sexta-feira, 28 de setembro de 2007

262- Elegia para uma gaivota






Parece impossível que só ao fim de mais de um ano é que o meu querido Sebastião da Gama entre neste "diário". Logo ele que tem sido o meu companheiro sempre presente ao longo de tantos e tantos anos.
Terei de voltar a estes assunto um destes dias...

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

261 - E não é que passei a gostar?







Confesso que este poema nunca me disse muito, talvez por ter sido musicado com um ritmo que não lhe empresta a urgência das palavras, talvez por nunca o ter lido com a atenção devida, talvez por não ter o estado de espírito adequado quando o leio.
Na sequência do post anterior, acho-o, por estes dias, lindo.

Não posso adiar o amor para outro século)

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio
não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
não posso adiar o coração
antónio ramos rosa

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

260 - A vida num só dia















Hoje foi mais um daqueles dias em que há mil coisas para fazer e é um stress conseguir chegar ao fim com todos os inadiáveis resolvidos...
Confesso que olho para estes dias com um misto de amor/ódio, pois se me vou stressando com o ritmo dos acontecimentos, confesso que odiaria não ter nada que fazer...


Acto de Contrição

Pelo que não fiz, perdão!
Pelo tempo que vi, parado,
correr chamando por mim,
pelos enganos que talvez
poupando me empobreceram,
pelas esperanças que não tive
e os sonhos que somente
sonhando julguei viver,
pelos olhares amortalhados
na cinza de sóis que apaguei
com riscos de quem já sabe,
por todos os desvarios
que nem cheguei a conceber,
pelos risos, pelas lágrimas,
pelos beijos e mais coisas,
que sem dó de mim malogrei


— por tudo, vida, perdão!

Adolfo Casais Monteiro

sábado, 22 de setembro de 2007

259 - bibliotecas escolares (poemarma)

A propósito de umas "conversas" sobre a função da Biblioteca e da necessidade de pôr os meninos a pensar e a questionar, lembrei-me do poema...














Poemarma

Que o poema tenha rodas motores alavancas
que seja máquina espectáculo cinema.
Que diga à estátua: sai do caminho que atravancas.
Que seja um autocarro em forma de poema.

Que o poema cante no cimo das chaminés
que se levante e faça o pino em cada praça
que diga quem eu sou e quem tu és
que não seja só mais um que passa.

Que o poema esprema a gema do seu tema
e seja apenas um teorema com dois braços.
Que o poema invente um novo estratagema
para escapar a quem lhe segue os passos.

Que o poema corra salte pule
que seja pulga e faça cócegas ao burguês
que o poema se vista subversivo de ganga azul
e vá explicar numa parede alguns porquês

Que o poema se meta nos anúncios das cidades
que seja seta sinalização radar
que o poema cante em todas as idades
(que lindo!) no presente e no futuro o verbo amar.

Que o poema seja microfone e fale
uma noite destas de repente às três e tal
para que a lua estoire e o sono estale
e a gente acorde finalmente em Portugal.

Que o poema seja encontro onde era despedida.
Que participe. Comunique. E destrua
para sempre a distância entre a arte e a vida.
Que salte do papel para a página da rua
.
Que seja experimentado muito mais que experimental
que tenha ideias sim mas também pernas
E até se partir uma não faz mal:
antes de muletas que de asas eternas .

Que o poema fique. E que ficando se aplique
A não criar barriga a não usar chinelos.
Que o poema seja um novo Infante Henrique
Voltado para dentro. E sem castelos.

Que o poema vista de domingo cada dia
e atire foguetes para dentro do quotidiano.
Que o poema vista a prosa de poesia
ao menos uma vez em cada ano.

Que o poema faça um poeta de cada
funcionário já farto de funcionar.
Ah que de novo acorde no lusíada
a saudade do novo o desejo de achar.

Que o poema diga o que é preciso
que chegue disfarçado ao pé de ti
e aponte a terra que tu pisas e eu piso.
E que o poema diga: o longe é aqui.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

258 - regresso à sala de aula

Após mais de um ano voltei a uma sala de aula para estar com os alunos. Confesso que gostei. Fez-me falta ensinar. Fez-me falta a inocência (!) dos meninos.
Neste ano que passou sem dar aulas, senti-me sem rodagem quando em Março fui dar formação a professores. Foi estranho voltar a habituar-me ao "palco".
Hoje não, tudo foi natural e aproveitei para "puxar" por eles. Pareceram-me tão interessados e inocentes. De facto a experiência e a idade ajudam muito na gestão da sala de aula...

