domingo, 22 de julho de 2012

1515 - tempo de balanço II

1- Tal foi o envolvimento nos desafios deste ano que o jardim ficou um pouco descurado... Se bem que no inverno ainda houve tempo para tratar das árvores de fruto, aplicando a calda bordalesa e tratando as ramagens, a primavera veio, o verão também e já a cerejeira deu os frutos, o pessegueiro também (e foram muitos os pêssegos) e a macieira está carregada (melhor do que o ano passado) mas confesso que nem dei pelo tempo passar.
O pessegueiro está agora com moléstia, a relva está seca (e não há dinheiro para comprar semente atrás de semente...). Será agora com as férias que haverá tempo para  falar com as plantas? desligar?...

2- a gata está quase a ter a ninhada. Ela dooooorme, ela alimenta-se, não se dá por ela, tal a calmaria. A natureza é mesmo prodigiosa e quem quer aprender um pouco mais sobre a natureza (e os humanos) deve ter tempo para observar. é tudo tão simples e natural. os ritmos biológicos, as agitações, ... tudo tem um sentido intrínseco (não, não concordo com o Álvaro de Campos - o sentido último das coisas é não ter sentido nenhum... Não! o sentido das coisas é diferente do que os humanos lhe dão. Isso é verdade! mas há um sentido próprio no que à natureza  diz respeito)

3- O absurdo!
Uma destas noites cai na asneira de tomar sentido ao que dizia na televisão Pedro Ferraz da Costa! Fiquei abismado e profundamente chocado. A sua tese é que os portugueses deviam, pura e simplesmente, regredir. Voltar aos campos e à pobreza... Qual rendimento mínimo! é dar trabalho de sol a sol para esses bandidos que vivem à sombra do rendimento!
Assim, sem mais... E o que disse foi consciente mesmo! mudei de canal mas lembrei-me de uma música do Zé Mário: "canção dos despedidos"

Há quem viva bem do nosso mal-viver
Nós somos lixo
Somos só lixo
Já não há gente, há só lixo
Dispensável, descartável, reciclável
E agora parem um minuto p’ra pensar
Há que humanizar a humanidade, e não só

O mundo é de quem manda
E o resto é propaganda
Tudo é publicidade
Mas a liberdade
É escolher entre ser ou estar

Tens a boca cheia de palavras lindas
P’ra ti sou lixo
Somos só lixo
Nós não somos gente, somos lixo
Dispensável, descartável, reciclável
Mas vou parar mais um minuto p’ra pensar

Vamos a casa
Ao fim do dia
Só p’ra regenerar a mais-valia
Ganhar forças, fazer filhos
Cada um no seu caixote
E amanhã tomar o bote
Para o paraíso dos cadilhos
Quem é o lixo


Também a este nível está a decisão do governo em permitir a dedução fiscal de 250 Euros por família na apresentação, em sede de IRS, de faturas de restaurantes, reparações automóveis, cabeleireiros, hotéis...

Só é pena é que para se ter estes "benditos" 250 Euros se tenha de gastar cerca de 20.000 euros ao longo do ano nestes serviços...
Dá uma média de 1800 Euros por mês!
Que vergonha! quem é que a administração fiscal pensa que somos? uns tolos que nada percebem e que nos fazem passar por parvos? ou será isto uma fiscalidade para os ricos melhor viverem? cortam nas deduções na saúde, educação e oferecem-nos isto?

Haja decoro!!!

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