quarta-feira, 26 de outubro de 2011

1417 - Sem tempo para nada

Este mês de Outubro tem sido violentíssimo. Não é por causa de mim que o país está em crise. A trabalhar das 8h à 1h da manhã e a ganhar menos... não se queixem!!

Não tenho mesmo tempo para nada... ou melhor, minto! ontem, à hora de almoço em Setúbal, tirei 20 minutos para
subir ao miradouro para me deliciar com as fachadas, as ruas, as formas e lembrar-me de outros tempos e outros passeios.

Da conferência em que participei guardo este poema dito de uma forma sublime pela actriz Cristina Paiva da Associação Andante




Coisas que não há que há

Uma coisa que me põe triste
é que não exista o que não existe.
(Se é que não existe, e isto é que existe!)
Há tantas coisas bonitas que não há:
coisas que não há, gente que não há,
bichos que já houve e já não há,
livros por ler, coisas por ver,
feitos desfeitos, outros feitos por fazer,
pessoas tão boas ainda por nascer
e outras que morreram há tanto tempo!
Tantas lembranças de que não me lembro,
sítios que não sei, invenções que não invento,
gente de vidro e de vento, países por achar,
paisagens, plantas, jardins de ar,
tudo o que eu nem posso imaginar
porque se o imaginasse já existia
embora num sítio onde só eu ia...

Manuel António Pina

2 comentários:

  1. Daqui a uns tempos vais ter tempo para (quase) tudo. Até estranhas...
    Falo da aposentação, é claro.
    Obrigada por este poema de MA Pina.

    Beijinho, João.

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  2. Ainda demora Maria!

    Ainda demora

    beijo

    João P.

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