sábado, 21 de julho de 2012

1514 - tempo de balanço I

Este foi um ano fora do comum relativamente ao que se passou em anos recentes... Saliento os novos desafios que encontrei e que me desfocaram sobre o que não acontecia para o que acontece e está nas minhas mãos...

Muito me marcaram os gestos de carinho que amiúde fui recebendo:
deste e daquele
a propósito
disto ou daquilo,
de pequenas ou grandes vitórias,
de trabalhos em conjunto que fomos vencendo...
Foi bom, foi muito bom perceber que estávamos certos e que não perdemos o dom da simplicidade, da dádiva e da autenticidade.
Foram tão bons pequenos gestos:
a oferta de um doce,
de um queijo,
de um obrigado,
de um estou aqui!
confesso que souberam bem...

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Não posso deixar de referir o sucesso da tese! correu tudo muito bem e foi um momento muito forte neste ano. Não é que tenha dado muiiito trabalho! Deu algum, precisei de ritmo... mas aquela ideia de noitadas, fins de semana fechado em casa não correspondeu à realidade. O giro é que estava tão focado nela e na vontade de fazer um bom trabalho para marcar a minha posição que até me esqueci que "aquilo" tinha nota! Fiquei completamente desasado / confuso até quando o júri me mandou entrar de novo! Que bom! Que bom!
 
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Não posso deixar de achar graça ao facto de os meus filhos me conhecerem tão bem... Chegado hoje a casa com uma neura devida a atitudes que considero perfeitamente idiotas da parte de alguém, ponho os meus Doors em volume adequado (nem se podem ouvir os Doors sem assim ser não é?) e acabo uma das minhas últimas tarefas que me faltam para me sentir completamente em férias...
Comentário do meu rapaz para a mãe: "O que é que aconteceu hoje ao pai?" viu X?

O engraçado é que nunca partilhei com ninguém o significado que dou aos Doors, mas uso-os, de facto, em momentos em que quero fazer ruturas!  uns (e umas) cortam o cabelo ou vão às compras... Eu ouço-os em altos berros! Yeah!!!

(continua...)
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Sons Inaudíveis

Um rei mandou seu filho estudar no templo de um grande Mestre, com o objetivo de prepará-lo para ser uma grande pessoa. Quando o príncipe chegou ao templo, o Mestre o mandou sozinho para uma floresta. Ele deveria voltar um ano depois, com a tarefa de descrever todos os sons da floresta. Quando o príncipe retornou ao templo, após um ano, o Mestre lhe pediu para descrever todos os sons que conseguira ouvir. Então disse o príncipe:
- Mestre, pude ouvir o canto dos pássaros, o barulho das folhas, o alvoroço dos beija-flores, a brisa batendo na grama, o zumbido das abelhas, o barulho do vento cortando os céus...
E ao terminar o seu relato, o Mestre pediu que o príncipe retornasse à floresta, para ouvir tudo o mais que fosse possível. Apesar de intrigado, o príncipe obedeceu a ordem do Mestre, pensando:
- Não entendo, eu já distingui todos os sons da floresta...
Por dias e noites ficou sozinho ouvindo, ouvindo, ouvindo... mas não conseguiu distinguir nada de novo além daquilo que havia dito ao Mestre. Porém, certa manhã, começou a distinguir sons vagos, diferentes de tudo o que ouvira antes. E quanto mais prestava atenção, mais claros os sons se tornavam. Uma sensação de encantamento tomou conta do rapaz. Pensou:
- Esses devem ser os sons que o Mestre queria que eu ouvisse...
E sem pressa, ficou ali ouvindo e ouvindo, pacientemente. Queria Ter certeza de que estava no caminho certo. Quando retornou ao templo, o Mestre lhe perguntou o que mais conseguira ouvir.
Paciente e respeitosamente o príncipe disse:
- Mestre, quando prestei atenção pude ouvir o inaudível som das flores se abrindo, o som do sol nascendo e aquecendo a terra e da grama bebendo o orvalho da noite...
O Mestre sorrindo, acenou com a cabeça em sinal de aprovação, e disse:
- Ouvir o inaudível é ter a calma necessária para se tornar uma grande pessoa. Apenas quando se aprende a ouvir o coração das pessoas, seus sentimentos mudos, seus medos não confessados e suas queixas silenciosas, uma pessoa pode inspirar confiança ao seu redor; entender o que está errado e atender às reais necessidades de cada um."

2 comentários:

  1. Olá João!
    É bom os filhos conhecerem assim os pais!
    Gostei de te ler, depois de uns tempos arredada daqui...

    Um beijo

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  2. Olá Maria!

    Eu também tenho estado arredado! há alturas em que mudamos a orientação da nossa vida e precisamos de desligar de certa postura que nos amarra!

    Voltei!

    Beijo

    João P.

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