terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

1459 - Sem dar por isso...

Sem dar por isso estamos quase, quase na Primavera.
A Amendoeira que substituiu o damasqueiro que se partiu há dois anos durante uma ventania, está quase em flor!
Felizmente que a natureza mantém os ciclos e nos chama a atenção para o tempo que perdemos desnecessariamente e para o tempo que deveríamos gastar em usufruir o que ela própria nos dá.

Talvez fosse mesmo bom "perder" cinco minutinhos por dia para respirar...













Se Depois de Eu Morrer, Quiserem Escrever a Minha Biografia  

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples
Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.

Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as cousas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as cousas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.

Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o único poeta da Natureza.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

2 comentários:

  1. Quem dera que a primavera estivesse já aí.
    Por cá os pássaros já se fazem ouvir, mas creio que vem ainda muita chuva, necessária, antes da primavera.
    Obrigada pela partilha do poema!

    Beijo, João.

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  2. Olá Maria:

    Também sinto e muito a falta de chuva!

    Da janela do meu escritório tenho a felicidade de ver a passarada a cantar e a fazer pela vida. perco-me...

    beijo

    João

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