem qualidades I e II (oferta de Aniversário)
- Juan José Millás; Los objectos nos llaman (Oferta de aniversário)
- Pierro Bayard; Como falar dos livros que não lemos? (sugestão da Jacky);
- José Rodrigues dos Santos; A vida num sopro;
- Henri Tincq; Os génios do Cristianismo;
- José Saramago; a viagem do elefante;
- Carlos Amaral Dias e João Sousa Monteiro; Eu agora já posso imaginar que faço (releitura);
- Núria Barba e Xavier Salomó; Marco Polo (Juvenil);
- José Rodrigues dos Santos; Sétimo selo;
- Paul Ricoeur; O si-mesmo como um outro;
- A idade média (juvenil)

Sim... Fui muito ambicioso...

Destes todos só li 4 ou 5 sobretudo porque escolhi os mais "grossos" deixando os de leitura mais fácil para o tempo de trabalho e ainda acabei por comprar e ler mais 2 por serem citados nas obras que li.
- Primo Levi - Os que sucumbem e os que se salvam da Teorema
- Hélène Berr- Diário- D. Quixote

Interessa-me deixar para memória futura uma ou duas reflexões:

a) Li "O Homem sem Qualidades" de Musil. Gostei sobretudo de entender melhor a lógica do pensamento do povo alemão e austríaco que acabou por levar à barbárie do genocídio do povo Judeu. Obviamente que entender, não me leva a concordar com, mas como vivemos aqui num cantinho da Europa com décadas e décadas de atraso e com grande percentagem de analfabetismo nem se chegava a perceber as correntes filosóficas que circulavam na Alemanha nos Séculos XVIII, XIX e XX e que deram origem aos Idealismos, Marxismos e à aberração do Hitler!

Fico sempre surpreendido ao ler relatos de sobreviventes dos campos de concentração da 2ª guerra mundial. Não é que tenha um prazer sádico ao ler esses relatos. O que me impressiona é pensar:
- como foi possível chegar a tal desatino?
- como foi possível tal barbárie?
- como foi possível que a maioria da população nem desse por nada?
- Como foi possível que gente pensasse que as deportações só aconteciam aos "maus"?(faz-me lembrar igual lógica feita passar pela PIDE e Antigo regime sobre quem se opunha)
- como foi possível que a vida humana não valesse nada? Olhar "olhos nos olhos" e...
- com é possível que haja quem negue estes horrores? de facto a "coisa" foi tão bem feita que há hoje em dia quem ainda não acredite! o que teria que ter acontecido mais?
- como foi possível que gente não tenha fugido pensando que´só acontecia aos "outros" e era mau demais para ser verdade?

Tudo isto a propósito da leitura de
- Jean Samuel; Chamava-lhe Pikolo (o testemunho de um dos companheiros de primo Levi - O tal de "Se isto é um homem");

Cujas citações me levaram à leitura de:
- Primo Levi - Os que sucumbem e os que se salvam da Teorema
- Hélène Berr- Diário- D. Quixote

O díario de Hélène Berr é o diário de uma Jovem Judia em paris sob a ocupação Nazi cuja família decidiu ir ficando...

Impressionante! como é que tudo isto se foi repetindo? Impressionante saber o que vale a vida humana em situação de guerra! Impressionante!

Quantos sonhos desfeitos? Quantos mais teriam de morrer para que o nosso vizinho do lado acreditasse na barbárie sem lógica nenhuma!

Voltando ao princípio do raciocínio. Estas coisas não surgem do nada. Há uma mentalidade que se vai criando... depois um calar e um deixa andar... Pensar que Hitler foi eleito...

b) As conversas em família sobre as minhas leituras (também motivo para não ter conseguido ler mais)
Qualquer título de livro era motivo de "chacota" e ocasião para grandes conversas.
Confesso que de início me chateava com o assunto. Depois fui percebendo, mais uma vez mais, que estas "chacotas" eram apenas a forma manifesta de interesse pelas minhas leituras e fica a esperança que os meus filhotes se vejam a tornar leitores...
Ele foi "O homem sem qualidades" - Que lhes fui dizendo que era a minha biografia
Ele foi "os da minha rua" em que uns dos capítulos foi lido por eles numa esplanada com sotaque Angolano e cuja leitura prendeu a atenção de todos na mesa
Ele foi o livro do João Garcia "mais além do Evareste" que foi lido num fôlego numa manhã de praia e também deu que falar...

Enfim... Não é isto a leitura? a ocasião para levar a novos mundos e de diálogo com outros leitores?

O Zé já compra livros maiorzinhos - Agora anda na trilogia do Eclipse e dos ET... Menos mal pois também já devorou os Harry Poters

...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

885 - Memória de férias II

Posted by Picasa


Amanhã (hoje) retomo o trabalho...
O tal post sobre as férias não podia ser adiado mais. No fim de contas será preciso guardar os bons momentos na memória de modo a puder suportar os aus momentos que possam acontecer.

Confesso que iniciei o Agosto de rastos... Não conseguia parar e o "bad mood" era cada vez maior. Precisava mesmo de mudar de ares e ritmos.

As férias foram tempo de:

- retomar as relações familiares num clima de despreocupação e sem "stresses" porque é preciso fazer isto ou aquilo. Os primeiros dias não foram fáceis, depois... foram tempos fantásticos em que tudo fluia expontâneamente e serenamente. Foi bom ouvir e falar. Redescobrir que tenho gente fantástica (e boa) que vive a meu lado! Tempo para ouvir e sobretudo rir (afinal não me esqueci como é que se faz!)

- Quebrar todos as rotinas, horários e qualquer trabalho intelectual excepto ler. Não peguei numa folha de papel ou esferográfica (até alguns poemas que fiz, os esqueci por não os ter registado). Para o ano nem chegarei a levar papéis para organizar. Decididamente é pura perca de tempo. Nem abro a mala!

- Praia (muita), leitura (muita), noites de cinema (em casa graças ao DVD) e refeições, se as houve, foram as estritamente necessárias e sem horas marcadas.

- Ver e Ouvir: Deolinda (que noite!) Daniela Mercury (que noite!)

- Disfrutar do sol até ao tutano (entardecer)

- esquecer que há uma tutela que continua muito activa... Que se Lixe! não quero saber! nem tenho pachorra para os ouvir! (até me põe de mau humor)
Dia 27 darei a minha opinião muito sincera!

A recordar: "os da minha rua de Ondjaki" fez-me recordar os tempos da minha infância e de escola. O meu Avô (que tanto me ensinou e que, na altura, tão distante me parecia quando queria silêncio para ouvir o fado ou as notícias na Emissora); as leituas em voz alta na escola, uma infância despreocupada e tanta coisa mais (o galinheiro da minha tia e as obras que lá ía fazer a casa com o meu avô)

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Para que conste que as férias são mesmo necessárias. Desde que regressei já me aconteceu:

a) uma reunião para preparar um projecto internacional/curso a acontecer em Setembro/Outubro
b) bateram-me no carro duas vezes (no mesmo local do carro!!! - Tenho que ir à bruxa!)
c) ter que arrumar a grande dessarumação que as pinturas do início de agosto trouxeram a esta casa e não houve paciência de as fazer
d) tratar do jardim que tinha uma relva tão alta que mais parecia uma savana
e) ter uma lista de tarefas a fazer antes de começar a trabalhar tão grande que hoje nem deu para almoçar!

Ah, as férias!