---
No entanto neste regresso à escola deu para perceber por experiência própria que tudo o que me tinham dito é verdade. Os professores perdem HORAS a fazer "trabalho da treta" em vez de trabalharem para fazerem melhor na sala de aula. E isso de ter de trabalhar mais horas na escola é perverso. Uma coisa é estar num escritório e ter uma secretária com as nossas coisas e materiais, outra é ter de estar na sala de professores e só aí e ter e querer trabalhar! só acha que é possível quem nunca esteve numa!

Resultado: traz-se trabalho para fazer à noite, coisa que um vulgar trabalhador não faz!
Há de facto uma falta de lógica quando se procura tornar igual o que é diferente

”Ser professor é ser artista, malabarista, pintor,
escultor, doutor, músico, psicólogo…
É ser mãe, pai, irmã, avó…
É ser palhaço, espantalho, estilhaço!
É ser criança… É ser informação… É ser acaso…
É ser bússola, é ser farol,
É ser luz, é ser o Sol.

Incompreendido? Sim! Muito.
Defendido? Não! Nunca.
O seu filho passou?
Claro é um génio!
Não passou?
Não. O professor não o ensinou.

Ser professor
Não é ter um vazio ou vocação!
É ter outra coisa!
É ter nas mãos o mundo de amanhã!

Amanhã!
Os alunos vão-se!
E ele, o mestre,
De mãos vazias,
Fica com o coração partido.
Recebe novas turmas,
Novos olhos ávidos de cultura.
Fica a saudade e a amizade.

O pagamento real?
Só talvez a eternidade!!!”

terça-feira, 18 de setembro de 2007

257 - Pensamentos















Lá na escola onde trabalho há por lá uma árvore no recreio (não é esta, mas ainda não fotografei). Tenho perdido algum tempo, ao longo destes anos, a olhar para ela, durante alguns intervalos, quando preciso de um tempito para mim.


Essa árvore é um exemplo brilhante de como a Natureza pode resistir a todas as agressões e intempéries.


Foi lá posta ainda era um pauzito frágil, só que ficou no meio de um recreio onde os meninos do 1º Ciclo dela se serviram (servem) para tudo...


Jogar às escondidas, trepar, correr à volta, partir ramos...


E não é que vingou? E não é que cresceu?


Que bela lição para a vida...


Serei eu capaz de tanto?

256 - Perplexidades II


Nem de propósito...


Segundo o "Notícias da Manhã" de 19 de Setembro:

"10% dos alunos de sete anos reprovam

A ministra da Educação aumentou na passada sexta-feira, que no Algarve 10% dos alunos de sete anos reprovem o ano e apelou às escolas e professores para que trabalhem no sentido de integrar os estudantes e não de chumbá-los." A reprovação é, por vezes, o caminho mais simples, temos de dizê-lo com toda a franqueza", observou a responsável, pedindo aos docentes para que trabalhem mais com as crianças. Na opinião pessoal da ministra da Educação, a reprovação é desajustada. Não se pode reprovar uma criança com sete anos, aquilo que se deve fazer é trabalhar com ela para que laqueie ano atinja os objectivos", aconselhou."

Ora aqui é que está o "busilis". Até acredito que fosse possível aos professores baixar esta estatística. É sempre possível fazer mais e melhor, mas o cerne da questão é: Caberá apenas aos professores a assumpção de todo e qualquer insucesso. Não é verdade que os miúdos chegam diferentes à escola e que é nos primeiros anos de vida que se faz a história da criança e que a escola acaba por só poder remendar? Então não fazem falta os psicólogos, assistentes sociais e outrso técnicos que ajudem os professores? o que se faz a um menino que não aprende a ler na altura devida? não necessitaria ele de algumas medidas de apoio? e a valorização da escola que não é feita em casa? e os pais que se demitem das suas funções? Estes 10% seráo todos culpa dos professores?

E será que é o Inglês e a música que vão resolver os problemas destes meninos?

Aqui é que eu me bato. Algumas das medidas postas em prática nos últimos tempos em nada têm contribuído para que se possam baixar estas médias e taxas.

"Mas cabe perguntar: Como é que aqui chegámos?"

