terça-feira, 7 de julho de 2015

3 - (De amor) Para ti, meu Amor

Para ti
Meu amor
Levanto a voz
No silêncio
Desta solidão em que me encontro
Sei que gostas de ouvir
A minha voz
Feita de palavras ternas e doces
Que invento para ti
Nos momentos calmos
Em que estamos sós
Sei que me ouves
Agora…
- Uma vez mais -
Apesar da distância
E do silêncio.
O amor,
Querida,
Opera esse milagre,
Simples,
Como tudo o que é natural:
Ouvir;
Bem no fundo do coração
As palavras não ditas
Mas sentidas;
Advihar;
Bem ao nosso lado,
A presaença,
Insubstituível e certa
Do ausente
- Presença inconvertível
Em ausência,
Por maiores que sejam a distância
E o silêncio!

Mário Soares
Aljube
22 Fevereiro 1962

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