quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

1243 - Leituras recentes


Recentemente acabei de ler estas dois livros de Helena Marques. Retratam um universo muito feminino. confesso que gostei mais de ler o Último Cais pela força das personagens femininas e por relatar a vida na madeira no séc XIX. O segundo (continuação do primeiro) é mais uma história de amor que imagino que seja mais ou menos comum na literatura destinada ao público feminino (preconceito meu, claro está). Como o romance se passa em Malta onde estive à pouco tempo, a leitura interessou-me de um modo particular...

Sinopses retiradas daqui

O ÚLTIMO CAIS






Em 1992, Helena Marques publica seu primeiro romance: O último cais. Ganha os prêmios: Prêmio Revista Ler/ Círculo dos Leitores; Grande Prêmio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (1992); Prêmio Máxima-Revelação, Prêmio Bordallo de Literatura da Casa da Imprensa, e Prêmio Procópio de Literatura (1992)
Este romance relata a saga do família Vella ou Villa, em Funchal, no século XIX. Mostra o isolamento e confinamento dos habitantes de uma ilha. A notícia só chega com o próximo navio para aqueles que não podem deixar a ilha.
As mulheres são as personagens centrais. Raquel é a protagonista. É feliz no casamento e tem uma perspectiva positiva da vida. As outras mulheres são personagens que interagem com Raquel e sua família:Constança, a tia de Raquel, é infeliz e solitária;Catarina Isabel é a mulher profissional daquela época;Violante é a boa esposa, que perdeu o interesse pelo sexo ao não ter filhos;Benedita é a filha conservadora de Raquel; Charlotte é a estrangeira, que tenta convencer as mulheres a votar;
Clara é a outra filha de Raquel, cândida e harmoniosa.
Luciana é a mulher livre, que antecipa o século XX.
Cada mulher representa um tipo de mulher portuguesa daquela época.
O último cais começa com o diário de bordo, de 4 de setembro de 1879.

O romance termina em 1904.

A DEUSA SENTADA



Em 1994, Marques publica A deusa sentada. Esta obra é a continuação da anterior. Em O último cais, Raquel dá à luz Clara. Em A deusa sentada, Clara é a avó de Laura A autora continua o tema da busca da identidade da feminina e do retorno às raízes. Como é esta mulher do século XX?

As personagens principais são Laura e Matilde, duas mulheres independentes e profissionais. Laura e Matilde estão unidas por um profundo elo afetivo Ambas são mulheres maduras, que revêem a condição feminina na meia-idade. Pode-se amar ansiar pelo amor mesmo com mais idade.

Laura é casada com Lourenço, que não aparece na obra. Ela é dona de uma livraria. Matilde é descasada. Matilde fora casada com Artur, vítima da guerra e um desadaptado social É tradutora de livros e faz traduções simultâneas.

Trata-se de um romance “detetivesco”: achar o paradeiro de André Villa (ou Vella), em Malta. “Detetive de factos contemporâneos, investigador de papéis antigos, qual é a diferença? Apenas uma questão de presente e passado - ou não será?”

Por que Malta? “Porque Malta fôra terra de incessante migração, em que poderia servi-las?” Porque Malta tem a pequenez e a fragilidade aparente das mulheres. A capital de Malta, onde se desenrola o romance, é La Valletta, nome de um dos grão-mestres; capital com uma história antiga. De lá, muitos emigraram para o Funchal. Marques faz uma revisão histórica, sobretudo porque a de Malta costuma passar despercebida.

A História, ou melhor, o passado é fundamental para Laura: “Pessoalmente, tenho de confessar-me muito mais seduzida pelo passado, afinal é ele que me justifica, é nele que me reencontro e entendo, é apoiada nele que me projecto no futuro”. Na História estão as raízes.

Laura e Matilde encontram suas raízes nesta viagem a Malta, numa figura simbólica feminina:

no templo de Hagar Qim, [que] é a de uma mulher sentada, pés e mãos minúsculos, reduzidos a uma mera sugestão, toda a força emana dos poderosos troncos e coxas, os joelhos estão dobrados lateralmente e repousam no chão afastados um do outro, o pé esquerdo aflorando a perna direita, numa posição cheia de placidez a que só a linha dos ombros bem erguidos imprime altivez e dignidade.

“Malta é como a pequena Deusa Sentada, Malta é a própria Deusa Sentada”. A mulher portuguesa é esta deusa sentada, “ensinando o seu povo a resistir e a preservar os valores tradicionais e também lucidamente, a distinguir e a assimilar os valores que os outros iam deixando”.

Esta Deusa Sentada é a Mulher, mulher universal. É uma mulher-deusa: “ilha-mãe acolhedora, sedutora, misteriosa, terna e eterna.

Biografia

1935: A 17 de Maio nasce Helena Marques em Carcavelos, Portugal. Aos três meses é levada pelos pais para Funchal, onde cresce e completa seus estudos. - 1957: Ingressa no jornal Diário de Notícias em Funchal. - 1958: Casa-se com Rui Camacho. - 1971: Muda-se para Lisboa. - 1978: Começa a trabalhar no Diário de Notícias de Lisboa. - 1986: Recebe o prêmio de Jornalista do Ano. - 1992: Aposenta-se do Diário de Notícias. - 1992: Publica o romance O último cais. -1992: Ganha os seguintes prêmios: Prêmio Revista Ler/Círculo dos Leitores; Grande Prêmio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores; Prêmio Máxima-Revelação, Prêmio Bordallo de Literatura da Casa da Imprensa, e Prêmio Procópio de Literatura. - 1994: Publica A deusa sentada. - 1998: Publica Terceiras pessoas. - 2002: Publica Os íbis vermelhos de Guiana.

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