Ah: E não se me venha dizer que baixo os braços e que aceito uma escola reprodutora. Essas teorias foram e são bastante interessantes e têm algum carácter explicativo mas já têm 50 anos

domingo, 16 de setembro de 2007

255 - Perplexidades (actualizado)















A Educação é um assunto complexo...

Sou professor há mais de 20 anos e reconheço que também tenho estado ligado ao "eduquês"...
A Sociedade mudou muito desde os anos 60 do Século passado e pensar que a Escola se pode manter igual ao que era há 50 anos atrás é um erro colossal. Nem a sociedade precisa de uma escola que transmita apenas conteúdos encliclopédicos nem a Escola pode manter métodos que resultavam em públicos "escolhidos e seleccionados a dedo" pois a escola não era para todos...
Vejam-se as estatísticas:
- Nos anos 60 Portugal tinha 30% de Analfabetos!
- Em 1977/78 apenas 8,9% dos alunos frequentavam o Ensino Secundário (contra 59,8% em 2004/05 - fonte: http://www.gepe.min-edu.pt/np3/98.html

No entanto, reconheço que muitos e muitos erros têm sido cometidos e impressiona-me imenso o desencanto de muitos, muitos mas muitos bons profissionais do ensino.
Esta é a garantia de que algo seguramente tem andado mal no ensino português nos últimos anos... Não é possível que tantos e tantos bons profissionais estejam todos enganados e desencantados.
Se não veja-se

Aqui (tempo de teia)
Aqui (blogotinha)
Aqui (dererummundi)
e
Aqui
(blogicamente)

E em tantos, tantos outros locais...

Não será possível parar para pensar? não será possível avaliar e estabilizar? será que vale o "chutar para a frente" e seja o que Deus quizer? Será que as medidas deste ME contribuem DE FACTO para a melhoria do ensino, para que os alunos aprendam todos e mais ou são apenas medidas políticas economicistas e de cosmética a acertar ao lado? Pelo que observo temo bem que a estas questões a resposta seja que as medidas adoptadas em nada têm contribuído para melhorar qualitativamente o ensino...

Como escreve o José Mário Branco no texto "A noite": "Mas cabe perguntar: como é que aqui chegámos?"

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

254 - Recomeçar















Recomeçar
Reagir
Refazer
Relembrar
Religar
Reaprender
Recordar

Recomeçar
Realizar
Reiniciar
Readaptar
Readquirir
Reafirmar
Reajustar

Recomeçar
Realojar

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

253 - Amor à camisola



Sou sincero! foi com emoção que vi estes homens de barba rija a cantarem o hino nacional. Há um que até chora!
Claro que há aqui um grande trabalho psicológico do treinador Tomás Morais mas não deixa de ser significativo.
Ah Portugal Portugal
Que todos te amassem assim...

Explicação do País de Abril

País de Abril é o sítio do poema.
Não fica nos terraços da saudade
não fica nas longas terras. Fica exactamente aqui
tão perto que parece longe.

Tem pinheiros e mar tem rios
tem muita gente e muita solidão
dias de festa que são dias tristes às avessas
é rua e sonho é dolorosa intimidade.

Não procurem nos livros que não vem nos livros
País de Abril fica no ventre das manhãs
fica na mágoa de o sabermos tão presente
que nos torna doentes sua ausência.

País de Abril é muito mais que pura geografia
é muito mais que estradas pontes monumentos
viaja-se por dentro e tem caminhos veias
- os carris infinitos dos comboios da vida.

País de Abril é uma saudade de vindima
é terra e sonho e melodia de ser terra e sonho
território de fruta no pomar das veias
onde operários erguem as cidades do poema.

Não procurem na História que não ven na História.
País de Abril fica no sol interior das uvas
fica à distância de um só gesto os ventos dizem
que basta apenas estender a mão.

País de Abril tem gente que não sabe ler
os avisos secretos do poema.
Por isso é que o poema aprende a voz dos ventos
para falar aos homens do País de Abril.

Mais aprende que o mundo é do tamanho
que os homens queiram que o mundo tenha:
o tamanho que os ventos dão aos homens
quando sopram à noite no País de Abril.


Manuel Alegre
Praça da Canção

domingo, 9 de setembro de 2007

252 - Fora de Contexto II


Como eu gosto de alguns preciosismos só nossos. Das nossas expressões idiomáticas... do "É do tempo da Maria Cachucha", das nossas "saudades", do "cú de Judas", de "fazer sala"...
Aqui vai mais uma



Do DN de 8 de Setembro de 2007
ESSA PALAVRA ARGUIDO "SO TYPICAL!"

