quarta-feira, 22 de agosto de 2012

1520 - Relatos de férias II

 Bom, já que me decidi em fazer o relato das férias do fim para o princípio, não posso deixar de referir o regresso a casa.

O jardim parecia uma selva! como as árvores, arbustos, relva crescem em tão pouco tempo. Já nos levou 3 dias a tratá-lo e a pô-lo como deve ser e ainda já se encheu um contentor e meio (da Câmara) com as podas/cortes e limpezas. Uff... hoje fiquei de rastos com as roseiras que, para ainda terem nova floração antes do inverno necessitavam mesmo de serem tratadas... muitos picos e arranhões custam uma rosa!

Fiquei maravilhado com a minha macieira! nem consegui contar as maçãs que já colhi... muito mais de 50 sem contar com as que ainda ficam na árvore a amadurecer um pouco mais. E se elas são deliciosas. Valeu bem a pena o trabalho que tive com ela no Inverno a tratá-la e a podá-la. As árvores são como as pessoas: têm fases, também sofrem e têm momentos muito felizes!

Já a jovem amendoeira  me deu a sua primeira amêndoa que guardarei para recordação. Para o ano que vem a história já será outra. Que grande que ela já está ao fim de dois anos! 

Confesso que a vida do agricultor me fascina: conhecer os ritmos da natureza, entendê-los, perceber que o corte é necessário e é inerente ao crescimento!


Bucólica

A vida é feita de nadas
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;

De casas de moradia
Caídas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;

De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha.




Miguel Torga
S. Martinho de Anta, 30 de Abril de 1937

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