domingo, 14 de outubro de 2012

1539 - Presente e futuro

 

 

 

 

 

Soneto presente

Não me digam mais nada senão morro
aqui neste lugar dentro de mim
a terra de onde venho é onde moro
o lugar de que sou é estar aqui.

Não me digam mais nada senão falo
e eu não posso dizer eu estou de pé.
De pé como um poeta ou um cavalo
de pé como quem deve estar quem é.

Aqui ninguém me diz quando me vendo
a não ser os que eu amo os que eu entendo
os que podem ser tanto como eu.

Aqui ninguém me põe a pata em cima
porque é de baixo que me vem acima
a força do lugar que for o meu.

José Carlos Ary dos Santos

1 comentário:

  1. Ouvi o Ary declamar isto no Coliseu, em Março de 74.
    Ao primeiro verso houve gente que pateou, mas o portento que era a voz dele repetiu-o e a partir daí fez-se silêncio.
    No final o Ary tinha o Coliseu de pé a aplaudi-lo. Era Março de 74. E foi quando se cantou a Grândola com o Zeca, o pessoal a 'balançar' como no cante alentejano...
    Que memória boa!

    Beijinho, João

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