Ferreira Fernandes

Vai haver festa em Coimbra, pátria da adolescência dos penalistas nacionais. Conseguiram! A sua especialidade, lendo os jornais estrangeiros de ontem, exportou-se. Tal como já acontecera com o queijo da serra e o pastel de Belém, a palavra "arguido" conquistou o mundo. "What is an 'arguido'?", titulava o inglês Guardian. Ao que respondia, também em título, o espanhol El Mundo: "'Arguido', figura para el sospechoso oficial em Portugal." E o francês Le Monde pediu a um jurista luso para explicar a típica palavrinha. Ele compara com "suspeito" mas alertou: "Não implica acusação exacta." E, assim, se demonstrou a paternidade portuguesíssima de "arguido". Este é uma coisa em forma de mais ou menos. Está para os touros de morte como a tourada portuguesa. Arguido é todo curvas, é uma pega de cernelha. É acusar e dizer em seguida: "Mas não leve a mal, homem." Mais português é impossível. A palavra "arguido" conquistou o mundo. Só falta convencer os juízes.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

251 - aos marcadores de livros

Aos meus amigos marcadores



"Ler inclui um vasto conjunto de práticas que variam de época para época, de local para local, de pessoa para pessoa.

Cada um lê de uma maneira própria...
No meio da sala, num cantinho escondido, numa mesa de café, no autocarro, na biblioteca, na cama.
Mas também...
Junto à lareira no Inverno, no meio da verdura inebriante de um jardim na Primavera, no fresco da brisa nocturna no Verão.
Ou ainda...
De pé, sentado, de pernas para o ar, deitado.
Porventura...
De dia, de tarde, de noite.
Por vezes...
A tomar chá ou café, a beber uma cerveja, a comer amendoins.
Eventualmente...
Vestido de fato e gravata, de fato de treino, de calções, de pijama.
Alguns...
Com um lápis roído na mão ou a torcer e retrocer uma ponta de cabelo.

Todos nós temos os nossos rituais de leitura e os nossos auxiliares. De entre os muitos auxiliares de leitura possíveis gosto de nomear o marcador.

Há quem o use apenas para cumprir uma função: marcar a página em que se parou a leitura sem ter que a dobrar ou danificar.

Mas o marcador trás consigo uma mensagem . É colorido ou sombrio. Reproduz uma obra de arte. Traz um desenho. Fala por vezes de outro livro.

O marcador é um amigo, uma espécie de mediador entre nós, o livro que lemos e o próprio acto de leitura. O marcador acaba por falar connosco acrescentando um "ruído" de fundo aquele maravilhoso acto de ler em solidão.

Adoro marcadores. São amigos que não dispenso neste vício bom que é ler. Como quem escolhe uma gravata que fique bem com uma determinada camisa, ou uma camisa que fique bem com um determinado fato, escolho cuidadosamente para cada livro que vou ler, o marcador que "lhe vai bem".

Tenho a certeza de que o mundo fica mais feliz quando procuramos equilíbrio entre as coisas. Por isso, a escolha de uma coisa tão simples como um marcador não pode ser um acto arbitrário mas uma atitude estética e ética como, no fundo, são todas as escolhas."

José Fanha




http://tata-bitata.blogspot.com/

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

250 - uff! Recomeçou o trabalho

Como esperava esta semana tem sido intensa e quase nem tenho tempo de respirar...
Regresso à escola que continua com um ritmo de 110% e é necessário a adapatação...
Regresso ao gabinete e chega a vontade de arregaçar as mangas e lançar-me ao trabalho...
Reuniões e mais reuniões...

Tudo se há-de resolver na lógica de um passo de cada vez

Apesar disto tudo...
Continua a ser lindo (re)ver os telhados de Lisboa
Continua a ser lindo (re)ver as casas da velha Lisboa e sua luz quando lhe dá o sol...















"Quinta Canção em Lisboa”, Joaquim Pessoa


Chamar-te a ti, Lisboa, camarada
e depois, eu sei lá, enlouquecer.
Que a loucura é quase um grão de nada
e tu tens um nome de mulher.

Ou dizer que és a minha namorada.
Devagar. Não vá alguém saber
que fizemos amor de madrugada
e tu trazes um filho por nascer.

Se eu inventar de noite a liberdade
de poder beijar-te os olhos e morrer,
no teu ventre não há fado nem saudade
mas apenas os filhos que eu fizer.

E pode ser que eu guarde a tempestade
de ter que aqui ficar. E então dizer
que sobre a minha boca ninguém há-de
pôr rosas de silêncio, se eu quiser.

Chamar-te a ti, Lisboa, camarada
e depois, eu sei lá, enlouquecer…

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

249 - propósitos de um novo ano















(com a devida vénia à Teresa M. Blog Tempo de teia)
Promessa(s)...

Hoje que o ano começa
e p´ra que comece bem
vou fazer uma promessa
ao meu pai e à minha mãe...

Prometo, que eu sou boazinha,
rigorosa obediência
aos decretos, circulares
regras, leis e invenções
que o novo ano me traga
que nas férias fiquei zen
treinei minha paciência
até nem quis ser titular
e resisto a qualquer praga.

Prometo também, todavia,
nunca ficar calada
e dizer a qualquer hora
quando o juízo indicar
que não concordo com lei
que faça a já pobre escola
transformada em caranguejo
só para trás caminhar.

Prometo, ainda, abraçar
o melhor que posso e sei
tudo o que faz sentido
e mantém a chama acesa
mas ser só à superfície
corpo a boiar sem entrega
na montanha de papéis
da estéril burocracia
que em cada ano nos chega.

Prometo (oh se prometo!)
continuar a tecer
sonhos, asas, fantasias
vestir a minha armadura
levantar bem alto a espada
e combater os dragões
os piratas, os ladrões
para salvar sem temor
sem medalhas, nem louvor
aquela que é minha amada.

Hoje que o ano começa
e p´ra que comece bem
vou fazer uma promessa
ao meu pai e à minha mãe...

Prometo que não prometo
prometer o que não posso
(ser chão, tapete, alcatifa)
nunca a ninguém prometer
que promessas dessas sabemos
é no vento que se montam
e partem depressa a correr
levadas p'ra não sei onde
lá onde o escuro se esconde
e eu nem quero saber.


A todos vocês: um bom regresso de olhos sempre mais além.


(o "refrão"... quadra de partida, retirei-o da memória de um qualquer poema que me lembro de recitar mas não sei de quem é... alguém sabe?)


ADENDA 1: A esta pergunta respondeu a bell... Obrigada! Lembrava-me das duas primeiras quadras de cor... mas depois... "a coisa" perdia-se lá para os lados da infância...

O poema é de Maria Isabel Mendonça Soares:

"Hoje, que o ano começa,
e para que comece bem,
vou fazer uma promessa
ao meu pai e à minha mãe.

E para não a esquecer
e que ninguém me desminta,
nesta folha de papel
aqui fica escrita a tinta.

Prometo solenemente
não brigar com o meu irmão,
repartir com toda a gente
brinquedos, bolos ou pão;

ter sempre tanto juízo
quer de dia, quer de noite,
que nunca há-de ser preciso
apanhar nenhum açoite.

Se assim fizer, hei-de ter
muitos amigos e amigas
porque a amizade se pega
mais que o sarampo e as bexigas."

sábado, 1 de setembro de 2007

248 - Leituras do Verão 2007

Aqui ficam as minhas leituras deste verão:

- Foi Assim de Zita Seabra - Relato a todos os títulos impressionante sobre uma experiência. Marcou-me entre muitos outros aspectos o relato sobre a força e eficiência da propagandasoviética e do PC. Confesso que resultou pois também acreditei em muito do que se dizia...

- O Codex 632 de José Rodrigues dos Santos. Como dizem os italianos: "Se no é vero é bien trovato". Gostei

- Largo das necessidades de Paola d'Agostino

- O estrangeiro de Albert Camus. Já há anos que andava para ler este livro. É impressionante como está bem escrito e bem pensado. Nada é deixado ao acaso e leva o raciocínio até ao fim...

- A fórmula de Deus de José Rodrigues dos Santos - Ideia engraçada, mas o livro não é tão empolgante como o anterior, nem tão plausível

Ficou por ler:
- Um sentido para a vida de Saint Exupéry (vou a meio)
- O inferno somos nós de Carlos Amaral Dias
- Hoje não - de José Luis Peixoto
- D'este viver aqui neste papel descripto de António Lobo Antunes

e ...
Li também uma tese para não se dizer que não avancei no meu mestrado...